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DEE SNIDER – 23 de março de 2019, São Paulo/SP

Tom Brasil - São Paulo/SP

A última passagem de Dee Snider no Brasil havia ocorrido em 2013, quando o Twisted Sister se apresentou na terceira edição do festival Live ‘N’ Louder. Três anos depois, em novembro de 2016, a lendária banda fez o último show da carreira. Além de cantar e compor, Snider, que completou 64 anos de idade no último dia 15 de março, é um incansável multifunção, tendo trabalhado como radialista, dublador, ator e roteirista de cinema. Se ainda lhe faltava um disco de heavy metal, Jamey Jasta (Hatebreed) deu o empurrão e o estímulo. Assim nasceu “For the Love of Metal”, apontado por este redator com o melhor lançamento de 2018. E foi para promover o quarto álbum solo, sucessor de “Never Let the Bastards Wear You Down” (2000), “Dee Does Broadway” (2012) e “We Are the Ones” (2016), que o vocalista americano aportou no Brasil. Após se apresentar em Curitiba (PR) no dia 21 (quinta-feira), ele esteve no Tom Brasil, em São Paulo (SP), para mostrar o que todos sabem: trata-se de um dos melhores performers da história do rock.

Assim como no show na capital paranaense, a abertura ficou a cargo do The Secret Society, que atualmente prepara o primeiro álbum full da carreira. Guto Diaz (vocal e baixo), Fabiano Cavassin (guitarra) e Orlando Custódio (bateria) entraram em cena com “Beyond the Gates”. A casa ainda não estava lotada, mas a receptividade para as músicas, que mesclam elementos de pós-punk, gothic, hard e metal, foi positiva. O trio seguiu com “Fields of Glass”, promovida com um lyric video que, inclusive, teve as imagens exibidas no telão de led no fundo do palco durante o show.

Ex-integrante de bandas como Epidemic e Primal, Guto Diaz introduziu “Mephistofaustian Transluciferation”, influenciada pelo filme checoslovaco “Faust”, de Jan Svankmajer, recitando: “Numa noite fria em Praga, Fausto encontra um desconhecido que lhe entrega um mapa, que o leva ao encontro de Mephistofeles…” A postura e musicalidade obscuras, que remetem a nomes como Bauhaus, Killing Joke, Danzig, The Sisters of Mercy, The Cult e Christian Death, seguiu com “The Final Cut”, “Rites of Fire” e “Rubicon”. Cavassin tem uma presença de palco à la Billy Dufy (The Cult), enquanto Orlando Custódio se mostrou seguro, descendo a mão na bateria.

Depois foi a vez de “The Architecture of Melancholy”, primeiro de sua série de três singles lançados pela Red Records e que saiu em videoclipe. Tratando sobre a morte, a letra traça um paralelo entre o cemitério dos mortos (lápides, túmulos, jazigos) e os edifícios dos vivos, onde as pessoas ficam isoladas e solitárias. Fechando em alta, o set trouxe uma versão para “Cry for Love”, hit do álbum “Blah-Blah-Blah” (1986), de Iggy Pop, composta em parceria com Steve Jones (ex-Sex Pistols). Depois de shows locais, incluindo a abertura para Uli Jon Roth em Curitiba, o The Secret Society agora ficou conhecido pelo público paulista e deverá retornar para promover o primeiro ‘full-length’.

Embora visto com desconfiança por seu bom humor, especialmente por conta dos clipes do Twisted Sister e da cara maquiada, o perseverante Dee Snider veio na sequência, já com a pista e os camarotes cheios. Atuando quase como um palestrante que incita a plateia, não cansa de propagar seu bom humor e mensagens positivas. “Nunca foi sobre ‘sexo, drogas e rock’n’roll’, mas para o lado de ‘levante-se, acredite em você, não tenha medo de falar o que pensa e faça alguma coisa para ser a pessoa que você quer ser’. Essa é a mensagem mais importante”, disse certa vez à ROADIE CREW.

Logo após o som mecânico, com “Exciter”, faixa de abertura de “Stained Class” (1978), do Judas Priest, Snider entrou em cena com “Lies Are a Business” sem a maquiagem que caracterizou e, por vezes, estereotipou o Twisted Sister. A música foi recentemente lançada em videoclipe, dirigido pelo brasileiro Leonardo Liberta (Liberta Filmes), e contou com a participação do empresário Paulo Baron (Top Link Music) e de Thor Moraes (Malta).

