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ANTHARES / VULCANO / WARSICKNESS / D.E.R.
Clash Club - São Paulo (SP)
15 de julho de 2017
Por Valtemir Amler / Fotos: Pedro Leandro

Ei, o que você estava fazendo em 1987? Você já tinha nascido há trinta anos atrás? O que você fazia naquela época longínqua? Eu provavelmente estava sentado no jardim de casa, bebendo chá, comendo cookies caseiros e lendo uma revistinha do Superman, enquanto minha mãe ouvia um vinil qualquer do Aerosmith e diligentemente renovava o meu estoque de cookies. Sim, tudo era muito diferente. O aparelho celular que hoje guardamos com displicência no bolso já não era o Ericsson MTA de quarenta quilos, mas era um trambolho que não cabia nem nos maiores e nem nos mais abonados bolsos do Brasil. O disquete de 1.44 mb de armazenamento era uma tecnologia inovadora, que permitia que você guardasse ‘um mundo de informação’, e o Walkman era uma interessante opção para ouvir uma música enquanto você estava no ônibus indo para a escola. Às vezes, ele ‘engolia’ a fita e a música soava um pouco ‘bêbada’ – afinal, as pilhas iam descarregando. Talvez você se lembre que, quando seus amigos descobriam que você curtia rock, eles te convidavam para ouvir um ‘rock pauleira bem pesado’, e você descobria se tratar da trilha sonora do filme La Bamba. Além disso, consumir música pesada era um trabalho árduo. Você demorava para conseguir o que queria e, geralmente, conseguia apenas uma cópia da cópia de uma cópia mal gravada em cassete daquele disco sonhado. Lembro que já era apaixonado pelo Napalm Death muito antes de descobrir que tinha um pouco de música no meio daquele amontoado de ruídos que ouvia na minha cópia da cópia da cópia mal gravada de "Scum". E, se consumir música era trabalhoso, imagine fazê-la. Isso era para heróis. Aqueles caras que idolatrávamos pareciam conosco, também eram cabeludos desprezados e malvistos, se vestiam mal, se comportavam mal (ah, sim, a TV não mente, todos eram "viciados e tinham pacto com o demônio"), mas a missão deles era ainda pior: eles tinham que fazer som pesado (às vezes, extremo) com equipamentos totalmente inadequados, em locais impróprios e, quase invariavelmente, com profissionais que não entendiam que diabos era aquilo que chamávamos de música. Os que encararam tudo isso, e começaram a construir a história do gênero que amamos, merecem todo o crédito pela árdua busca que empreenderam. Era uma ‘busca’ mesmo. Tente tirar um riff thrash de uma guitarra que não segura a afinação... Tente fazer um amontoado de peças de percussão de escola de samba soar como uma bateria medonha de death metal... Tente, por fim, agendar algum show sob forte interferência da polícia e de beatas histéricas prontas para reacender as fogueiras da Inquisição, e você terá ideia do que estamos falando. É por esses e outros motivos que eventos como este ocorrido no último sábado (15) na Clash Club, em São Paulo (SP), merecem ser louvados e prestigiados.



Para celebrar os trinta anos de história de "No Limite da Força", obra máxima da banda paulistana Anthares, alguns convidados especiais foram chamados para fazer parte da festa. O barulho começou intenso com o D.E.R., grupo paulistano de gindcore que vem desde 1997 entulhando nossos ouvidos com som caótico, extremo e sem concessões, que vai bem na veia de bandas ‘amenas’ como Extreme Noise Terror, Waco Jesus e Anal Cunt. É grind tosco e violento, com letras mordazes (repare que a sigla DER vem de Desordem e Regresso, o inverso dos dizeres da bandeira nacional), aquele tipo de música que você atrasa cinco minutos no show e já perdeu quinze músicas. Claro que não atrasamos, e pudemos ver o baixista Maurício detonando notas em seu baixo, enquanto a bateria extremamente veloz de Barata criava a cama perfeita para o amontoado de riffs de Renato e os vocais esgoelados de Thiago brilharem como chamas de uma explosão letal e incontrolável.



