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BALA: CRU E RÍSPIDO COMO O ROCK’N’ROLL DEVERIA SER

Por Valtemir Amler

É de conhecimento geral, com o passar dos anos o rock foi se tornando algo tão amplo e com tantos subgêneros que é comum você ver bandas que vão daquelas que fazem questão de ser acompanhadas por uma orquestra no palco até projetos que não são mais do que uma única pessoa em frente ao seu computador pessoal. Nesse imenso espaço que se desenvolve entre os dois extremos é onde estão a maior parte das bandas, e não é de se estranhar, algumas das melhores delas. Baseando-se naquilo que é mais básico, fundamental e caro ao rock’n’roll, nasceu em 2014 na Espanha a Bala, uma banda que é uma prova viva de que o rock não precisa de muito mais do que energia, vibração e raiva para fazer música boa e vibrante. Contanto apenas com duas instrumentistas – Violeta (bateria e voz) e Anxela (guitarra e voz) – a Bala pega influências que vão do primitivismo do rock’n’roll clássico até a agressividade crua do hardcore punk oitentista, passando pelo metal de nomes lendários como Venom e Bathory e pelo rock alternativo dos anos 80 e 90, criando uma poderosa e vibrante aura em torno da sua música, que ora transcende ao stoner, ora ao grunge, tudo de forma linear e despretensiosa. “Eu não sei dizer exatamente como fazemos isso”, nos contou Violeta na entrevista que segue abaixo, “acho que é apenas o que acontece naturalmente quando começamos a tocar juntas”. Em seguida, ela arremata, “acho que simplesmente gostamos de música energética e rude, e não estamos dispostas a tocar uma música de que não gostamos”. Confira o que mais Violeta tem a nos contar sobre uma das melhores bandas espanholas da atualidade.

Sabemos que a cena metal é estável na Espanha há muitos anos, e o país tem um bom nome especialmente entre os fãs das sonoridades mais extremas. Mas, e quanto ao rock’n’roll, como são as coisas na Espanha?

Violeta Mosquera: Acho que posso dizer que temos uma cena muito boa no rock’n’roll, especialmente quanto ao rock autoral. Infelizmente as bandas daqui não costumam chamar tanta atenção quanto as bandas de outros países que acabam tendo mais tradição no cenário, você sabe, Estados Unidos, Inglaterra, mas isso nunca impediu os espanhóis de curtir e fazer música pesada. Claro que tudo seria mais fácil se as pessoas apoiassem mais as bandas autorais principiantes, e isso é algo um tanto difícil por aqui, acho que é assim em todos os lugares, quem está começando e fazendo a própria música parece que precisa remar em dobro para chegar em algum lugar.

Sim, mas acompanhamos pela internet apresentações gigantescas de rock e metal na Espanha, então, o público está lá.

Violeta: Sim, temos um público gigante para o rock e o metal na Espanha, mas ele está majoritariamente mais interessado nas bandas gigantes de fora do que naquelas locais que estão começando. E não vou ficar falando mal de ninguém porque acho que simplesmente é desse jeito que as coisas funcionam em todos os lugares, é a forma como as coisas são no rock’n’roll, certo? Essas bandas gigantes fizeram algo para estar lá, então, é até natural que tenha tantas pessoas querendo ouvir sua música.

Certo. A razão de ter começado com essas perguntas é que, pelo que ouvi, isso tem uma relação direta com a formação da Bala, correto?

Violeta: Sim, acho que somos resultado direto da cena em que estávamos e estamos ainda inseridas, sem dúvida. Bem, você sabe, tanto eu quanto Anxela gostamos basicamente do mesmo tipo de música, qualquer coisa que for rápido, pesado, intenso e cru, qualquer coisa assim geralmente vai nos agradar. Então, era bastante natural que acabássemos frequentando os mesmos shows, e cedo ou tarde acabaríamos nos conhecendo. Porém, a forma como as coisas aconteceram foi realmente interessante, pois não nos conhecemos como fãs frequentando as apresentações das nossas bandas favoritas, mas frequentando os shows umas das outras, se é que você me entende (risos).

Acho que sim, suponho que ambas estivessem em bandas previamente.

Violeta: Ambas tínhamos bandas antes, sempre estivemos envolvidas em vários projetos diferentes, e então um dia nos conhecemos. Na hora ficamos muito amigas, e começamos a frequentar shows, agora sim de outras bandas, juntas, como público mesmo. E sempre era muito divertido, sempre conversávamos muito sobre música, ambas sempre tínhamos muitas ideias e convicções bem fortes sobre música e como ela deveria soar, então foi natural que acabássemos nos unindo como uma banda.

Era a ideia original seguir como um duo?

