BRIAN MAY expõe angústia com a sociedade atual e admite perder o sono com os rumos da humanidade

Guitarrista também resgatou uma gravação inédita composta antes da formação do Queen, que deverá ser lançada este ano

Conhecido por compartilhar mensagens otimistas a cada virada de calendário, Brian May reconheceu que o cenário global tem tornado esse exercício cada vez mais difícil. Em entrevista à Radio Times, o guitarrista do Queen afirmou que a maneira como a humanidade tem se comportado o afeta de forma profunda, a ponto de interferir em sua rotina pessoal. “Eu me sinto desanimado com o mundo dos humanos”, confessou. “Isso me mantém acordado à noite.”

Ao explicar as razões desse sentimento, May apontou para aspectos que considera alarmantes no comportamento coletivo. “A crueldade, a ignorância, as mentiras, a reescrita da história”, enumerou, deixando claro que, para ele, esses fatores ajudam a criar um ambiente cada vez mais hostil. Na visão do músico, esse cenário entra em choque direto com valores que deveriam ser cultivados por meio da cultura. “Acho que a compreensão e o amor pela arte e pela música tornam impossível ser o tipo de pessoa que quer sair por aí sendo cruel com os outros”, refletiu.

O guitarrista também demonstrou incômodo com a naturalização do sofrimento alheio. Para ele, a humanidade parece ter perdido a sensibilidade diante da dor coletiva. “Existe tanto sofrimento no mundo”, observou, antes de questionar: “Por que iríamos querer acrescentar mais?” Em seguida, May destacou o que considera uma das maiores falhas do tempo atual: a incapacidade de diálogo. “Nós perdemos a habilidade de discutir as coisas e respeitar o ponto de vista das outras pessoas”, afirmou, classificando o cenário como “uma polarização horrenda”.

Mesmo em meio a esse discurso crítico, Brian May segue mantendo contato frequente com os fãs e revisitando diferentes fases de sua trajetória. No dia 22 de dezembro, durante participação em um programa da Planet Rock, o músico apresentou uma gravação rara ligada aos primeiros anos de sua carreira, muito antes da consolidação do Queen.

Ao comentar a escolha do material, ele admitiu que a decisão poderia surpreender. “Minha escolha final provavelmente vai confundir vocês”, disse. Segundo Brian May, a canção tem uma longa história e versões pouco conhecidas. “Talvez vocês já tenham ouvido algo parecido em uma versão meio bootleg do Smile, explicou, antes de ressaltar: “Mas, até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão, que ainda é um trabalho em andamento.”

O guitarrista revelou ainda que a faixa deverá integrar uma futura reedição do álbum Queen II. “Ela vai aparecer nessa nova reedição no ano que vem”, comentou, justificando a exibição antecipada pela curiosidade em ouvir a reação do público. “Eu só queria muito saber o que as pessoas acham disso”, acrescentou. Ao final, Brian May destacou a origem distante da composição: “É uma música muito, muito antiga, chamada Polar Bear.”

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