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12/05/2017
18:26 Live Evil



ROB ZOMBIE
Abertura: Ghost
Pepsi On Stage - Porto Alegre/RS
10 de maio de 2017
Por Sergiomar Menezes / Fotos: Fernando Yokota
 
O dia 10 de maio de 2017 reservava aos gaúchos dois shows que prometiam muito e que criavam expectativas diferentes entre os fãs. A primeira, era em relação ao show do Ghost. Afinal a banda não é daquelas consideradas unanimidade entre os bangers, e recentemente esteve envolvida em algumas polêmicas com relação à saída de integrantes. Também pela teatralidade de seus shows, visto que o grupo (pelos vídeos na Internet) se mostrava um tanto quanto estático no palco. Já com relação a Rob Zombie, a expectativa era a de vermos em ação uma banda afiada, contando com músicos de excelente técnica, além da performance sempre insana de Rob.


 
Ao chegar ao local, logo deu pra perceber que não teríamos um grande público. O que de certa forma era compreensível, tendo em vista que no dia seguinte, teríamos o show mais esperado do ano pelos gaúchos, e também, no mesmo dia, estava acontecendo outro show (Rhapsody, na sua turnê de despedida com sua formação clássica – exceção ao guitarrista Luca Turilli) e no dia anterior, tivemos o show do Sonata Arctica. Haja bolso! Dito isso, vamos ao que interessa: os shows! Ao entrar no Pepsi On Stage, no palco havia uma mesa e um DJ. Sim, havia um DJ. E com uma “performance” de dar inveja á David Ghetta. Sejamos sinceros. Em um show de heavy metal, qual a necessidade de um cara ficar em cima do palco, colocando músicas nada a ver com o evento (Franz Ferdinand, Pearl Jam, Rage Against The Machine – que deve ter tocado umas 56 vezes -, entre outras menos cotadas), e que ainda por cima, ficava mexendo á todo momento na tal mesa de som, como se estivesse fazendo aqueles insuportáveis scratches em músicas como The Trooper? Teria sido MUITO MELHOR se alguma banda local tivesse se apresentado, nem que fosse ao menos por 30 minutos. O que o tal DJ conseguiu foi é irritar a galera que já não agüentava mais a falta de noção do cidadão em questão.


 
Mas, pra lavar a alma, às 21h, sobe ao palco o Ghost! E de cara, logo após a introdução, mandam ver a faixa de abertura de seu mais recente trabalho, o EP Popestar (2016). “Square Hammer”, que ao vivo ficou ainda melhor. As guitarras da banda ganham um peso extra ao vivo, o que deu mais dinamismo à música. Papa Emeritus III (sem o traje tradicional, usando a mesma roupa do clip da referida faixa) e seus Nameless Ghouls, interagiram com o público desde o começo. Público esse que eles tinham nas mãos.



O grupo se apresentou sem a presença de um baixista no palco, mas não ficou muito claro se havia algum músico tocando o instrumento “ás escondidas” ou se as bases eram gravadas. Mas isso não influenciou em nada a performance, que logo na sequência trouxe a pesada “From The Pinacle to the Pit”, presente em Meliora (2015). E aqui, aquela dúvida que ainda pairava sobre muitos se dissipou: a banda é muito boa de palco sim! E os novos músicos, se movimentam bem mais do que antes, o que acaba criando uma atmosfera bem mais interativa. “Ritual”, faixa de Opus Eponymous (2010), primeiro álbum do grupo se mostrou forte e intensa ao vivo. E essa foi a única faixa do trabalho a ser executada, infelizmente.



“Cirice”, outra faixa de Meliora trouxe novamente o peso das guitarras do grupo, que mostraram excelente entrosamento ao vivo. Sombria e densa, a faixa acabou trazendo a atmosfera mais obscura que a música do grupo por vezes apresenta. Papa Emeritus com classe e “elegância” conduziu a apresentação de forma comunicativa, o que parece ser uma nova direção apontada pelo “personagem”. Afinal, a batina causava limitações à sua performance. “Year Zero” trouxe Infestissumam (2013) ao culto, e mostrou que a faixa é uma das preferidas do público que entoou “Belial, Behemoth, Beelzebub, Asmodeus, Satanás, Lucifer” como se estivesse invocando os citados demônios. “Absolution”, mais uma faixa de Meliora, se fez presente.



“Do you want a HEAVY song”, indagou Emeritus e logo veio “Mummy Dust”, uma das faixas mais pesadas da banda (senão a mais pesada) e que ao vivo ganhou contornos ainda maiores. Riffs bem trabalhados e bateria mais agressiva que o habitual (em se tratando do grupo) mostraram que o Ghost é uma banda de Heavy Metal sim! E os teclados deixaram um clima sombrio em sua execução. No encerramento, Emeritus pediu que todos tivessem ao final da noite um orgasmo. Era a deixa para “Monstrance Clock”, cantada em uníssono por todos. Assim, acabava apresentação do grupo, que infelizmente contou com apenas 40 minutos de show. E deixou em todos os presentes (mesmo naqueles que não estavam lá para assisti-los) uma sensação de precisamos urgente de um show completo da banda por aqui, pois faltaram muitas músicas dos primeiros dois álbuns. Fica a dica e uma constatação: A banda é muito boa ao vivo! 
 

