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DER WEG EINER FREIHEIT: OS MUITOS CAMINHOS DA LIBERDADE

Por Valtemir Amler

Para aqueles que não estão realmente acostumados a adentrar os níveis mais profundos da música extrema, sempre viverá o mito de que o black metal é o mais inacessível, repressivo e fechado de todos os círculos da música extrema. Também é comum pensar que no black metal não são permitidas mudanças ou transformações, mas como então se explicam bandas como Borknagar, Enslaved, Arcturus, Ulver e tantos outros atos que puseram à prova a própria credibilidade para expandir os limites da música e, ao invés de excluídos são louvados pela sua coragem e postura? Nascida na Alemanha em 2009, a Der Weg Einer Freiheit é mais uma dessas bandas que simplesmente não conseguem sentar-se à sombra e aproveitar o momento de estabilidade, eles simplesmente possuem uma incomodação criativa que os impele a ação contínua, sempre rumando em uma nova direção, sempre em busca de alguma expansão. Contando com o vocalista Nikita Kamprad desde os primeiros dias, o quarteto – completado com Nicolas Rausch (guitarra), Tobias Schuler (bateria) e Nico Ziska (baixo) – começou de forma humilde em 2010 com seu álbum autointitulado, lançado através do selo underground germânico Viva Hate Records, onde permaneceu para o segundo álbum, Unstille (2012). Porém, a essa altura eles já chamavam tanta atenção no cenário que fecharam uma parceria frutífera com a Season Of Mist já no terceiro álbum, e permanecem com a gigante do underground até os dias de hoje. Para saber mais sobre a história desses titãs germânicos, conversamos com Nikita Kamprad.

Como artista, qual era o seu objetivo quando fundou o Der Weg Einer Freiheit em 2009?

Nikita Kamprad: A única coisa que eu queria, de verdade, era escrever canções por mim mesmo, isso era tudo o que queria fazer. E isso era uma coisa bem diferente para mim naquela época, pois eu já participava de outras bandas, tínhamos o hábito de nos encontrar para tocar no mesmo estúdio, e todos éramos compositores nessas bandas, então acabávamos por escrever juntos no estúdio. Essa não é uma coisa ruim, esse processo colaborativo, mas eu queria tentar algo diferente. Veja, como eu cresci tocando em bandas e escrevendo com outras pessoas, acabei eventualmente chegando a um ponto em que estava saturado disso, e queria saber o que conseguiria fazer quando tivesse o processo todo nas minhas mãos, quando fosse apenas eu, comigo, fazendo as minhas coisas.

Nessa altura o black metal já era a sua opção?

Nikita: Sim, sempre foi o black metal. Desde que comecei a ouvir música e principalmente quando comecei a tocar, o black metal era o que mais me cativava porque é um lugar onde você pode ser estranho e criativo, sem amarras ou limites. E algo que foi extremamente importante na minha decisão é a maneira única como você pode trabalhar e manipular as emoções dentro deste gênero, é algo em um nível que você não encontra em nenhum outro tipo de música, e eu estava empolgado em poder lidar com isso ao invés de apenas seguir partituras, tablaturas e coisas desse tipo. Eu queria algo que não fosse puramente robótico, e o black metal me ofereceu exatamente o que estava buscando no momento em que estava buscando, e isso é algo único, é o prêmio máximo quando você está descobrindo algo que ama. Então, quando fundei o Der Wer Einer Freiheit o meu intento era escrever minhas próprias músicas dentro desse gênero, ao qual eu estava tão intrinsecamente conectado.

Você tinha a intenção de transformar esse projeto em uma banda completa, com o passar do tempo?

Nikita: Não, era algo realmente muito pessoal, eu queria sentia aonde poderia chegar com a música que estava nascendo na minha cabeça e com os únicos meios de execução que eu mesmo conseguia oferecer, então, era mais uma experiência do que qualquer outra coisa. Naquele momento eu escrevia música para mim mesmo, e queria ver o quanto conseguia me conectar as outras pessoas através das emoções exploradas na música, e isso era tudo. Acontece que, para a minha surpresa, muitas pessoas gostaram disso! Então, o primeiro álbum era para ter sido o último álbum dessa banda, não havia nenhum plano à partir dali. Mas o que aconteceu após lançar o EP Der Weg Einer Freiheit (2009) foi que muitas pessoas ficaram sabendo sobre o projeto, essas pessoas meio que elevaram o nosso nome na cena, e até algumas ofertas de selos começaram a surgir, o que foi completamente inesperado. Aquilo me fez pensar, comecei a criar mais algumas músicas e pensar em um segundo lançamento para ver no que dava, e assim que lançado, foi ainda um passo acima, ainda mais pessoas estavam falando sobre nós. Foi então que pensei, se essas músicas fazem sentido para outras pessoas além de mim, devo seguir adiante. Foi por isso que comecei a escrever o EP Agonie (2011) e então o álbum Unstille (2012), foi simplesmente um passo natural. Nada disso foi planejado, pode acreditar. As coisas simplesmente foram acontecendo de acordo com o sopro do vento, apenas segui o fluxo que me impulsionava.

