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BLOOD OCEAN: RENOVANDO O THRASH METAL


Por Daniel Agapito

Nascido das cinzas do Menace, ativo na década de 80, o Blood Ocean apresentou no final do ano passado o álbum de estreia, “Sublime Apocalypse”. O objetivo de resgatar todas as características do thrash teutônico e da Bay Area e atualizá-lo com uma roupagem mais moderna foi atingido e o trabalho foi elogiado tanto por críticos quanto por fãs. Tivemos a oportunidade de conversar com Júnior Zeni, membro-fundador do Blood Ocean e do Menace.

A formação da banda se deu com a regravação da demo “Into The Realm Of Chaos” (1989), do Menace, mas como surgiu o Blood Ocean?
Júnior Zeni: Em 2022, durante as regravações da demo do Menace de 1989, “Into the Realm of Chaos”, reencontrei Douglas Perez, daquela formação, e imediatamente após o lançamento do disco do Menace começamos a compor para um projeto, que virou o Blood Ocean. Um mês depois convidamos Marcão Melloni, que aceitou o convite, e terminamos aquele ano com metade das demos do disco gravadas. Foi bem rápido.

Como diriam que evoluíram como músicos e como pessoas desde o final do Menace?
Júnior
: Como músicos, evoluímos muito, principalmente durante o período da pandemia, gravando colaborações, estudando mais e, principalmente, tocando e ouvindo muitos estilos diferentes. Como pessoas, particularmente, posso dizer que aproveitei as situações totalmente desfavoráveis de um cenário pandêmico para aprendizado.

A sonoridade mistura elementos de metalcore com o thrash tradicional. Como chegaram nesta fusão?
Júnior
: Foi muito natural, porque todas as músicas vieram de riffs de guitarra, para depois, o Marcão colocar com total liberdade, os arranjos de bateria. E eu adoro essa mescla de thrash oitentista (tanto americano como europeu), com bandas mais “modernas”, com afinações mais baixas, construções diferentes das estruturas das músicas. Eu adoro isso.

Ultimamente algumas outras bandas vêm aparecendo com uma proposta semelhante, de trazer de volta a essência do thrash tradicional. Percebe alguma razão por este movimento?
Júnior
: Ah, respondo essa como fã que presenciou a cena dos anos 80 e início dos anos 90 e já tinha banda. Não existirão mais bandas como Slayer, Exodus, Metallica, Testament, Kreator, Destruction, Pantera, etc. Não me entenda mal, existem excelentes bandas, mas o impacto e a relevância dessas que citei trazem esse legado atemporal.

Qual foi o impacto do baterista e amigo de longa data Marcão Melloni (Dead Fish, ex-Ação Direta) nas composições da banda?
Júnior
: Cara, tocar novamente com o Marcão foi uma surpresa mais do que agradável. O cara, além ser um monstro tocando bateria, é meu brother desde adolescente, inclusive tocou no Menace comigo por sete anos. Eu passava uma guia de guitarra para ele, e depois de dois dias, no máximo voltava a guia de bateria, e o cara destruiu em todas.

Vocês disseram que “têm como temática o meio ambiente, a ação destrutiva do homem no planeta e experiências pessoais que possam motivar a quem se conecta com um mundo melhor”. Poderia elaborar um pouco mais sobre os temas que são abordados em suas composições?
Júnior
: Nós nunca tivemos a pretensão de reinventar a roda, nem musicalmente e liricamente. Esse tema sobre a degradação do meio ambiente, maus tratos aos animais, tem uma conexão com o nome Blood Ocean, e a letra de Bleeding Ocean retrata perfeitamente isso e sobre o que o tal do “ser humano” faz com a natureza. Isso me deixa puto. Mas também tem algo introspectivo em Poison Soul, Pain, a referência ao poema “O Corvo” em Dew Scent, enfim tem uma variação de temas. Se alguém se sentir conectado com essas posições positivamente, ou com o depoimento de Pain e o chamado de Starts With You, acho muito legal.

Seguindo nesta linha, qual a sua percepção do impacto do metal como agente motivador e disseminador de mensagens?
Júnior
: Eu acho muito massa perceber o cuidado que muitas bandas da cena do metal têm, como forma de abordar, não só sobre o meio ambiente, mas sobre comportamento humano, socioeconômico, e tratar de temas delicados, como depressão, ansiedade, vícios, superações pessoais. Não adianta uma banda fazer um puta som e só falar merda (risos).

Por extensão, como diria que o estado atual do mundo afeta o processo de criação das letras?
Júnior
: Diretamente! Num mundo em que a informação, principalmente pela internet, chega com som e imagens irrefutáveis em minutos, ninguém mais precisa de falsos profetas ou “lacradores” para encher nossa cabeça de bobagens. Eu encaro isso de maneira bem positiva. De negativo, observando o comportamento e ações das pessoas, pode-se realmente concluir que nunca devemos subestimar a estupidez humana.

O debut “Sublime Apocalypse” teve uma boa repercussão pelo Brasil inteiro. Qual foi a reação da banda?
Júnior
: Está sendo incrível! A gente iniciou querendo fazer um álbum de thrash com influências mais modernas, muito honesto, mesclando nossas influências, pesado, bem executado, bem produzido, totalmente independente e, honestamente, ele superou demais nossas expectativas. Recebemos muitas mensagens de apoio, de pessoas curtindo. Nossas músicas tocaram no Brasil, Argentina, Portugal e Grécia e fizemos um show de lançamento junto com a banda DownHatta, no Rising Power Studio aqui no ABC paulista, que repercutiu bem demais. Só temos que agradecer!

Quais os planos para o futuro da banda?
Júnior
: Em janeiro deste ano, o Douglas Perez se desligou da banda por motivos pessoais, e a formação está com Anderson Mattiello (baixo), Ricardo Viola (vocais), Marcão Melloni (bateria) e eu na guitarra. Enquanto divulgamos o debut, já temos pré-produção de 12 faixas novas e, com certeza, lançaremos o segundo disco do Blood Ocean até o final de 2024. Posso garantir que vai ser mais brutal que o primeiro. Faremos alguns shows bem pontuais, para não rolar conflito com a agenda do Marcão e o Dead Fish. E talvez alguns singles durante o ano.

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