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DELAIN / VUUR – 17 de maio de 2019, São Paulo/SP

Tropical Butantã – São Paulo/SP

Após um fim de semana movimentado, em que Mark Farner e Blackberry Smoke animaram os paulistanos, um novo fim de semana chegava, e mais uma vez repleto de ótimas atrações. Para começar, na sexta-feira, uma espécie de ‘reunião holandesa’, que tomaria forma no palco do Tropical Butantã. Primeiro, o Delain, de Charlotte Wessels e Martijn Westerholt, e depois, o Vuur, de Anneke Van Giersbergen. Sim, noite de gala para os paulistanos, que ainda poderiam presenciar três nomes da cena nacional, Living Shields, BrightStorm e Van Dorte, o que deu ao evento mais a cara de um pequeno festival do que de apenas mais uma noite de show na Capital Paulista.

Embora tenha passado recentemente pelo Brasil – a banda esteve aqui na segunda metade do ano passado, tocando ao lado do finlandês Nightwish – o Delain é sempre um nome muito esperado por aqui. Razões para isso não são poucas: além de contar com o tecladista Martijn Westerholt, que já era famoso mundialmente por ter gravado os hoje clássicos Enter (1997) e Mother Earth (2000) com sua ex-banda, o Within Temptation, o Delain ainda tem em sua vocalista, Charlotte Wessels uma das personalidades mais cativantes do cenário, e também uma das mais belas vozes do chamado metal sinfônico. Parece pouco? Então, atente para a evidente habilidade musical de Otto van der Oije (baixo), Joey de Boer (bateria), e da dupla de guitarristas Timo Somers e Merel Bechtold, e você terá a sua resposta completa. O Delain é uma das bandas mais eficientes do cenário, e obviamente eles demonstram todos os seus predicados em suas fortes e cobiçadas apresentações ao vivo.

Assim, ninguém ficou espantado ao perceber que já no início da apresentação deles o público já mais do que dobrara na casa, em número e em intensidade. O início, com a rápida Go Away (única representante do álbum de 2009, April Rain) deu novo ânimo àqueles que já acompanhavam as apresentações desde o início do evento. Com sua forte melodia e linhas de guitarra intensas e repletas de pausas, a música colocou público e banda para agitar, com destaque para a performance de Charlotte, que agitava como nunca.

Recentemente lançado, o EP Hunter’s Moon já ganhou o seu lugar na coleção e no coração dos fãs, e obviamente não ficaria fora da festa. A primeira a aparecer foi a melódica Masters Of Destiny, que conta com uma das melhores performances de Charlotte em toda a sua carreira, e que em si já teria feito valer o valor do ingresso. Mas, claro, ainda tinha muito para vir. Apoiando-se em uma performance inspirada de Westerholt e Bechtold, o Delain mostrava o perfeito equilíbrio entre a melodia e o peso em músicas como The Glory and the Scum, Suckerpunch, Hands Of Gold (todas de Moonbathers, 2016), e Pristine (do álbum de estreia, Lucidity, 2006), todas sempre contando com um espírito extra de magia, garantido pela incrível habilidade melódica, alcance vocal e carisma de sua vocalista. O final, se não foi uma surpresa, pelo menos foi curioso, com The Gathering. Claro, é uma das melhores músicas da banda, assim como uma das mais conhecidas, então, nada mais justo do que deixa-la para o final. Mas não deixa de ser curioso uma música com este nome quando sabíamos quem era a principal atração do próximo show da noite, certo?

Pois bem, parece que todo o mundo conspira para que Anneke Van Giersbergen nunca deixe de ser a lenda em que se transformou já na década de 90.  A lendária ex-vocalista do The Gathering já fez de tudo um pouco no mundo da música desde que saiu da banda em 2007. Já lançou álbuns solo, estreitou ainda mais suas relações com o incrível compositor e guitarrista Arjen Lucassen (Ayreon) com a banda The Gentle Storm, participou como convidada especial em um sem número de álbuns de diversos projetos e bandas, e claro, lançou para o mundo a sua nova banda, o Vuur, que em 2017 lançou o seu primeiro (e até agora único) álbum completo, In This Moment We Are Free – Cities.

Como que para mostrar logo de cara que a música de Anneke ainda mantém todo o caráter progressivo que vêm desenvolvendo nas últimas décadas, a apresentação do Vuur teve início com Time – Rotterdam, um começo um tanto quanto clichê para uma banda holandesa, mas que causou uma ótima primeira impressão. Com um som cristalino, também ficou fácil perceber que ‘progressivo’ não foi a única coisa que Anneke e seus parceiros Ferry Duijsens e Jord Otto (guitarras), Johan van Stratum (baixo) e Ed Warby (bateria) buscaram em seu álbum de estreia. Era evidente o peso das músicas, algo muito mais metal do que a maioria dos trabalhos em que a vocalista esteve envolvida na última década, e isso é sempre uma ótima pedida.

Se a primeira impressão foi boa, a banda resolveu controlar o pulsar do coração dos presentes logo em seguida, com a execução perfeita de On Most Surfaces (Inuït), clássico de Nightime Birds (The Gathering, 1997) que foi um dos responsáveis por tornar Anneke em uma das mais conhecidas e apreciadas personalidades do mundo do rock. Interagindo sempre com o público, a banda demonstrava muita simpatia e alegria por estar diante do público, todos pareciam realmente estar se divertindo, e é ótimo quando você percebe que aquele show que você esperou tanto para assistir não está sendo tratado como ‘um trabalho que tem que ser feito’ por parte da banda.

Voltando ao repertório próprio, eles tocaram My Champion – Berlin, e logo após mais um cover (The Storm, do The Gentle Storm), o Vuur deu sequência com Days Go By – London, The Martyr And The Saint – Beirut e Freedom – Rio, todas recebidas com empolgação por um público que parecia enfeitiçado e ainda longe da exaustão. Mas, a noite precisava acabar, e após Fallout (Devin Townsend Project) a banda tocou mais duas de seu repertório, e então encerrou com mais um clássico do The Gathering, Stange Machines (Mandylion, 1995), um dos momentos mais bonitos que tivemos em São Paulo neste ano, com certeza. Que venha logo o segundo álbum, e que mais uma vez ele traga esta banda incrível para a nossa cidade.

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