StOp, sToP!: DESAFIANDO LIMITES, DUPLA HARD ROCK EUROPEIA PROMETE ESTREIA EXPLOSIVA NO BRASIL

Sem guitarras, os bem-humorados Jacob Mofo e Danny Spasov desafiam as convenções do rock com uma formação em duo, apostando na liberdade criativa, na energia do rock 'n' roll e na cumplicidade de anos de estrada para conquistar o público brasileiro

Foto: Iñigo Malvido ( @malvido_photography )

 

Por Leandro Nogueira Coppi

Após deixar as guitarras de lado recentemente, o StOp, sToP! encontrou na formação em duo novas possibilidades para explorar sua sonoridade sem perder a identidade. Em entrevista à ROADIE CREW, Jacob Mofo (baixo, pedais e vocal) e Danny Spasov (bateria e programações) falam sobre a adaptação do repertório, os desafios técnicos dessa configuração e a amizade que sustenta a parceria. Formado em 2009, em Barcelona, na Espanha, e atualmente radicado em Birmingham, na Inglaterra, o irreverente grupo de hard rock tem seis álbuns lançados, sendo Tangled (2023) o mais recente. Na conversa, os músicos também abordam a relação com os fãs, a liberdade criativa, histórias dos bastidores e a expectativa de tocar no Brasil, com uma turnê que se inicia daqui a poucos dias.

O StOp, sToP! sempre se destacou pelo bom humor e pela maneira leve e descontraída com que encara a vida. Isso fica evidente não apenas na música e na atitude de vocês no palco, mas também na relação próxima que mantêm com os fãs, inclusive nas redes sociais, onde se mostram bastante acessíveis. De onde vem essa maneira tão espontânea e bem-humorada de encarar as coisas? É algo natural da personalidade de vocês ou também uma forma de lidar com a vida e com os desafios da carreira musical?

Jacob Mofo: Em nossa opinião, os músicos não deveriam se levar muito a sério. No fim das contas, o que importa é se divertir. Nós dois viemos de famílias da classe trabalhadora e damos muito valor a tudo o que conquistamos.
Danny Spasov: E devemos isso às pessoas, por isso adoramos cuidar delas. É realmente difícil entender como alguns “astros do rock” se acham no direito de receber tratamento de deuses. Isso é ridículo!”

 

Por muitos anos, vocês contaram com o guitarrista Vega. Após a saída dele, diversos guitarristas passaram pela banda, até que vocês decidiram seguir em dupla, apostando em uma formação atípica e audaciosa, com baixo e bateria, ou seja: sem guitarra. O que os levou a optarem por esse formato? Foi o desgaste de procurar um novo guitarrista ou a vontade de experimentar algo diferente?

Jacob: Depois que o Vega decidiu deixar a banda, passamos por alguns guitarristas, simplesmente porque não podíamos cancelar nenhum show — tínhamos aluguel para pagar (risos)! Depois do último, cansamos de procurar e experimentar novas pessoas. Mas a chama ainda estava acesa e, certa noite, no pub, Danny teve a ideia: “Vamos ver no que dá!”. Então, decidimos seguir em frente com isso, e a experiência tornou tudo mais empolgante do que nunca: as dúvidas, os desafios, a LIBERDADE. Portanto, é uma combinação poderosa de todos os motivos que você mencionou, misturados entre si.

 

Como o público tem recebido essa nova formação nos shows?

Jacob: Muito positivamente! Os fãs antigos estão gostando ainda mais, embora todos admitam que ficaram um pouco céticos no início. E estamos descobrindo que agora é muito mais fácil conquistar novos fãs. Estamos mais StOp, sToP! do que nunca!
Danny: O que mais ouvimos depois dos shows é: “Quem precisa de um guitarrista?” Acreditamos firmemente que criamos algo único e novo, e é isso que a música deve fazer: evoluir sem perder sua essência.

 

E como foi o processo de preparo e adaptação dos arranjos e das músicas já conhecidas do público até vocês se sentirem satisfeitos e seguros para subir aos palcos nesse novo formato?

