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AS THE PALACES BURN: Colhendo os frutos de 2019 e encarando os desafios de 2020

Por Alessandro Bonassoli

Quando lançaram End´evour, em agosto de 2019, os integrantes do As The Palaces Burn não imaginavam que seriam indicados para a tradicional escolha de “Melhores do Ano” que a ROADIE CREW abre a cada mês de dezembro para votação de seus leitores. Mas o fato não causa surpresa a quem acompanha a cena catarinense de metal, já que Alyson Garcia (vocal), Diego Bittencourt (guitarra), André Schneider (baixo) e Gilson Naspolini (bateria) vêm de grupos como Symbolica, Enforcer e Mundo Analógico. Com base em Criciúma (SC), eles trazem mais detalhes sobre a estreia e seus próximos desafios.

Como está sendo a repercussão de End´evour no Brasil e no exterior?

Bittencourt: Desde o lançamento a repercussão tem sido muito positiva e há uma boa aceitação do trabalho. Hoje conseguimos ter uma ideia mais ampla através da ferramenta para os artistas do Spotify. Com ela conseguimos ter muitas informações e estatísticas, como números de ouvintes, plays, faixa etária e países em que nossa música alcançou. E ficamos impressionados com os números, não imaginávamos que nossa música chegaria tão longe. [Somente Arcanum teve 4,2 mil streams no último dia 4 de outubro, enquanto no geral o grupo alcançou 56 países, incluindo Finlândia, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Dinamarca, Noruega, Alemanha e Itália, entre outros, de acordo com a plataforma].

Algumas faixas deste álbum você já estava preparando para integrar o próximo trabalho do Symbolica, cuja história se encerrou em função da incompatibilidade de agenda dos integrantes. Quais são? Foi necessário fazer muitas alterações para as versões gravadas pelo As The Palaces Burn?

Bittencourt: The Devil´s Hand foi a primeira que compus para o suposto segundo disco do Symbolica e em seguida veio I Tried. Foram feitas pouquíssimas alterações referentes à parte instrumental. Quanto aos vocais, foram reformuladas praticamente todas as linhas iniciais, visto que Alyson e Gus [Monsanto, que integrava o Symbolica] são cantores com estilos bem distintos. O resultado final com a voz do Alyson intercalando com os vocais guturais que ficam ao meu cargo, foram muito satisfatórios.

Falando nisso, como é o processo de composição do As The Palaces Burn?

Bittencourt: O processo de composição para esse disco foi algo bem dinâmico. Além das duas músicas citadas anteriormente, eu vinha compondo mais para a o álbum End´evour. Reunidos, montamos um plano, elencamos prazo para entrega das músicas. Isso gerou um grau desafiador de comprometimento com o trabalho, surgindo assim uma nova maneira de trabalhar. Tínhamos a estrutura de cada faixa definida e, a partir disso, cada integrante seguiu aperfeiçoando, trazendo novas ideias e colocando o seu “tempero”. Com esta fórmula de composição aliada à sincronia da banda, obtivemos um resultado relativamente rápido em curto espaço de tempo. Importante frisar também que a produção do álbum ficou a cargo do próprio grupo.

Naspolini: Realmente, o fato de termos nos autoproduzido ajudou muito no processo. Otimizamos bastante as gravações a ponto de  em um mesmo dia, os baixos estarem sendo gravados no home studio do Diego enquanto eu produzia e gravava os vocais junto ao Alyson no meu estúdio, onde também foram captadas as baterias. Mas voltando nas composições, tivemos alguns momentos de troca de ideias muito interessantes. Para citar um exemplo, na faixa Arcanum um groove bem truncado que serve de entrada para a sessão do solo, veio de uma ideia de bateria que criei muitos anos atrás e estava engavetada. Passei para o Diego e se tornou um riff muito marcante, que também encerra a música. Ainda tive o prazer de criar passagens no piano que estão presentes em diversos momentos do disco, algo que fiquei muito feliz de poder contribuir, já que não é meu instrumento principal.

Garcia: Em se tratando dos vocais, eu tinha a missão de ser o “porta voz” desse trabalho. Com isso me ative a criar uma identidade vocal marcante e madura, baseada em versatilidade nas interpretações e o uso de timbres e drives específicos, elementos que proporcionaram uma ênfase nas vocalizações intrincadas que as composições exigiam.

Eu vejo o As The Palaces Burn com muita influência de Nevermore. Estou correto? Caso não, quem são os modelos que vocês têm como “linha mestra” para compor?

Bittencourt: Existe influência sim, assim como de outras bandas, mas não procuro me espelhar muito nesse tipo de comparação. Geralmente tudo parte de um simples riff, em tudo que crio costumo imaginar uma batida, uma levada, e vou montando o esboço da ideia, formando parte por parte da música, sempre mapeando.

Naspolini: Chega a ser engraçado, pois temos influências distintas, individualmente falando. Posso gostar de bandas que os demais aqui passariam longe! (risos). Mas quando estamos compondo, nos despimos de rótulos e tentamos filtrar aquilo que soaria bem para nós, como conjunto, como um todo; e focamos naquilo que cairia bem para cada um de nós em seus respectivos instrumentos e modo de tocar.

Falando em “rótulos”, se fosse para utilizar um qual vocês seguem? Eu noto essa mistura de Nevermore, com influências de thrash mais técnico, além das raízes do metal tradicional. Mas alguns vocais mais agressivos demonstram que metalcore também é fonte. É isso mesmo?

