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Festival I WANNA BE – São Paulo (SP)

02 de março de 2024 – Allianz Parque

Por Guilherme Góes

Fotos: Leonardo Benaci

Nos anos 2000, bandas como Simple Plan, Green Day, Good Charlotte e Sum 41 conquistaram os holofotes da mídia global e dominaram as paradas musicais. Os videoclipes desses grupos geralmente apresentavam uma estética humorada, enquanto as letras de suas canções cativavam a atenção do público adolescente, abordando temas como diversão, festas e a liberdade de uma vida sem preocupações. Já no cenário brasileiro, bandas como Forfun, CPM22, Dibob e NX Zero representavam o estilo, exibindo suas produções em emissoras como a extinta MTV e nas principais estações de rádio dedicadas ao Rock, como 89fm e a Rádio MIX.

Com o passar do tempo, a importância do emocore revelou-se crucial para a música Rock como um todo, chegando a ser considerada por muitos críticos como a “última onda do Rock na grande mídia”. No entanto, durante o auge desses grupos nas TVs e rádios, os músicos eram frequentemente rotulados como “artistas sem expressão”, uma vez que suas composições abordavam temas direcionados a um público jovem, na faixa etária de 12 a 17 anos. Como resultado, profissionais da indústria musical, como jornalistas, produtores e coordenadores de eventos, bem como os ouvintes mais conservadores do universo hardcore, metal e Rock tradicional encaravam o emocore como um “fenômeno adolescente”, desvalorizando o movimento como algo de pouca importância.

No entanto, quase duas décadas após essas conclusões precipitadas (muitas vezes fundamentadas em puro preconceito), tornou-se evidente que os especialistas e críticos musicais estavam completamente equivocados. No último sábado (02), mais de 50 mil pessoas lotaram o Allianz Parque, também conhecido como “Estádio do Palmeiras”, para vivenciar o festival “I Wanna Be” – nada menos que a maior celebração dedicada ao emo já registrada no Brasil.

Altamente inspirado no evento norte-americano “When We Were Young”, que nasceu em Las Vegas com o propósito de celebrar o legado do movimento, a produção organizada pela marca 30e reuniu nada menos que 11 dos maiores nomes desse fenômeno. A diversidade musical do festival abrangeu desde bandas nacionais como NX Zero, Fresno e Pitty até renomados representantes internacionais, incluindo Simple Plan, A Day To Remember, Boys Like Girls, Asking Alexandria, All Time Low, entre outros.

Experiência geral e shows

O evento adotou uma dinâmica com dois palcos simultâneos – o “It’s Not a Phase” e o “It’s a Lifestyle” — uma abordagem não muito comum em festivais sediados em estádios. A vantagem dessa configuração foi que, ao encerrar um show, imediatamente começava outro set. Contudo, para aqueles que desejavam fazer uma pausa para comer ou ir ao banheiro entre as atrações, havia o risco de perder alguns minutos das apresentações.

Como de praxe, o festival também contou com a presença de algumas atrações secundárias, que enriqueceram a experiência global. A marca de roupas Vans se destacou no evento, proporcionando uma cabine para fotos polaroides, além da distribuição de brindes e produtos. Além disso, nos corredores do estádio, os participantes puderam explorar estandes com merchandising exclusivo e barracas de alimentação e bebidas.

Os portões foram abertos pontualmente às 10h para o público geral, enquanto o tão apelidado “Café com a Fresno” – como os fãs carinhosamente denominaram o set da banda gaúcha – começou às 11h. Surpreendentemente, apesar do horário, o público compareceu em peso, preenchendo todos os setores do estádio.

Recentemente, a banda tem se destacado com shows focados em seu último álbum, “Vou Ter Que Me Virar”, lançado em 2021, caracterizado por uma sonoridade mais voltada para o indie/eletrônico. No entanto, para a ocasião, os músicos presentearam os fãs com um setlist repleto de hits da época emo. “Quebre as Correntes” inaugurou a apresentação, com centenas de vozes entoando em uníssono o sucesso que era praticamente onipresente na programação do “Disk MTV” em 2005. Em seguida, vieram “Redenção”, “Porto Alegre” e “Diga, Parte 2”. Durante “Eu Nunca Fui Embora”, single do novo disco, os fãs organizaram uma ação interessante, erguendo bexigas personalizadas com o título da música para enfeitar a performance. Sem dúvida, o evento não poderia ter começado de maneira mais memorável.

