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AEROSMITH / WHITESNAKE

Dezenove anos de espera, mas o público decepcionou. Tudo bem que o Black Sabbath havia tocado menos de uma semana antes na mesma a Praça da Apoteose. Tudo bem que os ingressos de grandes shows têm valores salgados. E tudo bem que o primeiro pé d’água no Rio de Janeiro caiu pouco mais de uma hora antes de começar a festa. Ainda assim, levando-se em consideração também uma a pré-venda bem antecipada, os pouco mais de 17 mil fãs não fizeram jus, numericamente falando, ao espetáculo que se anunciava. Mas quem foi não se arrependeu. Mesmo aqueles que viram no combo Whitesnake e Aerosmith apenas mais um evento na Cidade (outrora) Maravilhosa.

David Coverdale e companhia subiram ao palco para fazer a sua melhor apresentação no Rio desde a volta no início dos anos 2000. Give Me All Your Love abriu um set list primoroso, que premiou os fãs mais cascudos – leia-se época em que o cabelo de Coverdale ainda era preto – com Ready an’ Willing, do álbum homônimo (1980), e o medley de Slide it in e Slow an‘ Easy, duas de Slide it in (1984). No geral, quem é fã não teve do que reclamar. As antigasposteriormente modernizadas Fool for You Loving (também de Ready an’ Willing, mas na versão de Slip of the Tongue, de 1989) e Here I Go Again (de Saints & Sinners, de 1982, mas em sua versão 1987) são sempre bem-vindas;Love Will Set You Free e Steal Your Heart Away, as duas tiradas do último trabalho, o excelente Forevermore (2011), têm em seu DNA o melhor da Cobra Branca.

No entanto, nem tudo foram flores. Se o público estava aquém do esperado e merecido, ele também não ajudou muito. Havia quem ostentasse a sua camisa do Whitesnake, mas Love Ain’t No Stranger e Is This Love provaram que a grande maioria dos presentes cresceu mais ouvindo as rádios FM mais populares do que comprando discos. Claro, havia problemas não apenas nas pistas e arquibancadas. Enquanto o monstruoso Tommy Aldridge deixou incautos e admiradores de queixo caído com seu solo (aos 59 anos, como ainda toca esse sujeito!),Pistols at Dawn– a hora de Doug Aldrich e Reb Beach brilharem – provou valer a apenas para o chefe tomar um fôlego. São exímios guitarristas, mas já mostram o talento que têm durante as músicas.

Não é de hoje que a garganta de Coverdale vem dando sinais de desgaste. Ele, um dos maiores frontmen de todos os tempos, começou muito bem a noite, mas viu a voz ir para o saco meia hora depois –é sintomático que a banda venha cada vez mais fazendo backing vocals, principalmente o ótimo Michael Devin (baixo). Mas nem isso e nem a chuva que desabou na reta final tiraram o brilho do show. Com Coverdale tomando um banho ao andar de um lado para outro do palco, Still of the Night e Burn (sempre com a inserção de Stormbringer) encerraram uma belíssima apresentação.

A chuva apertou depois que o Whitesnake saiu do palco, e havia mais gente embaixo das marquises próximas aos bares do que na pista, mas o Aerosmith mostrou por que era a banda principal. Muitos foram à Apoteose para ver os dois grupos, mas a grande maioria estava lá por causa do quinteto americano – e por causa dos vários hits forjados da década de 80 para frente, depois da ressurreição graças à parceria com o Run DMC na regravação de Walk This Way. Assim, a trinca de abertura atingiu grau máximo com Love in an Elevator, apesar de a música de Pump (1989) ter ficado entre Back in the Saddle (da obra-prima Rocks, 1976) e Toys in the Attic (do autointitulado álbum lançado em 1975). Assim, a felicidade total foi para a minoria que se esbaldou também com No More No More (outra pérola de Toys in the Attic) e Last Child (outra joia de Rocks). A reação geral só não foi mais morna do que quando Steven Tyler anunciou Oh Yeah, única do apenas razoável Music from Another Dimension! (2012).

Nada disso desmerece, no entanto, os trabalhos mais recentes – seria um crime torcer o nariz para trabalhos como Pump, Permanent Vacation (1987) e Get a Grip (1993). Mais acessíveis, sem dúvida, mas de qualidade indiscutível. E Tyler estava no palco, o que já vale o preço do ingresso. Verdadeira formiga atômica, ainda cantando muito bem, ele é um show à parte, hipnotiza fãs com uma facilidade poucas vezes vista. Pula, dança, interage a todo instante com a câmera (uma grande sacada, pois a interação é com a plateia, graças aos telões) e praticamente não sai da extensão do palco que vai até parte da pista.

