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AVANTASIA – Moonglow [ 8,5/10]

Nuclear Blast/Shinigami - Nac.

“É meio modinha começar com uma grande fanfarra, tipo ‘Senhoras e senhores, aqui estamos nós! A maior banda do planeta blá-blá-blá’ (risos). Ghost in the Moon é uma ótima maneira de dar partida no álbum, porque faz o ouvinte mergulhar no conceito”, disse Tobias Sammet durante a entrevista que está nesta edição. Não dá para acusar o mentor do Avantasia de ter feito fama e deitado na cama, e Moonglow foi feito especialmente com aversão ao lugar-comum. A canção que abre o CD é um dos dois maiores exemplos. Literalmente. Com quase dez minutos, Ghost in the Moon é bela no piano e voz do início, é grandiosa nas orquestrações e é bombástica no refrão que tem vocais de apoio especiais. “Contratamos um coral gospel que costuma cantar em adaptações musicais da Broadway na Alemanha. É um grupo formado por americanos, africanos e holandeses, todos com vozes grandiosas. Quando eles começaram a cantar, o teto do estúdio tremeu!”, contou Sammet, coberto de razão.

E tem The Raven Child, com Jørn Lande e o estreante Hansi Kürsch. A primeira amostra do oitavo álbum de estúdio do Avantasia tem elementos de música celta e muitas variações distribuídos em seus épicos 11 minutos, mas há muito mais em Moonglow. E até melhor. Como Requiem for a Dream, que traz Michael Kiske e escancara um groove de baixo que não aparece toda hora no power metal, além de um corinho pronto para o público cantar junto. Assim como o “Uô ô! Uô ô ô!” viciante de The Piper at the Gates of Dawn, que reúne cinco dos vocalistas convidados: Ronnie Atkins, Lande, Eric Martin, Bob Catley e Geoff Tate – o instrumental ficou a cargo de Sascha Paeth (guitarra e baixo, este dividido com Sammet), Michael Rodenberg (teclados) e Felix Bohnke (bateria). Em relação ao ex-vocalista do Queensrÿche, vale a pena falar de novo: Invincible tem a sua melhor performance em mais de 15 anos – mais precisamente, desde Tribe (2003) –, numa interpretação recheada de técnica e emoção numa canção que remete, em alguns momentos, a Someone Else?, além de ser uma belíssima entrada para Alchemy, que mistura metal tradicional e pop até um refrão 100% metal melódico. As misturas, aliás, dão um charme ao disco. Pegue Lavender, com Catley, por exemplo: é um ótimo encontro do hard rock com o power metal.

Mas não é tudo que empolga. Starlight, com a voz de Atkins, é tão comum que você não vai incluí-la numa playlist do Avantasia. A faixa-título, por sua vez, é bonita e mostra um lado mais palatável ao grande público, mas vale mesmo por mais uma estreia: Candice Night. Agora, duas músicas valem o repeat incessante: com Martin, o cover de Maniac, aquela mesma da trilha sonora de “Flashdance”, ficou sensacional; e Book of Shallows… Meu amigo, a parte pesadona com Mille Petrozza, o terceiro e último debutante da vez, é uma obra de arte. Que riff! E o líder do Kreator ainda conseguiu ofuscar Kürsch, Atkins e até mesmo Lande.

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