Bittencourt: Acho difícil rotular nosso som, fazemos heavy metal. Deixamos a cargo do ouvinte essa definição. O fato é que nosso som pode surpreender, existe essa mistura bem intencionada que na medida certa é o que faz a diferença.

Schneider: Como você mesmo citou, esses quatro estilos diferentes interagem entre si. Acho que nosso som deriva muito disso, com uma modernidade singular que talvez seja o ingrediente mais importante.

Garcia: Somos músicos amantes do metal. A bagagem individual diversa, aliada a fusão de novas ideias, possibilitou a concepção de End’evour, um álbum que é provido de características provenientes do heavy metal tradicional, do thrash metal e do prog metal. O equilíbrio de peso, melodia, ritmo e linhas vocais muito versáteis definem a sonoridade.

Na década de 1980 e no início da década seguinte as bandas de Santa Catarina tinham extrema dificuldade para se integrar na cena brasileira. Hoje, com as facilidades da Internet pode se dizer que isso mudou. Mas mudou o suficiente ou ainda somos um estado muito distante dos grandes centros da música pesada nacional?

Bittencourt: Temos e sempre tivemos excelentes músicos e bandas. Uma pena não vermos algumas bandas na ativa atualmente. O metal catarinense joga de igual pra igual com qualquer outro estado do nosso país.

Garcia: Ouvimos muitas vezes que a cena tem suas dificuldades, que não se tem apoio, que é difícil ter espaço e oportunidade. Inclusive nos indagam muitas vezes como conseguimos em tão pouco tempo conquistar tais resultados. É visto que atualmente há um número muito maior de bandas e músicos que nas décadas passadas. Isso equivale a uma maior concorrência no mercado do metal, que tem seu nicho bem definido. É fundamental que nós, os artistas tenhamos o principal papel de trazer cada vez mais qualidade, inovação e organização em prol de fazer a coisa acontecer. Seja buscando patrocínios, promovendo eventos e trabalhando com estratégia para levar a sua música onde se almeja.

Santa Catarina é um estado que, apesar dos fatores citados acima, tem uma tradição com um número até que razoável de festivais underground. Qual a importância de eventos como, por exemplo, Armagedon Metal Fest ( realizado na cidade de Joinville) e Otacílio Rock Festival (que acontece em Otacílio Costa) para a cena local?

Garcia: Iniciar o ano divulgando o álbum de estreia num festival representativo como o OTA, além de ser importante para o As The Palaces Burn, demonstra que Santa Catarina está viva na cena. Nos tocamos em 2019 em outros estados e podemos afirmar que, mesmo em grandes centros do país, existem dificuldades de ter casas de shows e realizar eventos direcionados a música pesada.

Schneider: Esses festivais, entre outros, são de suma importância, pois é o que mantém a cena viva e ativa. Eventos como esses conseguem reunir todo um estado, além de bandas de fora. É possível mostrar o trabalho que foi desenvolvido, abrindo portas para que o mesmo seja difundido ao vivo.

Viver do metal no Brasil é coisa para duas, talvez três bandas atualmente. O que os integrantes do As The Palaces Burn fazem para poder bancar este sonho?

Garcia: Tivemos a iniciativa de buscar patrocínios, algo que nos proporcionou um suporte importante para investir em produtos de marketing, assessórios, confecção de videoclipe e gastos diversos. Além de investirmos na divulgação pelas mídias digitais, é importante ter uma postura profissional, valorizando a forma como se vende/divulga o seu produto. Além da música, eu atuo no ramo de arquitetura, Diego no ramo de TI, Gilson é músico e produtor musical e o André na área de administração.

Schneider: Como o Alyson citou acima, o processo de busca de patrocínios foi primordial para alavancar o projeto, o qual inclusive se pretende estender pelo ano de 2020 com novos apoiadores.  Eu costumo brincar que a parte musical dos integrantes fica em “segundo plano” – já que confiamos plenamente no talento individual de cada um –, algo que torna esse trabalho de bastidor muito importante. Existe uma divisão de funções, pois tratamos a banda como uma empresa cujo sucesso depende da atuação em todas as áreas.

Vocês já estão trabalhando no próximo álbum? Se sim, como está o andamento? Teremos outro cover?

Bittencourt: No momento tenho duas músicas prontas e estou trabalhando no conceito do novo trabalho. Há várias ideias. Pretendo levantar o máximo de material possível para montarmos a proposta. Já esta em nossa agenda o planejando de um retiro para trabalhar no novo álbum. Quanto ao cover, nada em mente por enquanto.

Falando nisso, como foi à escolha de Abigail [do homônimo álbum de King Diamond]?

Bittencourt: A ideia despertou com a intenção de gravar um clássico dos anos 80, algo que foi pouco explorado. Abigail foi unânime, visto que até hoje poucas bandas a gravaram.

Schneider: Além do que foi citado pelo Diego, tínhamos a intenção de gravar uma música com a qualidade que se pode explorar hoje, algo que não havia na época. Buscamos um tributo fiel a uma música dos anos 80 com o resultado sonoro que se pode alcançar nos dias atuais.

Garcia: Especialmente para mim essa escolha gerou um grande desafio, o objetivo era homenagear o mestre King Diamond e o resultado ficou demais!

Quais são as metas do As The Palaces Burn em 2020?

Bittencourt: Continuar com os trabalhos de divulgação de nosso disco de estreia, bem como manter a agenda de shows. Creio que aumentar nosso merchandising, com novos produtos. E trabalhar com calma no novo disco.

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