Marty Friedman relembrou os motivos que o impediram de integrar a banda de Ozzy Osbourne no fim dos anos 1980, período em que o posto acabou ficando com Zakk Wylde. Em entrevista recente ao canal argentino TCDG Guitar Lessons, o músico falou de forma direta sobre a audição e deixou claro que o problema não esteve ligado à execução musical, mas à diferença de perfil e comportamento.
Na época, Friedman vivia em San Francisco e passava por dificuldades financeiras enquanto tocava no Cacophony. Segundo ele, o convite para o teste partiu diretamente de Sharon Osbourne, que se ofereceu para bancar sua ida a Los Angeles. “Eu estava completamente sem dinheiro, quase sem casa, quando ela ligou dizendo que me levariam para fazer a audição”, contou.
Apesar de acreditar que tocou bem, Marty percebeu rapidamente que não se encaixava no ambiente. “Eles tinham aquela estética total do metal de Los Angeles, com roupas chamativas, acessórios e toda a atitude da Sunset Strip. Eu apareci de camiseta e jeans, parecia um cara comum esperando o ônibus”, explicou, ressaltando que aquela postura fazia sentido no palco, mas o surpreendeu até nos ensaios.
Com o tempo, o guitarrista passou a encarar a decisão com naturalidade. “No fim, o Zakk Wylde ficou com a vaga, e ele era perfeito para aquilo. Muito mais adequado do que eu teria sido. Ele tocava muito bem e combinava totalmente com a banda”, afirmou. Friedman também reconheceu que, enquanto o restante do grupo provavelmente saía para beber e festejar após os ensaios, ele tinha um perfil mais reservado. “Eu era o cara certinho, meio entediante”, admitiu.
O assunto voltou à tona em 2024, durante participação no podcast Talk Louder, quando Marty reforçou que não falhou tecnicamente. “Aprender as músicas do Ozzy foi simples para mim. Mesmo assim, estudei demais, sabia tudo de trás para frente”, disse. Ainda assim, a sensação era clara: “Soou ótimo, todo mundo gostou do som, mas eu sabia que tinha perdido a vaga por outro motivo. Eu simplesmente não era o mesmo tipo de cara que eles”.
Para o guitarrista, a audição serviu como aprendizado. O talento estava lá, mas o contexto, a imagem e a química pessoal pesaram mais do que a performance em si — algo comum em bandas que carregam uma identidade visual e comportamental muito definida.

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