BLACK LABEL SOCIETY – SÃO PAULO (SP)

18 de outubro de 2026 – Terra SP

Por Marcelo Gomes

Fotos: Roberto Sant’Anna

A devoção dos fãs a Zakk Wylde tomou conta do Terra SP no último dia 18, em uma noite que reuniu três atrações diretamente ligadas ao universo do guitarrista: Dark Chapel, Zakk Sabbath e Black Label Society. Com a casa lotada, o evento ganhou ares de um verdadeiro Zakk Fest, celebrando diferentes facetas da carreira de um dos nomes mais emblemáticos do heavy metal. Esta foi a terceira passagem de Wylde por São Paulo em 2026: primeiro, com o Black Label Society no Bangers Open Air, em abril; depois, na semana anterior, com o Zakk Sabbath, em uma apresentação com ingressos esgotados no Carioca Club; e, agora, novamente à frente de suas duas bandas, no Terra SP. A sequência de shows evidencia o crescimento da “família Black Label” e a força de uma base de fãs que acompanha cada movimento do guitarrista com fidelidade.

Responsável por abrir a noite, o Dark Chapel subiu ao palco com Dario Lorina (guitarra, vocal e piano), Dylan Dyce (guitarra), Mike Leon (baixo) e J. Walker (bateria). Bem recebidos desde o primeiro acorde – afinal, Dario faz parte da “família Black Label” há mais de uma década – o quarteto entregou um set curto, mas bem calibrado. Afterglow, Hollow Smile e Sign of Life já mostraram a química entre as guitarras de Dario e Dylan. O momento mais bonito veio em Hit of Your Love, com Dario no teclado e um mar de celulares iluminando a plateia. O cover de Ain’t No Sunshine, de Bill Withers, foi cantado junto pelo público de forma surpreendentemente afinada, e Burns the Flame fechou o set, deixando claro que o Dark Chapel tem personalidade e um futuro promissor pela frente.

O Zakk Sabbath entrou com a clássica introdução Supertzar, clássico instrumental do Black Sabbath. Formado por Zakk Wylde (guitarra e vocal), John “JD” DeServio (baixo) e Jeff Fabb (bateria), o trio mostrou que sua proposta vai muito além de reproduzir os clássicos: trata-se de celebrar o legado de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward com a personalidade de músicos que carregam o Sabbath no próprio DNA. Do alto de um praticável, Zakk disparou o riff de Children of the Grave, preparando o terreno para uma viagem pela obra da maior e mais influente banda da história do heavy metal. Em Snowblind, os fãs chegaram a cantar o riff de guitarra, enquanto o guitarrista esbanjava confiança ao executar o solo com o instrumento nas costas. A breve passagem pelo interlúdio de Orchid serviu como pausa para a troca de guitarra e uma tomada de fôlego antes da sequência seguinte.

A intensidade cresceu ainda mais com Fairies Wear Boots, quando Wylde deixou a guitarra de lado durante o verso para pedir palmas e incentivar o público a cantar. Em N.I.B., DeServio introduziu a música com a clássica linha de baixo, arrancando aplausos antes de o riff principal colocar o Terra SP abaixo. O momento mais especial veio na passagem mais cadenciada da faixa, quando os músicos pararam de tocar e mantiveram a marcação apenas com o bumbo, permitindo que os fãs transformassem a casa em um enorme karaokê. O fechamento com War Pigs foi o ponto alto: sirenes, solo estendido, Zakk dividindo os vocais com a plateia e a casa inteira cantando o solo principal. Foi o legado do Black Sabbath sendo honrado no mais alto nível, com respeito e fúria na medida certa.

Chegava a vez de o Black Label Society assumir o palco. Com Zakk Wylde (vocais, guitarra e piano), Dario Lorina (guitarra), John “JD” DeServio (baixo) e Jeff Fabb (bateria), todos podiam imaginar o que vinha pela frente. A introdução Whole Lotta Sabbath preparou o público para Funeral Bell, seguida por Name in Blood, faixa do álbum Engines of Demolition, lançado em 2026. Apesar de recente, a música já ganhou status de clássica, caindo de imediato no gosto da galera. Destroy & Conquer manteve a pressão e A Love Unreal fez a plateia cantar a melodia acústica antes mesmo do primeiro verso. Em Heart of Darkness, Zakk fez o que sabe melhor: desafiar o público, sentir o calor dele e ver os fãs corresponderem como se estivessem diante de um velho amigo.

A emoção atingiu outro patamar com No More Tears, clássico de Ozzy Osbourne, no qual Zakk executou o icônico solo ao lado da banda e não parou por aí: cantou os versos depois do solo. Ao final, o Terra SP inteiro entoou o tradicional “olê, olê, olê, olê, Ozzy, Ozzy!”, em uma homenagem emocionante ao eterno Madman. Na sequência, Wylde apresentou os integrantes da banda com seu conhecido bom humor, entre brincadeiras, danças e apelidos. Sentado ao teclado, Zakk entregou In this River, interpretando a canção dedicada a Dimebag Darrell e Vinnie Paul com sentimento, enquanto imagens dos saudosos irmãos Abbott eram exibidas no telão. A entrega da banda e do público transformou a execução em um momento de certa forma nostálgico, lembrando que, por trás dos riffs e da imagem imponente, existe uma profunda ligação com a história e as amizades que moldaram a trajetória de Wylde.

The Blessed Hellride, Set You Free e Fire it Up deixaram o Terra SP pegando fogo. Nesta última, o guitarrista protagonizou um duelo ao lado de Dario Lorina, com suas guitarras nas costas, e encerrou com um trecho de Smoke on the Water, do Deep Purple. Depois da pedrada Suicide Messiah, Ozzy’s Song trouxe mais uma homenagem ao vocalista, com Zakk cantando bastante emocionado, Dario Lorina ao teclado e imagens de Ozzy no telão, em um momento que faz parecer que toda homenagem ao grande Madman ainda é pouco. Para encerrar, uma jam repleta de solos abriu caminho para um trecho de Black Sabbath, antes de a banda concluir a apresentação com Stillborn.

Em excelente forma, Wylde entregou tudo o que seus admiradores esperavam: riffs pesados, melodias marcantes, muitos solos e carisma de sobra. Com uma banda impecável e uma plateia completamente entregue, o Black Label Society fechou uma noite que foi muito mais do que uma sequência de shows: foi uma celebração da música, das influências e da comunidade construída ao redor de Zakk Wylde. Se a devoção dos fãs já era evidente nas apresentações de 2026, o encontro no Terra SP confirmou que a “família Black Label” segue crescendo e que o guitarrista continua encontrando no público brasileiro uma plateia pronta para acompanhá-lo em cada jornada.

Setlist Dark Chapel

Afterglow

Hollow Smile

Sign of Life

Hit of Your Love

All That Remains

Ain’t No Sunshine

Burns the Flame

Setlist Zakk Sabbath

Supertzar

Children of the Grave

Snowblind

Orchid

Fairies Wear Boots

N.I.B.

War Pigs

Setlist Black Label Society

Whole Lotta Sabbath

Funeral Bell

Name in Blood

Destroy & Conquer

A Love Unreal

Heart of Darkness

No More Tears

In This River

The Blessed Hellride

Set You Free

Fire It Up

Suicide Messiah

Ozzy’s Song

Stillborn

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