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ANDRE MEISTER: arte conceitual a serviço do metal

Artista trabalhou em obras de bandas como Pain of Salvation e Semblant

A arte de um disco é um elemento tão importante quanto o musical. Desde o tempo dos vinis, as capas eram um elemento instigante que era assimilada com o formato do LP, antes mesmo do ouvinte colocar o disco na agulha. Por mais que mudanças nos formatos físico – e o advento das plataformas digitais – tenham acontecido com o passar das décadas, as ilustrações continuam sendo um fator fundamental nesta equação.

O artista conceitual Andre Meister entrou neste universo enquanto construía a carreira por meio de cursos e empregos na área de publicidade e games. Um dos trabalhos que desenvolveu para capas de álbuns foi com a banda Pain of Salvation, no álbum Panther. “Eu era fã há anos. Tenho um amigo que também é ilustrador, que conhece o vocalista pessoalmente. Ele me procurou dizendo que o Pain of Salvation estava procurando uma pessoa pra fazer um material de álbum que tivesse uma base de quadrinhos – a primeira ideia que ele tinha era abordar como se fossem quadrinhos. Ele fez uma lista de artistas que ele conhecia e felizmente o meu foi o que o Daniel Gildenlöw mais gostou”, explica Meister.

Após o contato inicial, a relação entre o artista e Gildenlöw (vocalista, guitarrista e compositor do Pain of Salvation) foi tomando forma, com uma liberdade artística que resultou em um trabalho especial: “Conversamos bastante, ele me explicou a metáfora que ele queria inicialmente, e era algo que se não fosse bem lapidado era muito fácil de não funcionar. Discutimos muito as referências e propostas artísticas, e o trabalho foi se tornando algo mais sólido. É difícil falar de “liberdade artística” porque era um trabalho sinérgico sobre significado. Não foi como um trabalho encomendado por uma empresa com várias restrições e cláusulas”, adiciona.

O resultado final foi além da criação da capa: “O trabalho encomendado era um grupo de ilustrações junto com a capa. A princípio oito ilustrações envolvendo a proposta poética do álbum. A ideia de fazer um apêndice com os esboços e trabalhos que não entraram no produto finalveio da minha influência de artbooks que gosto de colecionar. Eu sou apaixonado pelo processo, e isso trouxe a ideia de apresentar ao público um pouco do backstage. Esse foi lançado numa edição especial vendida apenas na Europa”.

Outro trabalho de destaque foi desenvolvido na graphic novel Blood Chronicles, cujo qual Andre Meister é co-autor ao lado de Sergio Mazul, vocalista da banda Semblant, cujas letras inspiraram a narrativa do material: “Falamos da ‘Legacy of Blood’, saga que ele colocava musicada nos álbuns da Semblant, e o Sergio perguntou se dava pra fazer daquilo uma história expandida. Depois de uma madrugada de papo, pizza e cerveja, tínhamos idéias loucas que poderiam se tornar uma grande história”.

O trabalho visionário apresentado em Blood Chronicles expande o conceito musical, se tornando um item essencial ao lado dos álbuns da Semblant: “Em primeiro lugar, é importante entender que esse trabalho não é um mero merchandising. Queríamos fugir da ideia de representar os músicos da banda e forçar as letras a aparecerem. Preferimos pegar uma ideia que ressoasse com o material original, as letras da saga ‘Legacy of Blood’ e amarrar num universo interessante que as pessoas quisessem ler a respeito”, explica Meister.

“Gosto muito de misturar mídias. História em Quadrinhos misturam poesia/escrita e imagem. Misturar música com isso era um trabalho de certa forma semelhante, mas com um potencial pouco explorado. Quando estávamos escrevendo o roteiro, falamos de trabalhar as cores e pinceladas em cima do ritmo da música. Era um exercício de composição muito intenso que dava ótimos resultados. A gente sempre recomenda que quem for ler o material, escute as músicas da Semblant em conjunto, para ter um senso de imersão”, adiciona.

A jornada profissional de Andre Meister inspira e mostra que as adversidades sempre estarão presentes, porém com um elemento fundamental, a determinação, estas podem ser vencidas e levar a arte para diversos caminhos. No começo de carreira, trabalhando com agência de publicidade, o artista ouviu algo que, embora negativo, foi assimilado e contornado com perseverança e foco: “Um ilustrador bem famoso da época que disse, com todas as letras, que eu não tinha talento e nunca conseguiria trabalhar num filme, porque só gente mais especial com talento de verdade conseguia. Mas eu sou teimoso. Aprendi com meu pai que, se você estudar muito, consegue absorver qualquer coisa. Foi o que eu fiz”. Seguindo trabalhando com Games, dando aulas e fazendo cursos, Meister adquiriu uma identidade, alicerçada no conceitual, que se reflete hoje nas obras e projetos que desenvolve: “Me estabeleci ao momento que minha maturidade encontrou minha técnica”, conclui.

Quanto às referências artísticas, várias linguagens convergem na essência de Andre Meister, que cita como influências “Pintores clássicos como John Singer Sargent, Alfons Mucha, Giovanni Boldini, Goya, Van Gogh, Bouguereau, Caravaggio”, e “Ilustradores como Howard Pyle, N C Wyeth, JC Leyendecker, Norman Rockwell e artistas atuais como Darek Zabrocki, Bobby Chiu, Iain McCaig, Kim Jung Gi, Yoshihiro Togashi, Yoji Shinkawa, Ashley Wood, Zdzisław Beksiński”. No campo musical, a gama é igualmente ampla: “Ghost, Ozzy Osbourne, Type O Negative, The 69 Eyes, Iron Maiden, Semblant, Michael Jackson, Queen, Annie Lennox, Guns N Roses”, indo desde o Rock e Metal a outros estilos como o Blues, MPB e Pop: “É tanta coisa que é impossível colocar numa lista”, finaliza.

Entre outros trabalhos com capas de álbuns, Meister trabalhou com bandas como os paulistas da Inluzt, além de ANTRVM e StarForsaken, trabalhos que verão a luz do dia muito em breve.

Conheça o trabalho de Andre Meister: https://www.andremeister.com.

Foto: divulgação

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