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DRAGONLAND: ATRAVÉS DAS GALÁXIAS INFINITAS

Por Valtemir Amler

Dentre as tantas coisas que ao longo dos anos se transformaram em marcas e tradições do chamado power metal melódico, as narrativas repletas de elementos derivados da literatura de fantasia certamente têm um lugar especial não apenas no coração dos fãs, mas também dos músicos do estilo. Se o Blind Guardian é, talvez, o exemplo mais conhecido dessa relação, outros milhares de nomes contribuirão para que essa tradição se estabelecesse, e o sueco Dragonland é mais um deles. Formado em 1999 em Gotemburgo, o sexteto já começou em grande estilo, lançando logo de cara um álbum temático, e baseado em uma narrativa original: The Battle of the Ivory Plains (The Dragonland Chronicles Part I) (2001) mostrou ao mundo não apenas uma banda criativa e muito segura de suas habilidades de composição e execução musical, mas também que se tratava de um grupo de músicos apaixonados pela narrativa de ficção, e que eram habilidosos o suficiente para converter a história escrita para a linguagem musical. Sua narrativa ganhou um novo capítulo já no ano seguinte, com Holy War e então, apenas em 2011 eles retomariam essa narrativa com aquele que é seu quinto álbum completo e parte final da trilogia (ao menos até agora) com Under the Grey Banner. É certo que inspiração e criatividade nunca foram problema para eles, mas a banda viveu um longo hiato discográfico desde então, quebrado com o lançamento de The Power of the Nightstar (2022). Mais do que um novo álbum, ele é um novo capítulo, ampliando os horizontes musicais e líricos da banda, que desta vez aposta em uma narrativa de ficção-científica.

Muito tempo se passou desde o lançamento de Under The Grey Banner (2011), o mundo mudou muito desde então e imagino que a vida de cada um de vocês também mudou nesse período. Como foram as coisas para vocês durante entre longo intervalo entre os álbuns?

Elias Holmid: A vida tem sido boa, as coisas realmente evoluíram nesse período. Formamos nossas famílias, vieram filhos, então é aquilo que você imagina, todas essas coisas demandam muito do nosso tempo, que ainda precisa ser dividido com o trabalho diário, pois você precisa se manter e tudo mais. Só para servir como parâmetro de comparação, antes de Under The Grey Banner eu ainda era estudante, e Olof Mörck (N.R: guitarrista e mais antigo parceiro musical de Elias) ainda tinha algum tempo em mãos, pois o Amaranthe ainda não tinha realmente se firmado na época. Naqueles dias era muito mais fácil sentar todos juntos e compor um novo álbum, pois todos tínhamos tempo para isso, mas logo em seguida comecei a trabalhar em tempo integral, o Amaranthe explodiu no mundo todo, e a coisa ficou muito difícil. Nós dois já não podíamos mais nos encontrar porque estávamos presos em nossas agendas, então como poderíamos escrever um novo álbum? Chegou um momento em que pensei, ‘vou começar a escrever por mim mesmo, e veremos o que acontece’. Jesse Lindskog (também guitarrista, ex-Nostradameus) se juntou ao processo e começamos a escrever juntos, e eventualmente, após onze anos, tínhamos um álbum pronto (risos).

Vocês foram, imagino, colecionando ideias ao longo do tempo, trabalhando com o tempo contado no relógio, certo?

Elias: É, tivemos que ir nos adequando com o tempo que tínhamos em mãos, e por isso as coisas acabaram ocorrendo sem a frequência que gostaríamos. Para você ter uma ideia, eu e Olof escrevemos as primeiras partes juntos para uma música desse álbum em 2014. Bem, nós escrevemos pequenas partes que depois vamos unindo para formar canções, e em 2014 tivemos as primeiras ideias para aquela que seria A Threat from Beyond the Shadows, e então só escrevi outra faixa em 2016 (risos). Foi apenas em 2018 que começamos realmente a nos esforçar e empurrar as coisas adiantes para que o álbum realmente acontecesse. É uma sensação estranha, pois estivemos tão ocupados durante esse tempo que nem parece que tanto tempo se passou, mas então eu olho para os números e vejo, onze anos! Cara, isso é muito, muito tempo mesmo (risos). É bom que esse novo álbum finalmente esteja lançado.

Além daquilo que se refere a banda em si, algum outro fator contribuiu para esse atraso?

Elias: Sim, um pouco. A indústria da música mudou nesse período, quando fizemos Under The Grey Banner, entregamos as ‘masters’ para a gravadora um dia, e dois meses depois o álbum estava lançado. Agora, com The Power Of The Northstar, entregamos as ‘masters’ em março ou abril, e o álbum só foi lançado em outubro, pois existe todo um novo processo de divulgação que envolve o lançamento de vídeos, singles, lyric videos e todas essas coisas. São várias pequenas demoras que, somadas, fazem uma grande diferença.

