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BIKINI KILL – São Paulo (SP)

14 de março de 2024 – Audio


Por Guilherme Góes
Fotos: Mila Maluhy

Ao longo da história do punk, vários grupos femininos desempenharam papéis cruciais no movimento. No entanto, poucos alcançaram a mesma relevância e impacto duradouro que o Bikini Kill. Formada em 1990 em Olympia, Washington, nos Estados Unidos, a banda foi pioneira no movimento riot grrrl, uma cultura inspirada no feminismo que emergiu nos anos 90. Sua influência transcendeu a música, moldando não apenas o som do hardcore punk, mas também inspirando inúmeras mulheres a desafiarem o status quo.

Após um show esgotado na semana retrasada, as integrantes do Bikini Kill retornaram ao palco da Audio na última quinta-feira (14). Assim sendo, o público paulistano teve a oportunidade de testemunhar novamente uma apresentação do lendário conjunto após mais de 30 anos de espera. Para a abertura, as bandas escaladas foram Weedra, Punho de Mahin e as igualmente icônicas Mercenárias – o primeiro grupo punk feminino brasileiro.

Garotas – e todes – no front
Diferentemente do show anterior, o evento não teve ingressos esgotados, mas mesmo assim, contou com uma procura significativa, resultando em um bom público logo após a abertura dos portões, que ocorreu pontualmente às 18h. Os primeiros presentes tiveram a oportunidade de explorar a barraca de merchandising e tirar fotos no banner oficial da turnê. No entanto, o destaque principal foi a pauta de conscientização presente no local. Cartazes foram estrategicamente colocados em diferentes pontos do clube, abordando temas como a luta LGBTQIA+ e o combate à opressão feminina.


Além disso, a organização fez questão de garantir que o público se sentisse seguro, promovendo mensagens sobre a importância de denunciar qualquer forma de importunação sexual e disponibilizando recursos de segurança. Igualmente, os fãs foram informados que uma parte da arrecadação dos ingressos de ambas as apresentações será destinada à instituição Girls Rock Camp Brasil, que promove o empoderamento feminino por meio da música. Já os alimentos entregues na compra da meia entrada social — disponível para todos — serão doados para as aldeias Tekoá Pindo Mirim & Tekoa Itakupé, da Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo.

A abertura da noite foi marcada pela performance do trio paulista Weedra. Composta por integrantes dos grupos Wee e Hidra, a banda Queer entregou um repertório diversificado, mesclando músicas de ambos os projetos e apresentando um emocionante cover do The Hats em homenagem à falecida Cherry Taketani, uma figura icônica do cenário heavy metal nacional. No entanto, houve um momento de melancolia quando o grupo anunciou o encerramento de suas atividades, deixando um legado de música e diversidade que será lembrado com carinho pelos fãs.

Em seguida, foi a vez do Punho De Mahin tomar conta do palco. Desde o início, a mensagem central da banda ficou evidente: a luta contra o racismo e a promoção da conscientização cultural. Natália Matos iniciou o set declamando um poema sobre o povo Xingu, seguido pela execução da faixa que leva o nome dessa população tradicional. Entre as músicas do disco “Embate de ancestralidade”, como “Dandara” e “Navio Negreiro”, e os discursos politizados, o quarteto entregou um show rico em narrativas históricas e culturais.

Encerrando o bloco de atrações nacionais, outro nome emblemático da cena alternativa nacional subiu ao palco – As Mercenárias, o primeiro conjunto punk brasileiro composto majoritariamente por mulheres. Com uma formação única, destacando Bibiana Graeff e Mayla Goerish (Anvil FX) que forneceram um suporte sólido, a banda entregou uma sequência de músicas marcantes, incluindo os clássicos “Há Dez Anos Passados”, “Polícia” e “Labirintos”. Apesar da interação limitada com o público, as meninas proporcionaram uma atmosfera vibrante. Como efeito visual, utilizaram o mesmo jogo de iluminação que foi exibido durante a apresentação com o L7, em outubro do ano passado. O show serviu perfeitamente para aquecer o evento, destacando sua proposta única e a importância simbólica como atração principal da noite.

