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DEVIL SOLD HIS SOUL: UM NOVO MUNDO MUITO ALÉM DO ALCANCE

Por Valtemir Amler

O tempo mostrou que uma das principais maneiras de manter a música pesada viva e relevante à despeito das transformações constantes no mundo da música, é ser capaz de reconhecer as novas bandas que surgem com propostas interessantes, muitas vezes mesclando todas as suas antigas referências em uma nova sonoridade. Tendo isso em mente, é muito fácil curtir o som dos britânicos do Devil Sold His Soul. Afinal de contas, eles parecem mesclar de forma muito consciente e concisa os muitos e muitos anos de tradição britânica na música pesada, fazendo uma mistura melancólica, bela e serena de música ambiente, elementos de hardcore, bocados de dark wave e gothic rock (especialmente por seu aspecto lúgubre e melódico) e até partes que remetem ao shoegaze. Difícil de rotular, convencionamos colocar o grupo de Londres sob o ‘guarda-chuva’ do post-metal, já que esse é um termo ambíguo o suficiente para dar a entender qualquer coisa que o leitor de fato quiser entender. Mas essa pequena ‘trapaça’ vem por um bom motivo, já que a intenção é justamente fazer com que você ouça a música do sexteto, a melhor maneira de compreender a música que eles fazem. Nascida em 2004 na capital da Inglaterra, e contando já com quatro álbuns completos, o grupo segue divulgando sua mais nova oferta, Loss, lançado em 2021 via Nuclear Blast Records. Para compreendermos mais sobre todo o universo musical dos londrinos, conversamos com um dos seus vocalistas e membro fundador, Edward Gibbs.

Olhando para vocês, e percebendo a enorme quantidade de diferentes elementos que agregam em suas composições, é fácil assumir que a música desempenhou um grande papel na vida de vocês. Para você pessoalmente, como foram os seus primeiros anos de dedicação real à música pesada?

Edward Gibbs: Bem, acho que eu poderia ser encarado como um cara meio estranho naquela época. Hoje também, mas naquela época definitivamente isso poderia acontecer (risos). Quer dizer, quando você é adolescente e está começando a descobrir algo novo de que realmente gosta, é até bastante natural que você se interesse por aquilo que o seu grupo de amigos está interessado, ou pelo que está na moda ou em alta no momento. E isso não aconteceu comigo, eu simplesmente não estava interessado naquilo que todos estavam ouvindo. Você sabe, na época em que estava crescendo, o que realmente fazia sucesso era o nu metal e todas aquelas bandas, mas nada daquilo dizia nada pra mim. Eu não sei, simplesmente não me impressionava, era só um monte de ‘grooves’ e caras pulando com roupas grandes demais (risos), não havia emoção, não havia nada, era só mais uma coisa qualquer, não me incomodava e nem me interessava, se é que me entende. Bom, nessa mesma época ouvi pela primeira vez a música Hope Conspiracy, e essa foi uma banda que realmente me disse algo, é uma das responsáveis por mudar toda a minha mentalidade em relação ao metal. Ali existia muito mais do que apenas boas seções rítmicas, existia emoção na música e nas letras, e comecei a realmente mergulhar nisso. Teve também o Cold Funeral, outra banda nessa mesma linha, e então caí de cabeça totalmente, eu queria estar tanto quanto possível conectado com esse mundo, pois percebia que existia algo que poderia fazer com esse tipo de música.

Então você já pensava em criar suas próprias composições.

Edward: Ah sim, isso desde o começo. Quando algumas bandas finalmente se encaixaram na minha cabeça, meio que automaticamente comecei a pensar em como poderia lidar com aquilo, quer dizer, como poderia usar aquilo para criar algo que fosse realmente meu, que desse asas aos meus pensamentos e sentimentos. Não sei, acho que se não fosse assim, nunca teria caído de cabeça na música.

Você lembra quando começou a desenvolver seus dotes como músico?

Edward: Lembro sim, acho que tinha uns onze anos quando comecei a praticar um instrumento, que no caso foi a guitarra. Pelo que lembro, comecei a tocar guitarra antes de ser apaixonado por música, o que também acho que é meio estranho, então reitera o que falei antes (risos). Bom, antes de surgir o Devil Sold His Soul, eu segui todos os tramites comuns dos músicos de rock, toquei em várias bandas na época da escola, e assim fui adquirindo alguma experiência e alguns amigos que estavam na cena. As coisas foram acontecendo aos poucos, conforme o tempo passava. Sendo sincero com você, eu não tinha pressa, apenas queria fazer as coisas do jeito certo. Não estava interessado em fazer qualquer coisa só para dizer que fiz algo, a minha postura como fã de música é a mesma que tenho como músico: se não fizer sentido para mim, se não me disser nada, simplesmente não me envolvo com algo.

