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Live Evil

AMORPHIS

Hangar 110 - São Paulo/SP, 27 de maio de 2016

Comparar shows é uma coisa chata de se fazer e bastante subjetiva se levarmos em conta setlists e preferências dos fãs, mas para quem presenciou a terceira passagem dos finlandeses do Amorphis pela capital paulista, parece inevitável dizer que foi a melhor apresentação da banda por aqui. Mesmo com todo aperto do palco do Hangar 110 (o Amorphis conta com seis músicos), impedindo que a banda se movimentasse muito além de suas mãos e cabeças, o que se viu ali nessa gelada noite de sexta foi uma performance impecável e com uma proximidade com o público que só essa clássica casa consegue nos ceder.  Horas antes da apresentação, uma pequena fila se formava do lado de fora, dando a entender que o show seria fraco em termos de público. Mas com a casa aberta, foram chegando mais e mais fãs e, apesar de não lotarem a casa, rendeu uma bela pista à espera do Amorphis.

No balcão de merchandising, uma camiseta horrorosa feita para essa perna brasileira da tour e o novo álbum, Under the Red Cloud, em versão nacional com preço superfaturado (R$ 40). Assim, restava aos presentes beber e esperar ao som dos PAs. Mas a espera durou pouco e no horário marcado (21h) Tomi Joutsen (vocal), Esa Holopainen e Tomi Koivusaari (guitarras), Niklas Etelavuori (baixo), Santeri Kallio (teclado) e Jan Rachberger (bateria) subiam em palco para executar a faixa-título do citado novo álbum e uma sequência do mesmo com Sacrifice, com se refrão cantado em peso pela pista, e a agressiva Bad Blood que ao vivo soa como um tapa nas orelhas do público. Desde já a simpatia e presença de palco de Tomi Joutsen mostrava-se ainda mais evidente que nas apresentações anteriores, mas o destaque do musico está mesmo em sua perfeição vocal, seja nos momentos mais brutos com os urros ou nos mais melódicos com sua voz limpa e melancólica, como foi a sequência formada por Sky is Mine do excelente álbum Skyforger e, representando o álbum Circle (2013), um dos mais agressivos dessa fase atual da banda, The Wanderer, que teve a banda toda se voltando ao seu baterista quando se aproximava o fim da música, provavelmente esperando por um acerto que é normalmente resulta em algum erro de Jan.

Tomi anuncia um som do clássico álbum Elegy, que completa seus 20 anos nesse 2016: On Rich And Poor. E foi de arrepiar ouvir a pista cantarolando em “Ôôô” a memorável frase de guitarra desse som, mostrando que grande parte dos fãs ali conheciam de fato a carreira do Amorphis. Mas Tomi pergunta se o público quer mais sons antigos e com a resposta afirmativa a banda executa Drowned Maid, com direito aos urros (um pouco baixos) de Koivusaari, causando euforia aos apreciadores do clássico álbum Tales From the Thousand Lakes.

Até aqui, alguns mais ao fundo da casa reclamavam do som baixo, mas a maioria elogiava a qualidade do que se ouvia, além da iluminação ter sido uma das melhores que um público Metal poderia ter presenciado no Hangar 110. Em palco, destaques para os criadores da banda, Esa Holopainen e Tomi Koivusaari, que parecem não conhecer erros em suas seis cordas, mas quem toma a atenção é mesmo Joutsen. Durante Dark Path a pista não parava de elogiar a versatilidade desse finlandês que mais parece um “Seu Madruga do Metal”.

Passado a nova The Four Wise Ones e o momento “bonitinho” com Silent Waters, mais uma momento nostálgico do álbum Elegy, primeiro com a instrumental Relief, com um solo de teclado um pouco direrente e depois com My Kantele, que, mais uma vez destacando os guturais de Joutsen, foi ovacionada pelos fãs.

Em Hopeless Days o microfone do vocalista que mais parece uma rústica nave espacial, falhou e daí a experiência dá as caras, pois em segundos Tomi pegou do chão um microfone convencional e seguiu cantando, enquanto um técnico rapidamente solucionava o problema da “Enterprise do Caribe” usada pelo cantor.  House of Sleep encerrou o primeiro trecho do set de forma emocionante, com o Joutsen regendo o público a lhe acompanhar em um belo coral.  Saída breve de palco e retorno após ouvir a pista gritando por “AmorphEs, AmorphEs”, retomando o show com Death of a King, talvez uma das melhores faixas de Under the Red Cloud mesclando toda melodia da banda, suas influências de música oriental e peso.

Silver Bride deu aquela cara de “fim de festa” com todos cantando seu refrão pegajoso, mas o encerramento foi, obviamente, com o clássico mor da banda: Black Winter Day, emocionando principalmente àqueles que nunca haviam presenciado um show do Amorphis. E mesmo com a combinação noite gelada/banda finlandesa, é certo dizer que todos os fãs saíram da apresentação com o coração aquecido e um os dentes amostra, sorrindo satisfeitos com um show perfeito.

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