Jacob: Houve dois grandes desafios. O primeiro foi rearranjar as músicas antigas sob a perspectiva de composição e adaptá-las ao nosso novo formato, sempre mantendo os riffs como base e transportando-os para o baixo. O segundo desafio foi técnico: aprender a usar todos os pedais para o baixo, assim como os pads eletrônicos da bateria. Por exemplo, enquanto Jacob faz solos de “baixo-guitarra”, Danny mantém a música coesa tocando sons de baixo, teclados, trompetes e muitos outros instrumentos ao mesmo tempo em que toca a bateria normalmente. Portanto, tem sido um desafio para nós dois.
Danny: E tudo é 100% ao vivo! Não queríamos seguir o “caminho mais fácil” de usar sequências e aquelas porcarias de sons pré-gravados! (risos)

 

Tem sido mais trabalhoso compor novas músicas nesse formato, não só para o próximo álbum, sucessor de Tangled, mas também pensando na hora de mostrá-las nos palcos?

Jacob: Pelo contrário, tem sido mais fácil do que nunca, por vários motivos. Nós dois nos conhecemos muito bem, e trabalhar em material novo acontece de forma natural. Agora não temos mais limitações: simplesmente abrimos as portas para um vasto campo de novas possibilidades, e isso é muito empolgante.
Danny: Além disso, Jacob não precisa mais passar três horas tentando ensinar as partes de guitarra para ninguém! (risos)

 

A primeira amostra dessa nova fase do StOp, sToP! como dupla foi o single Kill the Pedos. A música foi composta desde o início para essa formação de baixo e bateria ou inicialmente vinha sendo trabalhada com guitarra?

Jacob: Kill the Pedos foi nosso primeiro contato com esse conceito de duo. Era uma ideia totalmente nova, e queríamos muito lançá-la para dar uma pequena amostra do novo formato. O que conseguimos fazer agora é mais avançado e um pouco diferente. Mais uma vez, Kill the Pedos representou uma fase bem inicial dessa jornada.

 

Chama a atenção também o fato de Kill the Pedos abordar um tema sério. Aqui no Brasil, infelizmente, a pedofilia é uma realidade recorrente, com os telejornais falando de casos que muitas vezes envolvem pessoas da própria família. O que motivou vocês a abordarem esse assunto na música?

Jacob: O Stop, sToP! sempre teve como propósito dizer aquilo que ninguém mais tem coragem de dizer. Só o fato de essas coisas horríveis acontecerem já deveria ser motivo suficiente para chamar a atenção das pessoas para o problema. Especialmente quando são os ricos e poderosos que se colocam no papel de “Deus” e saem impunes.
Danny: Em Kill the Pedos, falamos sobre um cenário hipotético em que as crianças são mestres de karatê e descem a porrada nesses velhos, ricos, feios e desgraçados!

 

 

Vocês já estão trabalhando no primeiro álbum do Stop, sToP! nessa formação de duas pessoas? Já decidiram se o disco será inteiramente livre de guitarras ou existe a possibilidade de incluí-las de alguma forma?

Jacob: Com certeza! Estamos trabalhando nisso neste exato momento! A ideia é fazer uma mistura de material novo, músicas antigas completamente repaginadas e, quem sabe, alguns covers adaptados ao nosso formato de duo.
Danny: Vamos manter nossa decisão e deixar as guitarras completamente de fora. Temos pedais, tecnologia e habilidade de sobra para fazer isso funcionar sem nenhum problema.

 

Algo que considero muito interessante no StOp, sToP! é o espírito do it yourself com que vocês conduzem a banda. Desde morarem juntos e dirigirem a própria van até os shows, até produzirem vídeos divertidos para as redes sociais e responderem pessoalmente aos fãs, tudo parece ser feito com muita paixão e vontade de aproveitar cada momento. Minha impressão é que existe uma amizade genuína entre vocês, como se fossem irmãos de famílias diferentes. Isso é algo cada vez mais raro nos dias de hoje, em que muitas bandas acabam funcionando mais como empresas do que como grupos de amigos unidos pela música, como nos velhos tempos. Como vocês enxergam essa relação entre amizade e trabalho? E o quanto essa conexão pessoal contribui para manter viva a essência do Stop, sToP!?

Jacob: Esse vínculo pessoal foi construído ao longo de muitos anos, como você sabe, e nós realmente nos tratamos como irmãos. A parceria profissional também se fortalece com isso: enfrentamos dificuldades, suamos a camisa e comemoramos juntos. As bandas que enxergam tudo exclusivamente como um negócio acabam perdendo de vista um lado muito bonito da música, que é a lealdade e o espírito de irmandade. Foi isso que nos levou a seguir esse novo caminho. Sem a motivação e o “espírito de guerreiros” que temos, não acreditamos que essa mudança teria acontecido. O que nos diferencia de outras bandas é que dependemos 100% dos shows para sobreviver. Por isso, a interação com o público e o carinho pelos fãs surgem de maneira muito natural: fazem parte do DNA do StOp, sToP!
Danny: Na nossa opinião, para uma banda ter um som coeso e química entre seus integrantes, não basta se encontrar uma vez por semana para ensaiar e fazer shows. Esse vínculo precisa ser cultivado ao longo de anos, com muitos momentos felizes, mas também discussões e divergências. É a combinação de tudo isso que cria uma verdadeira banda de rock, capaz de enfrentar qualquer desafio que apareça pelo caminho. Quanto mais forte o vínculo entre os integrantes, melhor soa a banda.

