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DREAM FESTIVAL – 7 de dezembro de 2019 – São Paulo/SP

Arena Anhembi - São Paulo/SP

Texto: Thiago Rahal Mauro

O Dream Festival, evento capitaneado pelo Dream Theater, aconteceu no último dia 7 de dezembro na Arena Anhembi, em São Paulo. Com ótimo público e forte apelo dos fãs das mais variadas vertentes do Metal nacional e internacional, o festival contou com bandas do calibre de Dream Theater (Estados Unidos),  Killswitch Engage (Estados Unidos), Sabaton (Suécia), Turilli/Lione Rhapsody (Itália) e Reckoning Hour (Brasil).

O local escolhido para o evento contou com uma ótima estrutura de palco, para merchandise, fast foods para alimentação e o som que ecoava dos PAs estava muito bom o tempo todo. O único pecado era não ter telão funcionando para todas as bandas do festival, pois quem estava um pouco longe na pista comum tinha certa dificuldade de assistir. No mais, a estrutura no geral foi muito bem feita e pensada.

Pontualmente no horário marcado pela produção, a banda carioca Reckoning Hour abriu os trabalhos do festival. Formada por JP (vocal), Philip Leader (guitarra), Lucas Brum (guitarra), Johnny Kings (bateria) e Cavi Montenegro (baixo), o grupo apresentou um show impecável e divulgou seu mais recente álbum, “Beyond Conviction”, com destaque para “Away From The Sun”, “Above The Fire” e “The Gathering”. O Reckoning Hour é uma banda pronta para cair em turnê tanto no Brasil como na Europa e Estados Unidos. Merecem um destaque maior pela qualidade que tem.

Na sequência do festival, foi a vez do Turilli/Lione Rhapsody estrear seu novo formato no Brasil. Para quem ainda não sabe ou não está habituado, esta banda surgiu após o fim da “Rhapsody Reunion Tour”, que contou com integrantes do Rhapsody original. Os músicos decidiram seguir em frente com material inédito e um pouco diferente do que costumavam fazer na antiga banda, com uma sonoridade moderna e mais pesada. O line-up conta com Fabio Lione (vocal), Luca Turilli (guitarra), Dominique Leurquin (guitarra), Patrice Guers (baixo) e Alex Holzwarth (bateria).

O show começou a apoteótica “Phoenix Rising”, do álbum “Zero Gravity”, de 2019. Os fãs reagiram bem, mas a apresentação incendiou (literalmente, o calor naquele momento estava descomunal) com o clássico “Dawn Of Victory”. Após outra nova música, “Zero Gravity”, a banda resolveu emendar um hit atrás do outro do Rhapsody como “Land Of Immortals”, “Holy Thunderforce” e “Lamento Eroico”. Destaque para a presença de palco de Fabio Lione, muito mais solto e a vontade do que de costume. Ele literalmente estava em sua zona de conforto, apresentando o que sabe de melhor no palco. Alex Holzwarth e sua precisão na bateria também foi um destaque. A banda fechou com a rápida e pesada “Unholy Warcry” e mostrou que esta nova fase está coesa com a proposta atual. Esperamos que a banda volte a São Paulo em breve.

Com os gritos ensurdecedores dos fãs, os suecos do Sabaton entraram no palco pontualmente às 18h. Formado por Joakin Brodén (vocal), Tommy Johansson (guitarra), Chris Rörland (guitarra), Pär Sundström (baixo) e Hannes Van Dahl (bateria), o grupo começou a apresentação com “Ghost Division”. A banda estava divulgando o novo álbum “The Great War”, que tem como temática a Primeira Guerra Mundial, conhecida de “A Grande Guerra” pelos mais aficionados do tema.

Os shows do Sabaton impressionam pela presença de palco de seus integrantes. Os músicos se entregam o tempo todo e entregam bastante energia ao vivo. O visual também é um show à parte. “The Great War” e “The Attack Of The Dead Men” são dois exemplos de como um setlist bem encaixado faz a diferença no começo do show.

Outros grandes momentos da apresentação foram quando o Sabaton apresentou “The Red Baron”, “Swedish Pagans” e a música “Smoking Snakes”, que conta a história dos soldados Cobra Fumantes do Exército Brasileiro. Vale ressaltar que o Joakin Brodén é bastante comunicativo com o público e isso torna o show bem dinâmico  A banda encerrou o show com “To Hell And Back”, um dos maiores clássicos da banda e que foi cantado em uníssono pelos fãs.