É verdade. Chegou a um ponto em que muitas pessoas já não sabiam se a banda estava ativa ou não.

Elias: Sim, isso acabou acontecendo, e por um lado, até acho que é algo normal. Quer dizer, foram onze anos sem um novo álbum, sem singles ou grandes notícias aparecendo na mídia especializada, e para piorar, nunca fomos o tipo de banda que atravessa o mundo em grandes turnês mundiais. Sempre preferimos fazer apenas alguns shows aqui e ali, e fizemos isso durante esses onze anos, mas era tão esporádico que parecia mais um daqueles eventos ‘uma noite, uma chance de ver’ do que uma banda realmente ativa.

Apesar disso, é seguro afirmar que a popularidade de vocês não declinou nesse período.

Elias: Pois é, isso é algo que me deixa muito feliz. Claro que não estamos fazendo isso para receber elogios dos outros, mas para um músico, é muito elogioso perceber que as pessoas ainda valorizam sua música, mesmo anos e anos depois dela ter sido originalmente lançada. Eu só posso ser grato a todas essas pessoas que mantiveram o nosso nome vivo ao longo dos anos, nunca esperamos uma resposta tão positiva quanto tivemos ao anunciar que lançaríamos um novo disco.

Falando sobre o novo álbum, uma das coisas que chamam a atenção nele é essa aproximação lírica aos temas de ficção-científica, já que vocês sempre foram mais identificados com as narrativas de fantasia. Você é fã de sci-fi?

Elias: Entendo o que você quer dizer. Bem, pessoalmente eu cresci lendo muito as obras de J.R.R. Tolkien e sempre estive muito conectado com fantasia, mas sempre fui apaixonado por sci-fi. Provavelmente a minha introdução a ficção científica não veio dos livros e nem dos filmes, mas sim dos videogames, pois eu vivia jogando e a maior parte dos jogos tinham esse apelo, essa coisa do espaço sideral, batalhas intergalácticas, civilizações alienígenas em colapso, você sabe, todas essas coisas legais. Eu não saberia dizer quanto a Olof e os outros o quanto eles estão ligados ao tema, mas todos somos bem nerds quando aos nossos filmes, livros e jogos favoritos, isso posso afirmar com segurança (risos).

Você é o tecladista, e, por alguma razão, sempre senti que eles são os grandes entusiastas da ficção-científica dentro das bandas.

Elias: É, acho que isso pode ser verdade. Também não saberia dizer a razão, mas talvez tenha a ver com a natureza do instrumento. Comparado com guitarra, baixo e bateria, um teclado parece algo muito tecnológico, cheio de teclas que são como botões, um monte de predefinições eletrônicas e tudo mais. Talvez seja isso, mas também somos fissurados em fantasia, pois os teclados ajudam muito na hora de criar aqueles climas mais épicos e atmosféricos.

É verdade. Bem, desde criança sou fanático por sci-fi, e sempre quis tocar teclado, mas nunca consegui ser bom nisso, e fui para a guitarra. No teclado consigo me virar muito bem com a mão esquerda, mas, por algum motivo, com a mão direita só consigo segurar uma palheta.

Elias: Ah, eu entendo exatamente o que você está dizendo (risos gerais). Eu tenho o mesmo problema, mas em relação a guitarra. Quando pego uma guitarra nas mãos, me viro bem com a mão esquerda, mas com a direita quero ficar dedilhando as cordas o tempo todo (risos). Você sabe, por conta da tendência que temos no teclado, de trabalhar com cada dedo individualmente (risos). Ser multi-instrumentista é mais difícil do que parece (risos).

Você pode nos falar um pouco sobre o conceito em torno de The Power Of The Nightstar?

Elias: Claro. Este é um disco conceitual, em que acompanhamos uma espécie alienígena que está em busca de um novo lar, já que o seu planeta natal foi destruído. Nessa busca eles acabam viajando por várias galáxias, e a história vai evoluindo aos poucos. No início eles estão acordando de um sono criogênico, e encontram um planeta que supõe poder ser seu lar. Lá eles acabam sendo caçados por essa outra espécie, que vive basicamente disso, de tomar, assimilar e usufruir da tecnologia de outros povos, um povo muito violento, agressivo, que estão acostumados a tomar tudo a força. Como nossos protagonistas são um povo pacífico, eles não têm como revidar, então acabam tendo que fugir. A questão é que eles continuam sendo caçados por toda a galáxia, e essa falta de perspectiva de paz faz com que eles comecem a avaliar o uso da violência. Eles têm essa antiga arma proibida, extremamente perigosa, e começam a pensar em enfim usá-la. O resto vocês precisam acompanhar pelo disco (risos).

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