Fiel escudeiro, Joey Perryo acompanha constantemente, deixando Brad Whitford, Joey Kramer e os convidados David Hull (baixista que substituiu Tom Hamilton, derrubado por uma virose) e Russ Irwin (tecladista, percussionista e guitarrista que acompanha o Aerosmith de 1997) realmente como coadjuvantes, mesmo que de luxo.Ao assumir o microfone em Stop Messin’ Around, composição do bluesmanLittle Walter (1930-1968) gravada em Honkin’ on Bobo (2004), Perry deu as cartas e foi reverenciado pelo outro toxic twin. “Joe fuckin’ Perry! Aproveitem, pois não é toda hora que vocês veem alguém como ele!”.

Janie’s Got a Gun, Dude (Looks Like a Lady), Rag Doll,Jadede Livin’ on the Edgelavaram a alma (com o perdão do trocadilho) de todo e qualquer fã, enquanto Cryin’, What it Takes e I Don’t Want to Miss a Thing ganharam um respeitável coro de vozes femininas –e foi graças a uma delas que este escriba soube que Tyler jogara para a plateia um óculos Prada de mais de US$ 300. Vivendo e aprendendo.O Aerosmith já tinha colocado todo mundo no bolso, não precisava nem se esforçar mais, só que dava para terminar melhor do que começou. A banda entrou no túnel do tempo e trouxe Come Together, clássico dos Beatles que o quinteto registrou em 1978 para a trilha sonora do filme Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Se o “over me” do refrão foi entoado com vontade pelo público, o que veio a seguir mexeu com cinturas e pernas.Com Steven Tyler encarnando James Brown, Mother Popcornmostrou ainda o talento de Hull nas quatro cordas (baixista sem groove não é baixista que se preze). Walk This Way veio para levantar toda e qualquer alma que estivesse dando sinais de cansaço. Hora de pular e cantar o refrão, hora de Tyler chamar uma fã à passarela do palco, dançar com ela e mostrar que não é adepto de selinho à la Jon Bon Jovi. Foram um, dois, três, quatro beijos na menina, que não deixou por pouco: tirou todas as casquinhas que pôde.

No primeiro bis, Tyler dá início a Dream on, e é impressionante a força da balada 40 anos depois de seu lançamento (gravada no primeiro disco do Aerosmith, homônimo, de 1973). A interpretação emotiva de Tyler é magistralmente acompanhada da guitarra de Perry, com ambos se revezando em cima do piano fake montado no fim da passarela, numa cena visualmente enriquecida pelo efeito causado pelasnuvens de fumaça que surgiam do chão. Não menos que espetacular.Mais um clássico das antigas, mas que caiu no gosto dos fãs mais novos, Sweet Emotionencerraria com louvor o show. Sim, encerraria, porque o negócio estava bom, e a banda resolveu continuar após as apresentações individuais.

Surpresa mais do que agradável, Mama Kin (mais uma do trabalho de estreia) abriu a saideira, que continuou com apenas a primeira metade de Crazy, balada de Get a Grip pedida incessantemente pelo público, e encerrou com Train Kept A-Rollin’, Rock and Roll antigo, de 1951, que o Aerosmith pegou emprestado em Get Your Wings (1974) e fez eternamente seu. Foi o fim de uma grande festa comandada por um dos grandes mestres de cerimônia que a música deu ao mundo. Azar de quem não foi. Impossível esperar mais 19 anos.

Set list Whitesnake:
1. Give Me All Your Love
2. Ready an’ Willing
3. Love Ain’t No Stranger
4. Is This Love
5. Slide it in/Slow an’ Easy
6. Love Will Set You Free
7. Pistols at Dawn
8. Steal Your Heart Away
9. Fool for Your Loving
10. Here I Go Again
11. Still of the Night
12. Burn

Set list Aerosmith:
1. Back in the Saddle
2. Love in an Elevator
3. Toys in the Attic
4. Oh Yeah
5. Janie’s Got a Gun
6. Dude (Looks Like a Lady)
7. Rag Doll
8. Cryin’
9. Last Child
10. Jaded
11. Stop Messin’ Around (Fleetwood Mac cover)
12. What It Takes
13. Livin’ on the Edge
14. I Don’t Want to Miss a Thing
15. No More No More
16. Come Together (The Beatles cover)
17. Mother Popcorn (James Brown)
18. Walk This Way
Bis #1
19. Dream on (with snippet of “Will You Still Love Me Tomorrow”, Carole King cover)
20. Sweet Emotion
Bis #2
21. Mama Kin
22. Crazy/Train Kept A-Rollin’

Fotos: Márcio Carreiro
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