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Live Evil

BLAZE BAYLEY

Teatro Odisseia - Rio de Janeiro/RJ, 05 de fevereiro de 2015

“O prefeito do Rio de Janeiro disse que um ciclone estava vindo para a cidade, por isso era perigoso ir para o show do Blaze Bayley. Deixou todo mundo com medo. Foda-se ele. Meus fãs são malucos.” Não chega a esse ponto, mas é fato que, diante do alarde feito por Eduardo Paes, mas sem direito a ciclone, aqueles que arriscaram sair de casa são corajosos. Em uma cidade que não tem nada de maravilhosa quando chove forte, em um bairro – a Lapa – que sofre com alagamentos quando o céu desabafa –, a expectativa de uma tempestade era motivo suficiente para (quase) ninguém sair de casa. Foi até mesmo razão de muitas empresas liberarem seus funcionários no meio da tarde. Resultado: depois de uma chuva passageira, trânsito tranquilo à noite e não mais do que 50 pessoas no Teatro Odisseia para ver o ex-vocalista do Iron Maiden.

Nada que o desmotivasse, uma vez que parecia estar à frente de 500 pessoas (a lotação da casa) – antes, para um público relativamente menor, o violonista Thomas Zwijsen apresentou o seu Nylon Maiden, ou quase. O belga, que gravou com o vocalista o álbum “The King Of Metal” (2012), mandou até mesmo “Highway Star”, do Deep Purple, em meio a versões de “The Trooper”, “The Evil That Men Do” e outros clássicos da Donzela. O garoto esbanja talento, e o trabalho é interessante, mas na medida certa até uns 30, 40 minutos. Depois, difícil negar que ficaria cansativo. Voltando à atração principal da noite, Bayley fez jus a algumas observações antigas deste que vos escreve. Parte delas óbvias, diga-se.

A começar pela diferença que é ouvi-lo cantar as próprias músicas, não as do Iron Maiden que não foram feitas para ele – minha primeira experiência, no Monsters Of Rock de 1996, não foi das mais agradáveis. “Voices From The Past”, “Brave” e “The Launch”, que foram o ponto de partida do show, ratificam que o Heavy Metal mais direto, menos intrincado e épico recebe melhor a voz de Bayley. “Wrathchild” foi a primeira amostra do catálogo de seu ex-grupo – e uma surpresa, na verdade, pois entrou no lugar de “Speed Of Light” – e abriu caminho para um set que priorizou o Blaze, especialmente o álbum “Silicon Messiah” (2000), e a Donzela.

Acompanhado dos brasileiros do Tailgunners – os competentes Lely Biscassee Raphael Gazal (guitarras), Lennon Biscasse (baixo) e Gustavo Franceschet (bateria) –, o vocalista mostrou que a vida musical fora do Maiden merece uma conferida. “Stare At The Sun”, “Ghost In The Machine”, “Kill & Destroy” e “Soundtrack Of My Life”, por exemplo, não vão mudar o mundo, nem mesmo o rumo do som pesado, mas valem a audição. E se o público era pequeno, era também de admiradores.Diante de todas as circunstâncias, quem estava lá não foi movido pelo curiosidade de ver um ex-Iron Maiden. Todas as letras estavam na ponta da língua, mas é claro que não dá para espantar o fantasma da Donzela.

“When Two Worlds Collide”, “Futureal” e “The Clansman” foram recebidas com grande entusiasmo. Além disso, reforçaram a minha opinião de que “Virtual XI” é muito melhor que “The X Factor” – não que os dois discos sejam grande coisa, porque não são.Mas o último trabalho com Bayley seria mais palatável se as guitarras não soassem como aquelas tonantes da Giannini. Mesmo “Como Estais Amigos”, que substituiu “Sign Of The Cross” no set, e “Virus” tiveram brilho próprio.

Abraçado à sombra do Iron Maiden, Bayley voltou para o bis com “Fear Of The Dark” e “Man On The Edge”, que causaram uma catarse desproporcional ao tamanho do público, mas… Olha, “Fear Of The Dark” é mesmo funcional. Não à toa um garoto à minha frente passou toda a música tocando uma guitarra imaginária como se estivesse tendo uma convulsão, acompanhado por uma menina que dançava sensualmente (nem tanto, nem tanto…) sem sincronia alguma com o som que saía dos alto-falantes. “Fear Of The Dark” causa mesmo uma comoção, mas não dá mais. Nem “Stairway To Heaven” e “Smoke On The Water” saturam tanto – bom, até porque estas não parecem canções feitas por um grupo de adolescentes que acabou de ganhar seus instrumentos e compôs a sua primeira música. Com o perdão da sinceridade.

Ao fim da apresentação, Bayley atendeu pacientemente a todos com fotos e autógrafos – o que não foi um problema diante de poucagente – antes de trocar algumas palavras com a ROADIE CREW. E resumiu a noite com um misto de agradecimento e frustração. “Eu tenho de valorizar meus fãs, estes que vieram depois de o prefeito ter pedido para as pessoas não saírem de casa. Por isso digo que meus fãs são os melhores, porque é muito bom saber que há alguém curtindo a minha música, seja na situação que for. Mas eu não toco mais no Rio de Janeiro nesta época do ano, no verão carioca, porque não dá para correr esse risco de novo”, disse o vocalista, referindo-se ao show em janeiro de 2013, num dia em que a chuva também afastou o público. “Eu não quero lotar arenas, não lamento não estar tocando em lugares maiores. O que eu quero é lotar este lugar.” Apagada as luzes, Bayley, com mochila nas costas e mala na mão, seguiu tranquilamente pela Mem de Sá, tradicional rua da Lapa, até entrar num bar para comer algo e beber algumas. Gente como a gente.

Setlist
1. Voices From The Past
2. The Brave
3. The Launch
4. Wrathchild
5. Stare At The Sun
6. When Two Worlds Collide
7. Futureal
8. Silicon Messiah
9. Ghost In The Machine
10. Kill & Destroy
11. Como Estais Amigos(era Sign Of The Cross)
12. Virus
13. The Clansman
14. Soundtrack Of My Life
15. 10 Seconds
Bis
16. Fear Of The Dark
17. Man On The Edge

 

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