E quando o Devil Sold His Soul nasceu?

Edward: Começamos em 2004, então lá se vão quase vinte anos. Engraçado pensar quanto tempo passou, mas é bom ver que ainda estamos aqui. Eu era amigo do irmão de Johnny (Renshaw, guitarrista), Tom, e era um grande fã de sua banda anterior. Então, já existia algum contato entre nós, e quando eles formaram o Devil Sold His Soul e estavam procurando um vocalista, o Tom simplesmente indicou o meu nome para o seu irmão e foi isso, tenho sido parte dessa banda desde os primeiros dias.

Bem, o álbum mais recente de vocês, Loss, foi lançado em 2021, mas ouvi que estavam trabalhando nele já bem antes. O processo de composição é sempre longo para vocês?

Edward: Eu diria que sim, e existem vários motivos para isso. Um deles é aquele que mencionei antes, não gosto de atropelar as coisas e pular etapas, gosto de pensar bem antes de agir. Mas, é claro que não é só isso. Começamos a escrever em 2018, e acho que foi um começo particularmente lento. Quer dizer, estávamos escrevendo devagar, em parte porque trabalhamos em nossas partes e enviamos o material de um lado para o outro, já que todos vivemos longe uns dos outros. Eu moro no oeste, em Bristol, e então John na costa leste, em Essex, e assim é com todos os outros, a internet é uma ferramenta fundamental para o funcionamento dessa banda. E em 2018, quando começamos a escrever, aquela foi uma época muito diferente do que acontecia no nosso passado, eu senti que não estava funcionando. Simplesmente não parecíamos mais a mesma banda, estávamos agindo como completos estranhos. Todo mundo tinha uma agenda diferente, começávamos a pensar em alguma música e então interrompíamos tudo para trabalhar ou para participar de algum evento social, então, não estava funcionando, essa havia se transformado em uma banda totalmente disfuncional. Acho que foi no final de 2018, senão no início de 2019, que decidimos parar com essa palhaçada e dedicamos alguns finais de semana para nos encontrarmos pessoalmente e escrever.

Optaram pelo método mais ‘old school’ em detrimento da internet.

Edward: Sim, senão simplesmente não iria funcionar, estava uma bagunça conciliar tudo. Então, decidimos que nos encontraríamos em um lugar que ficasse mais ou menos no meio do caminho para todos, para que ninguém tivesse que viajar muito mais do que o outro e gastar mais dinheiro e energia simplesmente para se deslocar até lá. Fizemos o pacote completo, reservamos um hotel e tudo. Não poderíamos simplesmente chegar lá e ficar perdendo tempo, pois isso ia pesar no bolso e na consciência de todos. Logo depois de tomar essa atitude, descobrimos que ficamos muito mais produtivos. Na verdade, ficamos absolutamente focados nisso praticamente todos aqueles finais de semana. Mesmo que estivéssemos todos juntos durante o dia, sair juntos depois do ensaio foi algo que realmente ajudou, porque, você sabe, continuávamos falando sobre o álbum, sobre detalhes das músicas, coisas que poderíamos fazer no próximo ensaio, essas coisas. Assim trabalhamos muito mais, e as coisas ficaram mais fáceis e rápidas. Não sei, acho que quando você percebe que as coisas estão andando e começa a se sentir o dono da situação, você vai ganhando mais confiança e as coisas simplesmente vão dando certo. Outra parte bem desafiadora foram os vocais, uma vez que eu nunca tinha feito nada assim antes, quer dizer, é difícil trabalhar em algo colaborativo.

Eu ia justamente perguntar sobre isso. Você gravou todos os álbuns do Devil Sold His Soul, mas essa é a primeira vez que divide os vocais em um álbum, embora Paul Green já esteja com vocês há cerca de dez anos.

Edward: Sim, e isso que você está destacando foi algo fundamental nesse processo. Acho que tudo teria sido muito mais difícil se não tivéssemos tido todo esse tempo de contato para podermos nos entrosar e entender. Se Paul e eu não estivéssemos nos dando muito bem depois de todos esses quase dez anos de shows e viagens, isso não poderia ter corrido muito bem. Mas a verdade é que estivemos muito próximos durante todos esses anos, cantando juntos, isso foi meio que um aquecimento para que alcançássemos um real entendimento musical mútuo. O fato de sermos ambos caras um pouco tímidos também ajudou, pois não havia egos no meio do caminho para atrapalhar, apenas queríamos fazer a coisa certa, e pensamos de forma muito parecida sobre muitas coisas. Então, foi desafiador porque foi algo novo, mas também foi divertido quando finalmente peguei o jeito.

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