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BILLY SHEEHAN – 27 de outubro de 2019 – São Paulo/SP

Manifesto Bar (São Paulo)

Por Nelson Souza Lima

Billy Sheehan fez o esperado e deixou todo mundo boquiaberto e de queixo caído. Não era para ser diferente, pois o americano, de Bufallo/NY, é um dos maiores baixistas da história e o que ele faz é inacreditável. Praticamente Sheehan e o contrabaixo são uma coisa só. Poderia ficar horas elogiando-o e gastando adjetivos, mas o fato é que talentoso seria o mínimo para descrevê-lo. No último domingo (27), o músico fez uma grande Master Class seguida de pocket show e o bom público que compareceu ao Manifesto Bar saiu satisfeito. Foram quase duas horas demonstrando  simpatia e técnica, evidenciando o quanto  é dedicado ao  instrumento.  São 66 anos de idade, 54 deles na música, tocando com Talas, David Lee Roth, Mr. Big, Sons Of Apollo, The Winery Dogs, entre outros trabalhos.

Por volta das 20h30 o baixista entrou no palco do Manifesto Bar ovacionado pelos fãs. Saudou o público e, “armado” do seu contrabaixo azul claro, mandou um solo como cartão de visita. Ele mostrou a que veio detonando hammer on, taping, acordes, bicordes, inverteu as mãos… Enfim, brincou com o instrumento.

Em seguida deu um “boa noite”, em português, já alertando que não falava praticamente nada do nosso idioma. Então, deu início ao bate-papo com a galera. Para ajudar na comunicação, o músico Fábio Nogg serviu de intérprete. Sheehan já brincou de saída, dizendo que Nogg era o que tinha encontrado de melhor para ser o tradutor. Ao abrir a rodada para a galera, todo mundo tinha coisas para perguntar ao baixista.  Sobre suas mais de cinco décadas na música, Sheehan disse que o primeiro concerto foi logo com Jimi Hendrix, para espanto do público. Declarou que fez mais de 5 mil shows e percorreu em torno de 5 milhões de milhas em suas viagens ao redor do mundo. Acrescentou que sua experiência como baixista é para ajudar os músicos, pois adora contribuir para o sucesso dos outros.

Um fã perguntou “qual foi a melhor e a pior decisão que tomou na vida” e ele não titubeou em dizer que a melhor foi viajar a Los Angeles e aceitar o pedido de David Lee Roth para formar a banda que fez enorme sucesso nos anos 1980. Lembrando que o supergrupo trazia Steve Vai na guitarra e Gregg Bissonette na bateria. Sheehan lembrou como foi a escolha de Bissonette para integrar o grupo, recordando que colocaram um anúncio no jornal, mas não disseram para qual banda era. Mais de 50 candidatos apareceram, mas quando viram Bissonette já sabiam que era ele o cara que deveria empunhar as baquetas. Puro feeling musical. No entanto, quanto à sua pior decisão, Sheehan preferiu não revelar.

Um dos momentos mais legais foi quando Adilson Oliveira perguntou se Sheehan nunca tinha deixado um fã tocar seu contrabaixo. De pronto, o baixista chamou-o ao palco e jogou o baixo em suas mãos – Adilson mandou bem, fez um hammer on bacanudo e, em seguida, reverenciou, agradeceu e abraçou Sheehan. Mais um ponto para o americano, que tinha a plateia em mãos.

Uma fã perguntou por que ele tinha escolhido São Paulo para o Master Class. A resposta foi que ele não sabia que seria a capital paulista, pois têm outras pessoas que gerenciam a agenda dele. Porém, declarou que ficou muito feliz por ser São Paulo, já que adora o Brasil. E disse, ainda, que nestas suas experiências em vários países interrompeu um confronto entre duas tribos rivais na Índia, pois todos queriam vê-lo tocar. É, o cara é mago mesmo…

Perguntado sobre baixistas, teceu elogios para os extraordinários John Entwistle, John Paul Jones e Stanley Clarke, mas confessou que seu herói nas quatro cordas foi Jack Bruce, revelando que uma vez passaram um dia todo juntos tocando, conversando e posaram para a capa da revista Guitar Magazine.

Apesar de conhecer guitarristas, tecladistas e baixistas fantásticos, o melhor músico do mundo em sua opinião é o baterista americano Dennis Chambers, por sua incrível noção de tempo. Sheehan alertou que todos os membros de uma banda deveriam se sentar na bateria e tentar adquirir técnicas de tempo, pois o baterista é o mais importante do grupo.

Entre tantos músicos com quem tocou só sente não ter podido trabalhar com o espanhol Paco de Lucía, falecido em fevereiro de 2014. Enfim, após quase uma hora de bate-papo, Sheehan chamou sua banda de apoio, formada pelo guitarrista Fares Júnior, da banda Ronaldo e Os Impedidos, e o baterista Ricardo Confessori (Angra, Shaman, Viper, Korzus e outros) para um pocket show irado.

Sempre bem humorado, o americano disse para as pessoas ficarem atentas às saídas de emergência, pois ia se arriscar cantando. E, olha, pode-se dizer que não decepcionou no vocal. Mandaram uma versão porrada de Breaking The Law, do Judas Priest.

Em seguida uma instrumental do disco solo, muito bem levada por Fares e Confessori. Tocaram, ainda, uma que quase ninguém toca: Smoke on the Water, do Deep Purple. O baixo de Sheehan tem um som fantástico, feito especialmente para ele, equilibrando graves e agudos – é, as músicas ficam completas e sem falhas com esse contrabaixo.

Mais uma instrumental de Sheehan, para o grande final com Fábio Nogg no vocal detonando Wrathchild, do Iron Maiden. E o cara ainda terminou a noite atendendo os fãs para autógrafos, fotos e trocar ideia com todos – gente fina ao extremo. Que possa voltar muitas outras vezes!

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