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CACHORRO GRANDE: a última entrevista antes do último show da última banda de rock brasileira

Por Luiz Cesar Pimentel

O título da matéria é cheio de spoilers. E talvez seja um certo exagero a terceira referência derradeira, sobre ser a “última banda de rock”. Mas isso foi emprestado do título do documentário que vem sendo dirigido pelo cineasta Lírio Ferreira sobre os 20 anos da Cachorro Grande, banda que coloca ponto final em sua trajetória nesta sexta-feira (05), no Cine Joia, em São Paulo. Apesar de ser um combo nascido em Porto Alegre (RS) e de ter um inconfundível sotaque gaúcho, a Cachorro Grande se fez para o mundo a partir de São Paulo. Tanto que transportou o último show realizado na capital gaúcha, na comemoração bicentenária e meia em meados deste ano, para a capital paulista. “E este será o último show mesmo, em agradecimento à cidade onde nos fizemos banda”, diz o entrevistado vocalista Beto Bruno. Sobre o exagero ou licença poética do título do documentário, o termo vem do fato de ser a última moicana da espécie do rock puro, aquele sem invenções ou pirotecnias de gêneros díspares na receita, como o definiram os ídolos dos cinco integrantes, Rolling Stones, The Who, Beatles e quetais. Beto Bruno conta o restante dos momentos finais na conversa abaixo.

 

Como é saber que o próximo show será o último?

Beto Bruno: É um misto de tristeza e de dever cumprido. Acho que fizemos nossa parte dentro do cenário do rock brazuca e morro de orgulho. Mas é bastante triste saber que não faremos mais shows e não gravaremos mais discos. O que está me segurando emocionalmente é minha carreira solo, que já rendeu dois álbuns e me mantém na estrada. Mas tenho muita saudades dos ex-parceiros de banda, que são minha família.

 

Qual é a sua análise da Cachorro Grande e dos últimos 20 anos da perspectiva do olho do furacão?

Beto: Depois do fim da banda é que comecei a pensar nisso. Nos divertimos muito e sempre fizemos o que queríamos fazer. Foram mais de vinte anos, muito bem aproveitados, e não poderiam ter sido melhores. Realizamos todos os nossos sonhos. Eu não poderia nem imaginar que aconteceria isso tudo. Parecia e parece ainda um sonho.

 

Se tivesse a chance, o que você faria de diferente na história da banda?

Beto: Eu sempre fui o chato que ficava no pé dos outros para fazermos as coisas acontecerem. Quando eu jogava vôlei, era levantador e capitão do time, então acho que levei um pouco disso comigo para dentro da banda. Hoje, acho que devia ter pego mais leve com a turma, mas por outro lado acho que não teríamos chegado tão longe se eu não tivesse sido desse jeito.

 

Tem documentário no forno, certo? Fale sobre.

Beto: O documentário vai ser muito importante para consolidar nossa história. Lírio Ferreira (“Árido Movie”, “Acqua Movie”, “Baile Perfumado“) está dirigindo e sou um grande fã do trabalho dele. Eu sou apaixonado por ‘docs’ de rock e estou muito ansioso para ver o resultado final.

 

Como você gostaria que a Cachorro Grande entrasse para a história?

Beto: Como uma banda verdadeira, o que realmente foi. Uma banda que se preocupava muito com a produção dos discos e com a qualidade dos shows. Uma banda que corria por dentro e por fora ao mesmo tempo. Uma banda em que a música sempre veio em primeiro lugar.

 

Quais foram os pontos mais altos dessa história?

Beto: São vários. O show de abertura dos (Rolling) Stones foi o ponto alto da minha vida. A chegada em São Paulo, no início do século foi demais. Os primeiros grandes festivais. O namoro com a MTV. As músicas tocando no rádio, os clipes passando na TV. Os shows lotados de gente cantando comigo. Os amigos e antigos ídolos que conhecemos. Foram anos incríveis.

Cachorro Grande e Rolling Stones

 

E qual foi o ponto (ou os pontos) que você prefere esquecer?

Beto: Os pontos baixos foram as brigas e discussões – a maioria, desnecessária. Nos últimos sete ou oito anos me senti muito sozinho cuidando dos interesses de todos. Ninguém reconhecia o que eu estava fazendo para manter a banda na estrada. Nunca ninguém me agradeceu por ter cuidado de tudo praticamente sozinho. Parecia que só eu tinha a banda como prioridade na vida. Isso tudo foi me desgastando até ficar insuportável.

 

Serviço

5 de agosto de 2022 (sexta-feira)

20h – Abertura da Casa

22h30 – Cachorro Grande

Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade – São Paulo/SP

Ingressos –  https://cinejoia.byinti.com/#/ticket/

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