Com tudo o que disse até agora, a escolha do nome da banda não poderia ter sido mais feliz.

Nikita: Sim, era o que eu sentia e a única motivação para essa banda existir. Der Weg Einer Freiheit pode ser traduzido como ‘o caminho para uma liberdade’, e era exatamente isso que eu queria na época, queria encontrar um caminho que me oferecesse liberdade criativa e artística total. Eu sempre quis me realizar na música, encontrar um senso de pertencimento por mérito, e sempre foi essa a razão de ser dessa banda.

Certo, e essa é uma coisa interessante, pois, quando colocamos a discografia da banda lado a lado e comparamos o lançamento, é muito claro que você está satisfeito com o que fez, mas que nunca ficou confortável em parar por ali. Acredito que a palavra ‘evolução’ foi encarada com muita seriedade ao longo da sua carreira.

Nikita: Obrigado, essas são palavras muito bonitas e um grande elogio, fico feliz. E entendo o que quer dizer, pois é uma ótima percepção. Tenho muita clareza de que em cada momento fiz o melhor que pude como compositor, sei que Unstille não poderia ser um álbum ainda melhor simplesmente porque ele representa as minhas qualidades e meus sentimentos na época em que foi composto, e o mesmo vale para Stellar (2015) ou qualquer outro dos nossos álbuns. Cada um deles está ligado a uma época específica, a uma potência específica e a um estado de espírito muito específico, são assim que as coisas funcionam nessa banda. Mas, de fato, nunca consegui ficar confortável com o que já consegui fazer, pois não gosto de ficar parado. Mas, especialmente depois de lançarmos Finisterre (2017), uma coisa diferente aconteceu na minha cabeça. Veja, ele foi um álbum bastante elogiado e as pessoas realmente parecem gostar dele, e isso faz sentido porque ele é formado por boas músicas e tenho orgulho do que fizemos lá, mas sempre que pensei nele desde aquela época, existia um desconforto na minha cabeça.

Por quê?

Nikita: Simplesmente porque acho que poderíamos ter feito coisas muito diferentes lá, em termos de inovação, do que realmente fizemos. Acho que soamos muito confortáveis naquele disco, como se tivéssemos encontrado a nossa fórmula música, a maneira como devemos soar para que nossos fãs gostem, e sentado confortavelmente em cima dessa fórmula ao invés de tentar levar as coisas adiante. Sinceramente não sei te dizer a razão, mas estávamos muito receosos em tentar coisas novas naqueles dias, foi como se tivéssemos entrado no estúdio no modo automático, pensando algo como ‘vamos fazer do jeito antigo e jogar com segurança’, e fizemos isso. Assumo total responsabilidade por esse direcionamento, e me arrependi assim que o álbum foi lançado, cheguei até a declarar isso em algumas entrevistas, pois não sou do tipo que sai dizendo que o novo álbum é sempre o melhor. Então, quando comecei a trabalhar nas novas canções que fariam parte de Noktvrn (2021), já parti de uma premissa: ‘nesse álbum vou fazer as coisas de um jeito diferente. Dessa vez, não ficarei temeroso em tentar coisas novas, vou intencionalmente guiar nossa música por um outro caminho’. Essa banda foi criada para que encontrasse meu caminho para a liberdade criativa, então não serei eu mesmo a amarrar minhas mãos. E essa é uma coisa engraçada, ao longo de todos esses anos, nenhuma gravadora, nem os fãs, nem a imprensa, ninguém nunca tentou ditar o que deveríamos tocar. Então por que eu deveria me limitar e me sentir temeroso de tentar coisas novas? Nesse sentido, Noktvrn me deixa especialmente orgulhoso, pois sinto que é o que melhor representa até agora o ideal de liberdade que tinha ao fundar essa banda.

O que não é algo se dizer sobre o quinto álbum completo de uma banda que sempre buscou a perfeição. Com tudo o que disse, existe alguma canção que você esteja especialmente orgulhoso em Noktvrn, que você gostaria que os fãs ouvissem com atenção especial?

Nikita: Sim, gosto muito de todo o material que criamos para esse álbum, mas tenho um carinho especial pelas faixas Immortal e Haven, que são justamente aquelas em que acredito que todos poderão perceber melhor essa nossa busca consciente por algo novo e diferenciado. Elas se encaixam bem ao espírito sentimental e musical dessa banda, mas ainda assim representam um algo único e que será a marca definitiva do que Noktvrn representou para nós.

 

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