 
Logo após o Ghost deixar o palco, a equipe começou a montar a estrutura para o show de Rob Zombie, atração principal da noite. E já podemos perceber que a coisa seria mais performática e estruturada, haja vista a parafernália que estava sendo montada. Cerca de 40 minutos depois, eis que Mr. Zombie sobe ao palco acompanhado de John 5 (guitarra), Piggy D. (baixo) e Ginger Fish (bateria) e detonam “Dead City Radio and the New Gods of Supertown”, presente em Venomous Rat Regeneration Vendor (2013). E que começo! Além da faixa explosiva, a performance dos músicos, era algo á parte. Rob continua insano, enquanto John 5 e Piggy D se mostram técnicos e ao mesmo tempo teatrais. Emendando com “Superbeast” e “Demonoid Phenomenon”, Zombie e sua trupe mostraram que o metal e seus elementos eletrônicos e industriais quando bem dosados, dão muito certo! Zombie não pára um minuto sequer, mas se mostrou bastante incomodado com o microfone, chegando ao ponto de discutir com um dos roadies em um dos cantos do palco. “Are You crazy, mothrfuckers?”, perguntou segundos antes de “In the Age of Consecrated Vampire We All get High”. John 5 tem grande desenvoltura e aliados a isso, o irreverente músico apresentou guitarras cheia de efeitos visuais (leds, lasers, etc). Já o batera Ginger Fish pesa a mão de forma certeira, mesmo que por vezes, o industrial acabe se sobressaindo, como no caso de “Living Dead Girl”, que fez a alegria de fãs mais “antigos” de Zombie.


 
“Scum of The Earth” veio pra realmente colocar fogo na apresentação, sendo que a partir desse momento, o público se entregou de vez ao show. Com uma performance teatral, Zombie e os músicos trocaram várias vezes de roupa, enquanto o palco recebia uma iluminação bastante insana. Em “Well Everybody’s Fucking in a U.F.O.”, o vocalista jogou dois ETs infláveis para o público, o que causou risadas e as famosas viagens dos mesmos pelo Pepsi on Stage. Não se limitando ao palco, Zombie algumas vezes veio à grade e interagiu diretamente com os fãs, que o receberam de braços abertos.



Era chegada a hora de White Zombie, e a faixa escolhida foi “More Human Than Human” do longínquo Astro Creep 2000 (1995), que levantou o público (que assim como eu, esperava por mais músicas do extinto grupo do vocalista). Mesmo assim, Zombie seguiu sua insana apresentação com “Never Gonna Stop (The Red, Red Kroovy)” que possui um refrão excelente que levou todos a pularem de forma ensandecida. Assim como em “The Hideous Exhibitions of a Dedicated Gore Whore”. “House of 1000 Corpses”, que apesar de pesada, deu uma amenizada no público. Em seguida, John 5 fez um bom solo, mostrando toda sua técnica para na seqüência, emendar com um dos grandes clássicos do White Zombie  e colocar o local abaixo: “Thunder Kiss 65”!



Impressionante como as músicas do quarteto americano resistiram à passagem do tempo e ainda mostram sua força! Mesmo sabendo que Zombie está em carreira solo há muito tempo, seria interessante um maior número de faixas de seu ex-grupo. E aqui, tivemos a inserção de um dos maiores clássicos do rock e de uma das maiores inspirações do vocalista: School’s Out, do mestre Alice Cooper! O show se aproximava do fim, e “The Lords of Salem” e “Get Your Boots On! That’s the End of Rock n’ Roll” se encarregaram de fazer isso. Mas, o show não podia acabar sem um dos maiores sucessos da carreira solo do vocalista, e então os músicos voltam e tocam “Dragula”, fechando de forma apoteótica essa grande apresentação.
 
Dois grandes shows, mas que apresentaram duas pequenas ressalvas: A pouca duração do show do Ghost e o fato de “Super Charger Heaven” não fazer arte do setlist de Rob Zombie. Fico imaginando o que aconteceria se essa música fosse tocada... Parabéns a produção do evento pela iniciativa e coragem de trazer esses dois belos shows á capital dos gaúchos!
 
Setlist – Ghost:
Intro (Masked Ball)
Square Hammer
From The Pinacle to the Pit
Ritual
Cirice
Year Zero
Absolution
Mummy Dust
Monstrance Clock
 
Setlist – Rob Zombie:
Dead City Radio and the New Gods of Supertown
Superbeast
Demonoid Phenomenon
In The Age of Consecrated Vampire We All Get High
Livng Dead Girl
Scum of the Earth
Well, Everibody’s Fucking in a U.F.O.
More Human Than Human
Never Gonna Stpo (The Red, Red Kroovy)
The Hideous Exhibitions of a dedicated Goore Whore
House of 1000 Corpses
Guitar Solo
Thunder Kiss ‘65/ School’s Out
The Lords of Salem
Get Your Boots On! That’s The End Of rock n’ Roll
Dragula
 
 

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