Violeta: Acho que nenhuma de nós duas realmente limitou isso, do tipo sentar-se e dizer para a outra ‘ok, seremos só nós duas e mais ninguém’, mas foi assim que as coisas aconteceram. Acho que foi assim porque a cena musical pesada aqui na Galícia, onde vivemos, não é exatamente muito grande, e quando se fala em mulheres tocando, sinceramente não existem muitas opções. Não foi como se tivessem mil garotas querendo se juntar ao projeto, fizemos dessa maneira porque era assim que dava para fazer. Além disso, vejo que a forma como essa banda nasceu foi muito especial e espontânea, o típico nascimento de uma banda de rock’n’roll: Em um determinado dia, eu e Anxela estávamos tocando com nossas bandas antigas no mesmo local. Gostamos do trabalho uma da outra e nos divertimos tanto juntas a ponto de decidirmos que no futuro tentaríamos trabalhar juntas na nossa própria música. Foi assim que tudo começou, e não poderia ser mais rock’n’roll que isso. Quer dizer, não é assim que nasceram as bandas clássicas nos anos 70?

Sem dúvida, foi um início auspicioso. E também foi produtivo, pois começaram em 2014, e em 2015 já estavam lançando o primeiro álbum.

Violeta: Sim, aquele primeiro álbum foi realmente algo que foi criado muito rápido, e foi pensado para que fosse assim. Quer dizer, todo o Human Flesh foi principalmente um experimento, éramos nós tentando entender como soávamos juntas, apenas explodindo nos instrumentos e sem muito pensamento ou reflexão sobre as músicas, sabe? Estávamos tocando juntas há apenas alguns meses e queríamos gravar essas primeiras criações o mais rápido possível. Mas ainda não conhecíamos nosso som, estávamos tentando coisas, era a hora certa para isso. Hoje sabemos melhor o que queremos fazer, e o que queremos realmente fazer, e acho que vocês podem perceber isso desde o lançamento do segundo álbum.

Sim, Lume (2017) mantém a crueza típica do seu som, mas já soa mais como um álbum produzido por uma banda, refinado para que soe de uma maneira.

Violeta: Sim, isso está certo. E aquele foi um álbum muito representativo para nós, pois foi algo que nos colocou em um novo patamar, especialmente como banda ao vivo. Claro, depois da pandemia a gente percebe com muito mais clareza o quanto estar na estrada é legal, mas nós sempre fomos o tipo de banda que não nega um convite, se você nos chamar para tocar em um lugar, em qualquer birosca, nós vamos (risos gerais). Mas é isso mesmo, o que queremos é tocar ao vivo, esse tipo de música foi feito para tocar ao vivo! As gravadoras que me perdoem, mas sentar e ouvir o disco ou ficar na internet ouvindo em streaming não é nada comparado com a chance de assistir ao show da sua banda favorita no meio de outra galera que é tão alucinada quanto você por aquela banda, a vibração é outra, nem se compara! A mesma coisa é a emoção de compor, gravar, e então sair para tocar ao vivo. Todas as coisas são importantes, todas são etapas, mas nem preciso te dizer qual é a minha favorita. Então, o Lume nos deu todas essas chances de tocar, viajamos muito, tocamos fora, foi um período muito maluco! Para nós, aquele álbum trouxe uma sensação de sonho sendo realizado, pois estávamos realmente começando a colher os frutos que esperávamos de tocar em uma banda de rock, e foi sensacional. E aí teve a Covid (risos).

Bom, pelo menos não precisaram perder tempo, já emendaram com um novo álbum, Maleza (2021).

Violeta: Sim. Mas, a parte irônica disso é que sabíamos que precisávamos compor para o terceiro álbum, e nunca tínhamos tempo para isso, pois a agenda de shows estava tão acelerada. Bem, decidimos parar no final de 2018 e tomar o tempo para escrever o novo álbum, e fizemos isso. Passamos muito tempo escrevendo, e então fomos para o Ultramarinos Studios, na Catalunha, para gravar o Maleza. Estava tudo certo, nós superanimadas, músicas boas, o mesmo estúdio onde já havíamos gravado o Lume, tudo corria bem, então finalizamos o processo todo em novembro de 2019. Estava tudo certo e definido, em 2020 seria o nosso retorno triunfal para os palcos com um novo álbum de estúdio, e uau, nada aconteceu dessa maneira (risos). Mas, no fim das contas lançamos o álbum em 2021, e foi o nosso primeiro com a Century Media, o que é inacreditável.

Para finalizar, uma curiosidade: vocês optaram por cantar em inglês e espanhol. Existe uma razão para terem adotado ambas as línguas?

Violeta: Na verdade sim, não foi algo planejado, mas foi assim que aconteceu: Começamos cantando em inglês, pois essa era a língua das bandas que amávamos, nossos heróis cantavam em inglês. Depois, percebemos que as músicas em espanhol eram mais facilmente memorizadas pelos nossos fãs aqui na Espanha, o que fazia delas as que mais geravam interação nos shows ao vivo. Ficamos numa encruzilhada, o que fazer? Decidimos não escolher, simplesmente passamos a escrever em ambas as línguas (risos gerais).

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