A sequência veio com o Warsickness, um impressionante quinteto de Itapevi (SP) que mantém intacta a tradição de excelência do thrash metal nacional, aqui carregado com altas doses de crossover, o que deixa a coisa ainda mais louca e interessante. Com o EP "Reign of Chaos, Pain and Torture" e o full-length "Stay Drunk in Hell" e algumas mudanças na formação, Guilherme Alan e Carlos Ferreira (guitarras), FH (bateria), Alan Magno (baixo) e Diogo Moreschi deram um show de fúria e empolgação. O som fortemente marcado pelos ícones da escola thrash alemã, aliado o bom e velho crossover ‘de responsa’ de gente como Dirty Rotten Imbeciles, Methods of Destruction e Crypthic Slaughter, deu o gás que precisávamos para curtir o pandemônio que viria em seguida.



Vulcano. Rapaz, agora a coisa ficou séria. Um dos nomes pioneiros do metal extremo sul-americano, os autores da maléfica obra "Bloody Vengeance" (1986), o que precisa ser dito? Muito! Para começar, Zhema Rodero é uma fábrica de riffs potentes e caóticos, Arthur Von Barbarian tem uma pegada inconfundível na bateria, Luiz Carlos Louzada é um vocalista confiante e talentoso, o guitarrista Gerson Fajardo é dono de uma performance de palco assoladora, e o baixista Carlos Diaz era a peça que faltava nessa potente máquina de metal, que atravessa as décadas com solidez e credibilidade diante de seu sempre fiel séquito de fãs.



A procura intensa de pessoas por Zhema e seus comparsas antes e depois do show, pedidos de fotos, abraços e cumprimentos se mostrou justificada, e a banda demonstrou no palco o motivo pelo qual é tão venerada por tantos anos. Uma lenda, mas que se mostra simpática e acessível, uma banda que joga junto com seus fãs, não há como não elogiar.



A performance começou com um repertório abrangente, trazendo desde faixas do clássico "Live!" (1985) até o recente "XIV" (2017), impressionando pela precisão e loucura de Arthur, que girava suas baquetas, tocava de pé, pulava, um show de talento e fúria que seria ainda mais engrandecido na sua segunda metade, quando começou a execução da sequência de sons do clássico "Bloody Vengeance". "Dominios of Death", "Spirits of Evil", "Ready to Explode" e "Holocaust" foram tocadas sob urros dos presentes, um mar de ‘devil horns’ direcionados ao palco, e caras de incredulidade de todos, incluindo aí fãs do Chile e da Argentina que compareceram à celebração. Justo, tanto quanto o final saudoso e eufórico com "Bloody Vengeance", talvez a mais emblemática música da primeira onda do death/black metal nacional.



E então, os donos da festa. O lendário Anthares vinha com motivos mais do que justos para celebrar, e esta celebração trouxe ainda outros motivos de empolgação, como a presença da galera que, ao longo dos anos, integrou esta banda tão lendária quanto o seu debut histórico. E, acredite, embora muitos possam pensar em saudosismo, o que rolou foi muito maior que isso, foi especial e marcante! Assim como o Vulcano, que começou ‘atualizando’ os clássicos, o Anthares começou com sons que vieram de "O Caos da Razão" (2015), seu mais recente disco.



Neste momento já se sentia o clima especial que permeava a apresentação. Todos os olhos estavam focados no palco, toda a atenção ia para a banda, algo até incomum em shows de metal, pois sempre tem alguém correndo atrás de uma cerveja.

Ao ouvir Diego Nogueira anunciar o início da execução de "No Limite da Força" (1987), uma espécie de catarse se abateu nos presentes. Após um breve segundo em que cada pessoa na plateia olhava na cara do vizinho com aquela cara de ‘não acredito nisso!', uma miríade de emoções explodiu, algo único, memorável, e talvez inimaginável para aqueles que acham que o headbanger brasileiro não passa de um ‘paga pau de gringo’.



A execução de faixas seminais como a que dá nome à banda, ao disco, "Fúria" "Chacina" e "Batalhas Ocultas", provou o quanto somos apaixonados, e o quanto esta banda é apaixonada pelo gênero que eles ajudaram a assentar no Brasil. Ademais, ver no palco Evandro Jr. (bateria), Eduardo "Toperman" Scarellis e Mauricio Amaral (guitarras), Diego Nogueira (vocal) e Pardal Chimello (baixo), lado a lado com Zé Aranha e Cristian Echenique (guitarras) e Henrique "Poço" (vocal), que gravaram o disco aniversariante, foi mágico e inesquecível. Então, a história foi feita, mas a comemoração ainda não terminou. Fique no aguardo, pois novidades bacanas em vídeo virão por aí.



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