O show das Mercenárias encerrou uma hora mais cedo do que o previsto. Como complemento, uma discotecagem tomou conta do ambiente, destacando a importância das mulheres na música, desde faixas do grupo de Olympia Bratmobile até o pop de Marina Lima.


Alguns minutos após às 22h, as luzes se apagaram e as quatro integrantes do icônico grupo riot grrrl surgiram uma a uma no cenário. “Nos divertimos tanto que tivemos que voltar”, comentou Kathleen Hanna. Em seguida, a vocalista anunciou: “We’re Bikini Kill and we want revolution Girl-style now”, iniciando o set com “Double Dare Ya”, levando o público à loucura. Sem pausas para deixar os fãs descansarem, seguiram com “Carnival”, outro clássico da carreira.

Após a introdução épica, veio “New Radio”. Com apenas alguns segundos de execução, Kathleen pediu para parar o som e solicitou mais reação dos fãs, pois aquela era sua música favorita. A plateia atendeu ao pedido da vocalista, cantando o mais alto possível. Animada com a resposta, Kathleen saiu dançando pelo palco em “Jigsaw Youth”, exibindo vigor e uma voz potente, fiel às gravações originais. Em “Feels Blind”, o grande destaque foi o som poderoso da baixista Kathi Wilcox, que dominou o clube com um ritmo hipnotizante.



Em seguida, as integrantes realizaram a primeira troca de instrumentos, com Tobi Vail assumindo como vocalista, Sara Landeau nas baquetas e Kathi Wilcox na guitarra, enquanto Kathleen assumia o baixo. Nesta formação, a banda tocou “I Hate Danger” e “In Accordance to Natural Law”. Retornando à formação normal, o show seguiu com “Demi Rep”, “Reject All American”, “Alien She” e “No Backrub”.

Depois, mais uma troca na formação, com Landeau nas guitarras e Wilcox na bateria em “Hamster Baby” e “Tell Me So”. De volta ao line up normal, veio “This is Not a Test”, com o público realizando crowdsurfing. A farra continuou em “Capri Pants”, com direito até mesmo a mosh pits.



Realizando mais uma mudança, Vail foi à linha de frente pela última vez na noite e comandou “For Only” e “Distinct Complicity”. Novamente na linha de frente para a parte final do repertório, Hanna comandou “Don’t Need You” e “Suck My Left One”, encerrando o set regular.

Após um breve bis, as garotas retornaram ao palco e mandaram “Rebel Girl”, um verdadeiro hino do movimento riot, levando a casa abaixo e encerrando o evento histórico com chave de ouro.



O show do Bikini Kill foi muito mais do que uma simples apresentação musical; foi um marco histórico para a música de mensagem feminista. Ao longo da noite, o evento não apenas entregou uma performance enérgica e poderosa, mas também promoveu a pauta LGBTQIA+ de forma inclusiva. Sem dúvida, uma celebração que ficará marcada na história do underground paulistano como um momento emblemático de resistência e celebração da diversidade na cena musical.

Setlist:
Double Dare Ya
Carnival
New Radio
Jigsaw Youth
Feels Blind
I Hate Danger
In Accordance to Natural Law
Demi Rep
Reject All American
Alien She
No Backrub
Sugar
Hamster Baby
Tell Me So
This Is Not a Test
Capri Pants
I Like Fucking
Rah! Rah! Replica
For Tammy Rae
For Only
Distinct Complicity
Don’t Need You
Suck My Left One
Bis:
Rebel Girl

* Agradecimento especial – Igor Miranda Música e Jornalismo, cuja resenha serviu como fonte para o texto da apresentação da Weedra.


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