De forma energética, como sempre, Snider esteve acompanhado por Charlie Bellmore (guitarra, Kingdom of Sorrow e Phantoms), Nick Petrino (guitarra, Sonic Pulse), Joakin Agnemyr (baixo) e Nick Bellmore (bateria, Toxic Holocaust e Kingdom of Sorrow), que desempenharam bem suas funções. Com o som bem regulado, veio a pesada e agitada “Tomorrow’s No Concern”, de “For the Love of Metal”, seguida pela clássica “You Can’t Stop Rock ‘n’ Roll”, faixa-título do segundo álbum do Twisted Sister, tocada de uma forma mais atualizada e pesada.

“Eu sei que muitos poderão não me entender, mas eu estou contente por estar de volta a São Paulo, Brasil!”, disse o vocalista, que seguiu explicando como seria o repertório, e este seguiu com uma do novo álbum, a hard’n’heavy “American Made”, e a clássica “Burn in Hell”, de “Stay Hungry” (1984). “Como eu gostaria de saber falar português, porque tenho tanta coisa a dizer para vocês, mas eu não consigo. Prometo que da próxima vez que estiver aqui, aprenderei português. Bem, pode ser que não me vejam nos próximos dez anos até que eu aprenda”, brincou o vocalista.

O set prosseguiu com “I Am the Hurricane”, que foi promovida em lyric video, e o hino “We’re Not Gonna Take It”, que “incendiou” a casa. A vibração aumentou consideravelmente, com a felicidade estampada na cara de cada um dos presentes. “Puta que o pariu! Eu vi vocês cantando, mas agora eu quero ouvi-los sem a banda, só vocês”, ordenou Snider. O público fez a sua parte e, assim como ocorreu nas três vindas do Twisted Sister ao Brasil, deixou o vocalista empolgado com a receptividade. “Aí sim! Estou vendo vocês”, gritou Snider antes de pegar a bandeira do Brasil dada por um fã na primeira fila. “É bom ver amigos aqui. Fazia tempo que não vinha para a América do Sul e ao Brasil, e vejo que temos aqui alguns fãs antigos. Para vocês, vou tocar uma música da minha ex-banda, Widowmaker”, revelou Snider antes de “Ready to Fall”, faixa de “Stand by for Pain” (1994), sucessor de “Blood and Bullets” (1992).

Se por si só a balada “The Price” emociona, desta vez, além de o público entoá-la antes mesmo do vocalista, como sempre ocorreu por aqui, ela trouxe um elemento extra. Durante a sua execução, o telão exibiu imagens de músicos e heróis do rock que nos deixaram: Ronnie James Dio, Bon Scott, Tim Kelly (Slaughter), Eric Carr (Kiss), Jani Lane (Warrant), Freddie Mercury (Queen), Dave Brockie (Oderus Urungus, do GWAR), Gary Moore, Clive Burr (Iron Maiden), Cliff Burton (Metallica), Phil Lynott (Thin Lizzy), Jimmy Bain (Rainbow, Dio), Dimebag Darrell (Pantera), Robbin Crosby (Ratt), Kevin DuBrow (Quiet Riot), Lemmy Kilmister (Motörhead), Malcolm Young (AC/DC), Chris Cornell (Soundgarden), Randy Rhoads (Ozzy, Quiet Riot), Bernie Tormé (Desperado, Ian Gillan, Ozzy) e A.J. Pero (Twisted Sister).

Voltando para “For the Love of Metal”, Snider pediu ao público que gritasse o nome do álbum antes de executar “Become the Storm”, que foi lançada em videoclipe. A casa caiu de novo com a acelerada “Under the Blade”, faixa-título do primeiro álbum do Twisted Sister, de 1982. “Isso foi muito bom!”, agradeceu o vocalista pela recepção dos fãs, que seguiram gritando “Dee Snider”. Antes de seguir com o set, Snider explicou que a performance estava sendo filmada e que precisaria da empolgação de todos em “I Wanna Rock”, icônica faixa e clipe de “Stay Hungry”. Nem precisava pedir…

O encore começou com “Tomorrow’s No Concern”, primeira música promovida de “For the Love of Metal” e que saiu em lyric video em janeiro do ano passado – ela foi tocada duas vezes porque a banda estava gravando imagens para outro vídeo. Dee, então, apresentou sua banda e depois encerrou o set em alta, e com muito peso, com a faixa-título do novo álbum. Lançada também em clipe, ela traz em sua letra menções a clássicos como “Under the Blade”, “You Can’t Stop Rock ‘n’ Roll” e “Burn in Hell”, do Twisted Sister, além de “The Last in Line” (Dio), “Victim of Changes” e “Painkiller” (Judas Priest), “Run to the Hills” (Iron Maiden), “Over the Mountain” (Ozzy Osbourne), “South of Heaven” (Slayer) e “Born to Raise Hell” (Motörhead). Confesso que esperava mais público, mas foi justamente pela mensagem que a composição passa (“We are all fucking metal!”) que todos estiveram presentes ao Tom Brasil para ver mais esta aula de Dee Snider.

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