PETE SANDOVAL deixa o I AM MORBID e confirma saída de DAVID VINCENT do TERRORIZER

Por Leandro Nogueira Coppi

Pete Sandoval anunciou duas mudanças envolvendo seus projetos com o baixista e vocalista David Vincent. Em comunicados divulgados ontem, 30 de setembro, o músico confirmou sua saída do I Am Morbid, após quatro anos na banda. Logo em seguida, também em suas redes sociais, o baterista revelou que Vincent também não continuará no Terrorizer, grupo de deathgrind do qual ambos fizeram parte em diferentes momentos da carreira.

A decisão de deixar o I Am Morbid foi explicada pelo próprio Sandoval, que afirmou não sentir mais a mesma conexão com o repertório executado pelo grupo. O projeto concentra suas apresentações em músicas dos quatro primeiros álbuns do Morbid Angel: Altars of Madness (1989), Blessed Are the Sick (1991), Covenant (1993) e Domination (1995).

“Tenho muito orgulho desses discos e de tudo o que criei e contribuí durante aqueles anos, mas minha história com o Morbid Angel continuou muito além de ‘Domination’. Existe uma parte muito maior do meu legado musical que não consegui representar com o I Am Morbid”, declarou Sandoval.

O músico também esclareceu que problemas de saúde enfrentados durante a última turnê não foram o motivo principal de sua saída. Ele relatou ter ficado bastante debilitado por causa de uma gripe e explicou que já havia manifestado a intenção de fazer daquela excursão sua última com o grupo, antes de considerar um possível retorno para os compromissos europeus do segundo semestre de 2026.

Segundo o músico, antes que pudesse decidir se teria condições físicas de voltar aos palcos, foi informado de que outro baterista já havia sido contratado para a turnê. Sandoval agradeceu aos fãs pelo apoio e afirmou que pretende voltar a tocar, mas em outras circunstâncias.

Divergências profissionais levam ao afastamento no Terrorizer

Poucas horas após comunicar sua saída do I Am Morbid, Sandoval também abordou o futuro do Terrorizer. Em uma nova publicação, confirmou que a banda seguirá em atividade, embora com mudanças na formação, e anunciou que não pretende continuar trabalhando com Vincent.

“Não sinto que David Vincent e eu possamos continuar trabalhando juntos neste momento. David tem sua personalidade e sua maneira de trabalhar, e eu tenho as minhas. Somos pessoas muito diferentes e, profissionalmente, essas diferenças provocaram conflitos muitas vezes”, explicou.

Sandoval ressaltou que a decisão não envolve ressentimentos pessoais e manifestou respeito pelo trabalho realizado ao lado do baixista. Detalhes sobre a nova formação e os próximos planos do Terrorizer ainda serão divulgados.

A parceria entre os dois músicos remonta à trajetória do Morbid Angel e também está ligada à história inicial do Terrorizer. Sandoval integrou a formação responsável por World Downfall, álbum de estreia lançado em 1989 e considerado uma referência do grindcore, conhecido pela velocidade extrema, pelos blast beats e pela abordagem agressiva. Vincent também participou da gravação, no baixo.

Ao longo das décadas seguintes, Sandoval voltou a trabalhar com o Terrorizer entre os compromissos com o Morbid Angel, participando de lançamentos como Darker Days Ahead (2006), Hordes of Zombies (2012) e Caustic Attack (2018). A banda retomou as apresentações ao vivo em abril de 2024, no SWR Barroselas Metalfest, em Portugal, após um período de inatividade.

A formação mais recente que excursionou com o Terrorizer incluía Sandoval na bateria, Vincent no baixo, Brian Werner (Vital Remains) nos vocais e Richie Brown (Exmortus, The Absence, Trivium e I Am Morbid) na guitarra. O futuro do grupo agora dependerá das mudanças que Sandoval pretende anunciar.

Caminhos separados após a reunião no I Am Morbid

A reunião de Sandoval e Vincent no I Am Morbid, durante a turnê europeia da primavera de 2022, marcou o reencontro dos dois músicos após 12 anos sem tocar juntos. O projeto surgiu para revisitar parte do repertório clássico do Morbid Angel, banda da qual ambos se afastaram em momentos diferentes.

Sandoval deixou o Morbid Angel em 2010, após passar por uma cirurgia para tratar um problema de disco na coluna. Anos depois, Vincent comentou em entrevista ao site Invisible Oranges, em dezembro de 2013, que a conversão religiosa do baterista havia contribuído para que os dois deixassem de ser compatíveis dentro do Morbid Angel.

 

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