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BULLET FOR MY VALENTINE – São Paulo, 24 de novembro de 2019

Se você parar para pensar, para cada geração existe um grupo de bandas que não apenas servem como uma espécie de porta de entrada para novos fãs de rock, mas que, em maior ou menor medida, criam todo um novo subgênero, com uma nova forma de compreender a música. Foi basicamente assim que nasceram todos os subgêneros do rock (incluindo aí, obviamente, o heavy metal), em um caminho que se repete constante e permanente por décadas. Toda essa introdução serviu basicamente para dizer que o galês BULLET FOR MY VALENTINE é um desses grupos. Fundado no final da década de ‘90, o grupo conviveu com o momento mais forte do chamado metalcore, é contemporâneo de nomes como Avenged Sevenfold, Trivium, Unearth, Seether, Killswitch Engage, Chimaira, Atreyu e muitas outras que, como dissemos no início, foram responsáveis por trazer toda uma nova geração de fãs para o mundo do rock. E que muitas vezes tem apenas isso em comum, já que apostam em uma proposta musical completamente diferente.

De todas as bandas citadas, apenas o Trivium e o Killswitch Engage chamaram tanto a minha atenção quanto o Bullet For My Valentine. E, com isso dito, imagino que você já tenha deduzido o motivo: o incrível trabalho das guitarras. A potente mistura de linhas agressivas e melódicas, o equilíbrio inteligente entre partes complexas e outras mais básicas, a simplicidade que eles demonstravam ao usar a criatividade e o sentimento como principais ‘armas’ da sua música, era isso que fazia do Bullet For My Valentine uma banda diferente entre os seus pares. Claro que, com o passar do tempo, muitas coisas mudam. Muitos dos antigos fãs foram ficando pelo caminho, novos seguidores foram surgindo conforme avançavam na estrada, mas a banda se manteve ativa e constante, sempre lançando álbuns acima da média. E estar acima da média exige coragem, pois você precisa arriscar.

E eles arriscaram bastante com o seu álbum mais recente, Gravity, lançado em 2018. Acredito que nenhum dos antigos fãs ficará chateado por eu dizer que se trata do álbum mais acessível da banda desde sempre, e acho que é inegável que existe uma influência latente do pop e até do ‘nu metal’ em suas faixas. Até por perceber isso, e por ter percebido que a mescla de sentimentos que tomou conta da base de fãs, eu estava muito curioso para conferir como seria essa apresentação no Brasil.

Confesso que a minha primeira impressão não foi das melhores. Culpa minha, assumo. Imaginei que a banda começaria o show ‘chutando o lustre’, entrando de cara com um antigo clássico, e foi com um misto de decepção e frustração que reconheci os primeiros versos de Don’t Need You, uma das mais conhecidas faixas do novo álbum. Embora eu tenha permanecido apático e voluntariamente mal-humorado, não consegui contagiar ninguém, já que a grande plateia estava ocupada demais agitando e cantando a letra junto com a banda. Scream Aim Fire (Scream Aim Fire, 2007) foi o que bastou para me colocar no clima dos demais, com suas linhas de guitarra ‘classudas’ e repletas de influência thrash metal. Existe algo de Metallica nesta música, não?

Your Betrayal (Fever, 2010) chegou em seguida, para derrubar de vez o queixo de cada um dos presentes. Se o início na bateria já chega provocando torcicolos, o que dizer das guitarras, depois dos vocais, mesclando sussurros com linhas melódicas firmes e pulsantes? Sim, os fãs das antigas não tinham do que reclamar, e minha habitual casmurrice já tinha cedido lugar para o habitual ‘vamos lá, me surpreendam’.

Também fiquei muito satisfeito em ouvir algumas das ótimas composições do penúltimo disco dos galeses, Venom (2015). You Want A Battle (Here’s a War) é pesada como o inferno, No Way Out é rápida e intensa, e Worthless, mesmo com sua pegada diferente, não soou deslocada em meio ao forte repertório reservado para esta noite de domingo. Porém, embora músicas como Suffocating Under Words of Sorrow (What Can I Do) e Tears Don’t Fall (ambas de The Poison, 2005) tenham conseguido respostas incríveis do público – motivadas principalmente por uma performance inspirada dos músicos, que demonstraram estar realmente animados – o melhor momento do show foi, sem dúvida, a execução de Hand Of Blood, um antigo clássico, ausente há um bom tempo do repertório ao vivo, e que muitos não esperavam realmente voltar a ouvir ao vivo. Parabéns aos presentes, por pedirem a música com tanta insistência, e parabéns para a banda, que ouviu o desejo de seus fãs.

Por fim, Waking The Demon chegou para dar números finais a mais essa ótima apresentação do Bullet For My Valentine em São Paulo. Enquanto muitos não queriam acreditar que o show já tinha acabado, tantos outros já começavam a prever a próxima vinda da banda para o Brasil. Um show incrível, e nem importa se você torceu ou não o nariz para Gravity. Esse show foi feito na medida para agradar todos os fãs.

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