A banda Killswitch Engage foi a próxima do Dream Festival. Formada por Jesse Leach (vocal), Adam Dutkiewicz (guitarra), Joel Stroetzel (guitarra), Mike D’Antonio (baixo) e Justin Foley (bateria), os norte-americanos mostraram porque são um dos maiores representantes do estilo. O show foi um dos mais pesados do festival, com uma energia fora do comum e que agradou até os fãs mais radicais do Dream Theater.

“Unleashead” foi a primeira da noite e era possível ver várias rodas se abrirem na pista da Arena Anhembi. “Hate By Design” e “The Crowless King” seguiram a pancadaria e o som que ecoava dos PAs era muito bom. A banda apresentou um repertório que passou por várias fases da banda, com destaque para “I Am Broken Too”, “As Sure As The Sun Will Rise”, “This Is Absolution” e “Strength Of The Mind”. Para terminar a apresentação, o Killswitch Engage escolheu uma faixa que foi uma surpresa e que não esperava ser apresentada ao vivo. A ótima versão do clássico “Holy Diver”, de Ronnie James Dio, encerrou de uma maneira matadora o show.

Era então chegado o momento da banda principal da noite, a banda ícone do Metal Progressivo mundial, os norte-americanos do Dream Theater. Formada atualmente por John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo), James LaBrie (vocal), Jordan Rudess (teclado) e Mike Mangini (bateria), o grupo veio ao país para divulgar o novo álbum, “Distance Over Time”, de 2019, e também celebrar os 20 anos do álbum “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory”, apresentando este trabalho na íntegra.

Após uma introdução e um vídeo animado, a banda começou o show com a nova “Untethered Angel”, faixa single do último disco. O som estava bem nítido e alto, apenas o baixo de Myung soava estranho, um pouco mais alto que os demais talvez, mas que melhorou ao longo do show. Na sequência, “A Nightmare To Remember”, de 2009, coincidência ou não, foi uma das faixas do teste que fez Mike Mangini entrar definitivamente no Dream Theater. “Paralyzed” e “Barstool Warrior”, ambas do último álbum, mostraram que as composições foram feitas para tocar ao vivo. Mais dinâmicas, mas sem deixar as características da banda de lado.

“In The Presence Of Enemies, Part I”, de “Systematic Chaos”, de 2007, foi outra surpresa agradável. James Labrie brincou com os fãs e perguntou se todos estavam prontos para três horas de show e anunciou “Pale Blue Dot”, faixa que terminou o primeiro ato do show com muita técnica, classe, melodia e sentimento.

Após um breve intervalo, a introdução do telão animou os presentes com artes relacionadas ao “Scenes from a Memory”. Logo em “Regression”, muitos fãs já começaram a bradar cada letra dessa bela introdução. Eu vi muitas pessoas chorarem somente por isso. As magníficas “Overture 1928” e “Strange Déjà Vu” foram apresentados com perfeição. Existem os que sentem falta de Mike Portnoy na banda, principalmente com este disco, eu, inclusive, mas Mangini não fez feio, pelo contrário.

Com “Fatal Tragedy” e “Beyond This Life”, o Dream Theater mostrou novamente o porque eles são a maior banda de metal progressivo do planeta. Que músicas! Após a música “Through Her Eyes”, cantada em uníssono pelo público, o roadie de Jordan Rudess foi homenageado pelo seu aniversário com um bolo no palco, com toda a equipe da banda, que também ovacionada pelos músicos..

Já em “Home”, os fãs participaram bastante cantando o refrão a plenos pulmões. “The Spirit Carries On”  e sua melodia regada com feeling acima da média arrancou lágrimas de todos os presentes. Não teve uma pessoa sequer que não chorou. Com “Finally Free”, a banda finalizou o disco com a maestria que lhe é peculiar. O final dessa faixa é algo fora do comum e que arrepia só de lembrar.

Após outro breve intervalo para o Bis, o Dream Theater volta ao palco para terminar a apresentação com a nova e épica “At Wit’s End”, sem dúvida um dos pontos altos do último álbum “Distance Over Time”. Podem falar o que for sobre esta nova fase do Dream Theater, mas eles continuam excelentes ao vivo e tem material de sobra para proporcionar um bom show aos seus fãs. A ideia do festival foi excelente e deve continuar todos os anos no Brasil ou em outras cidades do mundo. Parabéns a Liberation pela iniciativa e que perdure por muitos anos.

 

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