OKKULT SESSION V – BARCELONA (ESPANHA)

27 de setembro de 2026 – La Carpa Poble Espanyol

Por Écio Souza Diniz

Fotos por Karina Baez (Instagram: @kbaezortiz)

Chegando a sua quinta edição, o festival Okkult Session trouxe a Barcelona novamente sua atmosfera imersiva focada em vertentes baseadas no doom e no black metal atmosférico. Nessa edição, Paradise Lost e Tiamat foram os grandes destaques. Completaram o cast os estadunidenses do Evoken, os catalães do Sotabosc e os valencianos do Hela. A ROADIE CREW novamente acompanhou o festival e traz aqui a cobertura.

Novamente o evento ocorreu na La Carpa Poble Espanyol, com seu ótimo espaço amplo e multifuncional em Barcelona, localizada ao lado de uma zona de piqueniques arborizada, oferecendo um ambiente agradável com versatilidade para diferentes tipos de eventos. Além disso, a estrutura do local permite aos presentes escolher de onde assistir confortavelmente e com boa visão dos shows.

Ao chegar no local, havia começado o show dos barceloneses do Sotabosc e sua interessante combinação da agressividade de riffs do black metal com passagens atmosféricas, melódicas e expansivas inspiradas no post-metal. Essa sonoridade é amparada por letras cantadas inteiramente em catalão e calcadas numa forte mensagem antifascista. A banda foi formada em 2023 e em abril de 2026 lançou o seu primeiro álbum, El Batec dels Maquis (“o pulsar dos Maquis”, em português), homenagem direta à resistência antifranquista na Catalunha durante e após a Guerra Civil Espanhola. Com uma performance consistente e forte, o Sotabosc abriu bem o festival. Os destaques foram Heimdall, Nerthus e Cims de Plom i Cendra.

Sotabosc

Em seguida entraram no palco os valencianos do Hela, conceituado grupo de doom metal melódico e stoner atmosférico formada em 2012 em Elche, na província de Alicante. Com sua sonoridade densa e imersiva caracterizada por riffs arrastados, vocais femininos potentes e temáticas voltadas à mitologia e ao ocultismo, a banda proporcionou momentos de introspecção e reflexão embaladas por sua música. Esse show fez parte das apresentações nas quais a banda está promovendo o seu quarto e ótimo álbum A Reign to Conquer, lançado em fevereiro deste ano. A profundidade e a emoção do vocal de Raquel Navarro é um dos grandes destaques e teve seus melhores momentos nas músicas Vessel to Nowhere, Mother of Monsters e Horns of God.

Hela

Novamente dando lugar a vertentes mais agressivas, era vez do Evoken, um dos nomes pioneiros do funeral doom e death doom nos Estados Unidos. Fundada em 1992 em Nova Jersey, a banda passou a ser amplamente reconhecida por sua sonoridade arrastrada, melancólica e sufocante, combinando riffs marcantes e lentos com vocais guturais profundos, texturas sutis de teclado e uma atmosfera de desolação e niilismo. A performance de alto nível que desempenharam neste show os destacou facilmente entre os melhores momentos da noite. A atmosfera contemplativa pairou no festival em momentos profundos como em In Pestilence, Burning (de Quietus, 2001) e Compline, do mais recente álbum, Mendacium (2025).

Depois de um intervalo de uns 45 minutos, um dos headliners surgia sob os holofotes: os suecos do Tiamat. Desde de sua fundação em 1987, o Tiamat foi altamente influente e visionário no metal, primeiramente figurando entre os pioneiros do death/doom metal atmosférico com o clássico álbum Clouds (1992), para depois revolucionar o cenário metálico extremo com a fusão de rock psicodélico e progressivo consagrada no álbum Wildhoney (1994) e finalmente se consolidando como uma das maiores referências mundiais do gothic metal e do gothic rock. Como seria de se esperar, um dos destaques à parte neste show foi a performance do carismático vocalista Johan Edlund, a mente criativa por traz do Tiamat e reconhecido por sua voz de barítono, visual excêntrico e personalidade complexa (marcada por misticismo e crises pessoais). Contando com um público bastante respondendo à performance da banda de forma bastante participativa, o show manteve alto nível de qualidade do início ao fim. Lembrando que algumas horas antes do show a banda brindou os fãs com uma sessão de autógrafos. Os momentos em que a banda mais fisgou o público foram com a belíssima Gaia (de Windhoney), The Sleeping Beauty (de Clouds) e o hit Vote for Love (de Judas Christ, 2002).

Tiamat

Com o terreno de sentimentos profundos preparado pelo Tiamat, chegou a hora do grupo mais esperado desta quinta edição: os ingleses do Paradise Lost. Fundado em 1988 na cidade de Halifax, o Paradise Lost é pioneiro absoluto do death/doom metal e criador do gothic metal, que teve suas diretrizes padronizadas e definidas nos clássicos álbuns Gothic (1991) e Draconian Times (1995). Todavia, a banda passou por fases experimentais e eletrônicas na segunda metade dos anos 90 que também foram bastante relevantes, antes de retornarem gradualmente às suas raízes sombrias e pesadas, o que vem crescendo em especial desde The Plague Within (2015). Com toda essa rica trajetória, a banda vem mantendo-se ativa e influente até hoje, sendo que na atual turnê mundial promove o mais recente e aclamado álbum, Ascension (2025).

Paradise Lost

O show protagonizado no Okkult Session foi um dos melhores que já vi dessa banda. Foi um misto de intensidade, performance, participação empolgada do público e um setlist bem pensado que compilou desde os clássicos esperados nos shows como as melhores músicas do recente álbum. Tudo isso permitiu que a apresentação criasse momentos memoráveis. Além disso, o espaço onde ocorreu o show forneceu o ambiente adequado para experimentar o turbilhão de emoções que é provocado pelas músicas do Paradise Lost. Como é bom ver a energia pulsante ainda presente na performance dos velhos companheiros Nick Holmes (vocal), Greg Mackintosh e Aaron Aedy (guitarras) e Steve Edmondson (baixo), acompanhados pelo baterista Jeff Singer (Plague of Angels, ex-My Dying Bride, ex-Blaze Bayley). Desde a abertura do show com Serpent on the Cross até o fechamento com Silence Like the Grave (ambas de Ascension), a atenção dos presentes era quase devota. Obviamente que os pontos altos nos quais o público cantou junto foi com pérolas como One Second, The Last Time, The Enemy, Say Just Words e Hallowed Land. Assim, o Paradise fechou brilhantemente esta quinta edição do festival.

Paradise Lost

Em suma, a edição 2026 do Okkult Session cumpriu as expectativas, mantendo seu nível e qualidade, fatores essenciais para que siga se consolidando cada vez mais. Esperemos agora pela edição 2027.

 

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