CHUCK BILLY (TESTAMENT) relembra episódio entre ele e GENE SIMMONS (KISS) durante um café da manhã

Por Leandro Nogueira Coppi

Um trecho de Holding My Breath: The Two Testaments of Chuck Billy, autobiografia de Chuck Billy, vocalista do Testament, escrita em parceria com Dave Erickson, revela um encontro inusitado entre o músico e Gene Simmons, do KISS. Com lançamento marcado para 10 de novembro pela Permuted Press, o livro conta como um café da manhã entre os dois músicos começou com Simmons roubando uma mordida do omelete de outro cliente e terminando com Billy desistindo de escrever uma música com seu ídolo.

Billy conheceu Simmons e Paul Stanley depois da participação do Testament no Monsters of Rock de 1988, na Alemanha. Fã do KISS desde muito jovem, o vocalista descreve o encontro com Simmons como algo próximo de conhecer seu próprio herói.

Anos mais tarde, os dois se tornaram amigos, e Simmons convidou Billy para sua casa para escrever uma música para um futuro álbum do Testament. Antes da composição, porém, os músicos foram tomar café da manhã em um restaurante escolhido por Simmons.

Segundo Billy, tudo transcorria normalmente até a chegada da refeição.

“Nos sentamos e pedimos nossa comida. Estávamos tendo uma ótima conversa, a comida chegou, estava tudo perfeito. Então, bem no meio disso, sem dizer uma palavra, Gene se levanta, caminha até a mesa atrás da nossa com o garfo ainda na mão, espeta o omelete de um cara e dá uma mordida.”

O cliente imediatamente reagiu:

“O cara olha para cima e diz: ‘Com licença, que diabos você está fazendo?’”

Simmons, então, apresentou sua justificativa de maneira bastante peculiar, conforme o relato de Billy:

“Gene apenas olha para ele e diz: ‘Ah, desculpe. Vi que você está fumando um cigarro e compartilhando sua fumaça comigo… imaginei que também estivesse compartilhando seus ovos.’”

Depois disso, de acordo com Billy, Simmons simplesmente voltou para a mesa e continuou o café da manhã como se nada tivesse acontecido.

“Eu não conseguia acreditar no que tinha acabado de ver. Gene fez a jogada definitiva de astro do rock.”

Após o café da manhã, Billy acompanhou Simmons até sua casa, onde conheceu uma sala repleta de memorabilia do KISS. O vocalista estava prestes a realizar outro sonho ao escrever uma música com seu ídolo, mas a sessão tomou um rumo inesperado.

Simmons começou a defender a ideia de que o heavy metal estava morto e passou a elogiar o Smashing Pumpkins como o futuro do rock. Billy, que havia ido até ali justamente para trabalhar em uma música com Gene, ficou surpreso.

“Gene… você está falando sério? Eu vim aqui para escrever uma música de heavy metal com você para o novo disco do Testament. O metal não está morto.”

Simmons, porém, continuou defendendo sua opinião. Diante disso, Billy decidiu não seguir com a composição.

“Gene, desculpe, mas não posso escrever uma música com você se você acha que o metal está morto.”

A parceria musical acabou não acontecendo. Billy, no entanto, afirma que não se arrepende da decisão tomada naquele dia.

“Saí da casa de Gene Simmons sem escrever aquela música… porque eu tinha princípios. Porque ainda acreditava no heavy metal. Anos depois, não me arrependo nem um pouco. Pelo menos ganhei uma ótima história de café da manhã.”

Holding My Breath: The Two Testaments of Chuck Billy será lançada em 10 de novembro pela Permuted Press. A autobiografia é dividida em duas partes, chamadas “Velho Testamento” e “Novo Testamento”. A primeira acompanha o surgimento do Testament, a explosão do thrash metal nos anos 1980, as rivalidades, amizades e os bastidores de uma das cenas mais importantes da história do gênero.

Já a segunda parte mergulha em um dos períodos mais difíceis da vida de Billy. Aos 38 anos, o cantor recebeu o diagnóstico de câncer que quase interrompeu sua carreira. O livro aborda seu tratamento, a influência de suas raízes indígenas Pomo e mexicano-americanas, a espiritualidade e o apoio recebido da comunidade do metal durante sua recuperação.

Testament no Brasil em dezembro

Ainda em 2026, o Testament voltará ao Brasil para uma série de apresentações com produção da Liberation. Em dezembro, a banda excursionará pelo país ao lado de Municipal Waste e Immolation, passando por Curitiba (5), São Paulo (6), Limeira (8), Belo Horizonte (10) e Rio de Janeiro (13).

No dia 12, o Testament passa mais uma vez por São Paulo para participar do Liberation Festival, no Vibra São Paulo. Neste evento, o grupo apresentará um set especial chamado “Title Track Attack!”, focado nas diferentes fases da extensa e vitoriosa discografia. As músicas escolhidas para o “Title Track Attack!” serão reveladas no palco. Além do Testament, o Liberation Festival 2026 também contará com Dimmu Borgir, Slaughter To Prevail, Municipal Waste, Immolation e Charlotte Wessels.

 

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