
Por Fernando Queiroz
Fotos: Andre Santos
Dos nomes mais tradicionais do power metal, que ajudaram a popularizar o gênero em seu auge, poucos se mantiveram em alta. Quantos por aí você, que conhece bem e gosta do gênero, consegue pensar que caíram no ostracismo? Muitos, provavelmente – grande parte nem sequer existe mais hoje em dia. Mas, sim, temos aqueles que se mantiveram firmes e fortes, lançando material inédito constantemente, fazendo turnês e sendo nomes importantes em festivais. Um grande exemplo desse caso acaba de completar trinta anos de existência: os finlandeses do Sonata Arctica. Essa turnê comemorativa de trigésimo aniversário era especialmente atrativa para o público e a promessa de focar em clássicos é algo que mexe com a cabeça dos fãs – eu incluso. E, em especial, era uma grande expectativa, já que, de fato, foram destaque positivo no Bangers Open Air de 2025, mesmo com setlist curto. Muita gente queria ver o show completo – novamente, estou nesse grupo.
A formação sólida atual, que permanece a mesma há tanto tempo, não dá margem a erros. São músicos já conhecidos pelos fãs, de quem já contam com o carinho. Não tinha como dar errado, e realmente não deu. Da pontualidade à qualidade de som, e até a boa escolha da banda de abertura – os veteranos brasileiros da Noturnall –, a noite foi um ‘strike’ de acertos para uma casa cheia, quase lotada. Vamos conferir!

Com a pontualidade que esperamos e gostamos, e que deveria ser o padrão em shows, os brasileiros da Noturnall subiram ao palco já com bom público na casa. Assim como a atração principal da noite, a banda “da casa” também conta hoje com sua formação mais sólida – depois de tantos anos insistindo erroneamente no vaivém do guitarrista americano Mike Orlando, a entrada do fantástico Guilherme Torres deu a estabilidade que precisavam. A apresentação não foi tão curta quanto a maioria das aberturas que vemos; tiveram um tempo bacana de palco, que foi suficiente para aquecer o público e, ao mesmo tempo, não se tornar cansativo. É verdade que muitos podem argumentar que o gênero tocado por Thiago Bianchi e seus comandados difere bastante do que o Sonata Arctica pratica, mas não tanto. O público converge, e isso ficou nítido com a animação da maioria presente. Técnicos, com energia e ótima escolha de setlist, focado em suas faixas mais power metal, a apresentação agradou em todos os pontos. Thiago mostrou como sempre seus malabarismos vocais, mas sem os exageros que muitos reclamam. Soube encaixar tudo nos momentos certos, com o nível de técnica vocal que poucos conseguem atingir. Guilherme seguiu essa linha de pensamento, abusando do ‘shredding’ nos momentos certos para isso. No fim, saíram ovacionados sob gritos de “Noturnall” – merecidamente.

O curto intervalo entre a abertura e a atração principal também foi um acerto. Não deixou ninguém cansado de esperar, e não impediu quem queria de sair para fumar e tomar algo, jogar conversa fora ou o que quer que fosse. Pontualmente, finalmente, era hora de os finlandeses darem o ar da graça – pouco mais de um ano após sua última passagem pelo Brasil. Pessoas com bandeiras da Finlândia por toda a casa e camisetas de diversas bandas do gênero eram a regra lá, mostrando que o estilo, por muitos considerado ultrapassado, está muito bem vivo. E que deleite, caro leitor!

Já de começo, um combo que misturou a modernidade e o passado da banda foi muito bem recebido. Entraram com I Have a Right, um de seus sucessos modernos que sobressaiu em um álbum não tão bem-aceito à época, seguido de Black Sheep, da época old school, e finalmente o hit Paid in Full, do disco Unia, aquele que é considerado a transição do “antigo Sonata” ao atual. Foi uma trinca que funcionou maravilhosamente, daquelas de deixar os fãs sem fôlego.

O setlist foi, no fim das contas, o que todos esperavam. Não mudou em nada em relação ao que vinha sendo tocado na turnê atual. Havia preocupação, porém, em relação à voz de Tony Kakko – dias antes, chegou a cancelar um show em Montevidéu por problemas relacionados à voz. Por sorte, não foi o caso. É verdade que não foi uma performance espetacular em termos de virtuosismo vocal, mas nem é essa a proposta dele. Cantou afinado como se esperava, e sua presença de palco e energia são incríveis. A banda toda, na verdade, tem uma ótima energia – até mesmo o baterista Tommy Portimo, que usava uma camiseta do Brasil; levando em conta que foi véspera de eleição, podia causar alguma polêmica, mas, claro, não apenas não era intenção dele como ninguém pareceu ligar para isso.

Saíram para o bis com Fullmoon, possivelmente sua música de maior sucesso, e na volta, Tony fez um grande discurso, agradecendo a todos e falando que nós, que frequentamos os shows, é que mantemos a música ao vivo acontecendo. Ele tem razão, e inclusive me convenceu a comprar marchandising, devo dizer! Fecharam magistralmente com Don’t Say a Word, e assim acabava uma ótima noite, de mais um bom show de uma das maiores bandas finlandesas e do power metal em geral. Claro que, no fim, sempre tem aquela saideira com Vodka, já tradicional.

Num dia agradável, tranquilo, com ótimos horários e uma banda de abertura que agradou, a produção pode se vangloriar de ter entregue um dos grandes shows do ano, e para um público enorme, que lotou casa. Sempre bom ver o “Sonatinha” e, como Tony confirmou que estão próximos de lançar mais um disco, esperamos vê-los logo mais na turnê dele. E, se possível, que aumentem ainda mais o setlist, chegando nas duas horas. Reclamar, ninguém vai.

Setlist
I Have a Right
Black Sheep
Paid in Full
Last Drop Fallas
Tallulah
8th Commandment
Closer to an Animal
Letter to Dana
White Pearl, Black Oceans
Shy
Fullmoon
The Las Amazing Grays
Don’t Say a Word
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