 

Vamos falar da primeira turnê do StOp, sToP! pelo Brasil. Quando se fala no país, o que vem à cabeça?

Jacob: Futebol, mulheres lindas dançando samba, boa comida e clima quente! (risos).
Danny: Estamos muito empolgados para conhecer os fãs brasileiros de rock. Ouvimos dizer que eles são absolutamente insanos, e isso vai ser como jogar um galão de gasolina numa fogueira para nós!

 

Qual é a expectativa de vocês para finalmente conhecer o país e entrar em contato com o público brasileiro?

Jacob: Nossa expectativa é conquistar o maior número possível de novos fãs. Mal podemos esperar para interagir com fãs de rock apaixonados e de “sangue quente”. Já estamos um pouco cansados daqueles desgraçados do norte da Europa! (risos)
Danny:Temos certeza de que será uma experiência que guardaremos para sempre em nossos corações.

 

O que os fãs podem esperar dos shows dessa primeira turnê brasileira?

Jacob: Pé na tábua, clima de festa, suor, todo mundo cantando junto e um show que ninguém vai esquecer!
Danny: Se conseguirmos deixar o público tão encharcado de suor quanto nós, será um sucesso! Missão cumprida!

 

Particularmente, será uma noite especial para mim, afinal, estarei no show de São Paulo, do dia 29 de outubro, para comemorar meu aniversário com vocês, que considero amigos de longa data! Uma coincidência e tanto, não acham?

Jacob: Estamos extremamente empolgados com isso! Não vemos como uma coincidência, simplesmente tinha que acontecer. É uma honra imensa para nós.
Danny: Prepare-se para uma noite épica de rock ‘n’ roll! Você está pronto? Porque nós estamos!

 

Let’s party! Bem, para os leitores conhecerem um pouco mais das influências de vocês, citem três discos que mudaram suas vidas para sempre!

Jacob: Machine Head, do Deep Purple; Are You Experienced?, do The Jimi Hendrix Experience; e Dr. Feelgood, do Mötley Crüe.
Danny: Em vez de cada um escolher três álbuns, conseguimos chegar a um acordo sobre estas três obras-primas.

 

Agradeço por mais esta entrevista, rapaziada, a segunda que fazemos. Para encerrar, deixem um recado para os fãs brasileiros, especialmente para os leitores da ROADIE CREW.

Jacob: Foi um prazer enorme conversar com você novamente, meu amigo! E, para todos os leitores: mal podemos esperar para encontrar vocês por lá, curtindo o rock com a gente!
Danny: Venham conferir o que apenas dois caras e muita determinação são capazes de fazer!

 

Foto: Iñigo Malvido ( @malvido_photography )

 

StOp, sToP! no Brasil em outubro e novembro

Com produção da EasyGig, o duo europeu de hard rock StOp,sToP! fará uma extensa turnê pelo Brasil entre o fim deste mês de outubro e início de novembro. Jacob Mofo e Danny Spasov passarão por cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

 

SERVIÇO – StOp,sToP! – Brasil Tour 2026

28/10 – Santos (SP)
Mucha Breja

29/10 – São Paulo (SP)
La Iglesia

30/10 – São Paulo (SP)
Animal Records – Meet & Greet

31/10 – Assis (SP)
Madame Guedes

01/11 – Maringá (PR)
Groove

02/11 – Campo Mourão (PR)
Local a confirmar

03/11 – Marechal Cândido Rondon (PR)
Local a confirmar

04/11 – Foz do Iguaçu (PR)
Zeppelin

05/11 – São Miguel do Oeste (SC)
Setessete Bar

06/11 – Cascavel (PR)
Adega Nostravamos

07/11 – Guarapuava (PR)
Local a confirmar

08/11 – São Bento do Sul (SC)
Local a confirmar

10/11 – Curitiba (PR)
92 Graus

12/11 – Ponta Grossa (PR)
Capivara

13/11 – Londrina (PR)
Cativeiro Bar

14/11 – São Paulo (SP)
Manifesto Bar

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