Após uma dobradinha de pop punk com Plain White T’s e Mayday Parade, Pitty assumiu o palco para destacar a força feminina no cenário do rock nacional. A cantora baiana entregou um set notavelmente semelhante ao apresentado no Festival Turá em junho de 2023, centrando-se em um repertório especial em homenagem aos 20 anos do álbum “Admirável Chip Novo” – trabalho que conta com certas influências de hardcore e new metal. Contra algumas expectativas, Pitty e seus músicos de apoio optaram por não executar o álbum na íntegra, escolhendo apenas alguns dos principais singles, como “Teto De Vidro”, “Máscaras” e “Equalize”. Após revisitar seu primeiro trabalho, a artista liderou o primeiro moshpit generalizado do evento durante “Memórias”, com dezenas de participantes tanto na pista comum quanto na premium. Para encerrar com chave de ouro, apresentou seus dois principais hits com uma sonoridade voltada ao emo: “Na Sua Estante” e “Me Adora”.

Ainda palco “It’s a Lifestyle”, a apresentação do Asking Alexandria, um dos grandes nomes do metalcore da década de 2000, era ansiosamente esperada pelos fãs da música mais pesada. Infelizmente, a experiência foi frustrante devido ao som baixo, percebido até a metade do set. Em alguns momentos, a voz de Danny Worsnop mal era audível, pois o som da bateria literalmente sobrepujava todos os shows.

Além disso, para aqueles que esperavam um set repleto de faixas robustas dos álbuns “Stand Up and Scream” (2009) e “Reckless & Relentless” (2011), a decepção foi inevitável. Os músicos optaram por explorar faixas do recente “Where Do We Go from Here?” (2023), como “Dark Void”, que apresenta uma sonoridade mais contemporânea, assemelhando-se ao trabalho dos compatriotas do Sleep Token, além de uma versão acústica de “Someone, Somewhere”. Entre os clássicos do metalcore, apenas “The Final Episode (Let’s Change the Channel)” deu as caras. Sem dúvida, para os fãs mais dedicados que aguardaram anos pelo retorno do grupo ao Brasil, a experiência foi consideravelmente desanimadora.

Enquanto o Asking Alexandria deixou a desejar, o mesmo não pode ser dito do The Used, que entregou uma apresentação eletrizante no palco “It’s Not a Phase”, repleta de entusiasmo. Em sua primeira visita ao país em doze anos, o grupo post-hardcore apresentou um setlist recheado de seus maiores sucessos. “Pretty Handsome Awkward” iniciou o set, seguida pelo single explosivo “Take it Away”, que levou a plateia à loucura logo de cara.

Com uma decoração caprichada, que variava entre imagens da banda ao vivo, animações e explosões de cores, e o vocalista Bert McCracken proporcionando uma performance incrível, interagindo intensamente com os fãs, pulando pelo palco, mostrando o dedo do meio e até arriscando alguns screamos (algo que tem evitado desde o final dos anos 2000 devido a um problema nas cordas vocais), o quarteto mandou uma sequência de hits que marcaram a adolescência de centenas de emos. Canções como “I Caught Fire”, “The Taste Of Ink”, “Blue and Yellow”, “All That I’ve Got” e “Buried Myself Alive” ressoaram pela pista. Além disso, “Giving Up”, single do recente álbum “Toxic Positivity”, também marcou presença e foi recebida como uma antiga conhecida pela plateia. Neste momento, Bert McCracken fez um emocionante discurso sobre a luta contra a depressão e ansiedade.

Para encerrar o set, Lucas Silveira foi convidado para cantar “A Box Full of Sharp Objects”. Como grande fã, o vocalista e guitarrista da Fresno compartilhou que estava “realizando o sonho de todos os emos” e não escondeu sua alegria por dividir o palco com seus ídolos. O encerramento ainda contou com um pequeno trecho de “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, proporcionando um momento especial próximo ao fim do show.

A Day to Remember assumiu a responsabilidade de encerrar as apresentações no palco “It’s Not A Phase”. Os “rapazes de Ocala”, como são carinhosamente conhecidos pelos fãs, haviam se apresentado no país pela última vez em 2022, como parte do Lollapalooza Brasil. Menos de dois anos depois, retornaram como um dos headliners da noite.

Com “The Downfall of Us All” e “All I Want” na abertura do set, eles preencheram o estádio com a agressividade característica de riffs breakdown. Em “Paranoia”, o vocalista Jeremy McKinnon convocou um circle pit, e o público respondeu prontamente, gerando a maior roda punk de todo o festival. O setlist ainda incluiu faixas como “Degenerates”, “Have Faith in Me”, “Miracle”, “Mr. Highway’s Thinking About the End” e “Rescue Me”, um single feito em parceria com DJ Marshmello. Durante todo o show, roadies entraram no palco arremessando rolos de papel higiênico e bolas de plástico. Em certo momento, um membro da equipe em um cosplay do personagem Mario surgiu com uma arma de pressão, disparando camisetas para a plateia. Sem dúvida, essas interações foram fundamentais para aumentar ainda mais o clima de insanidade total.

O encerramento foi marcado por uma dobradinha com a acústica “If It Means a Lot to You” e “All Signs Point to Lauderdale”. Nesse momento, as luzes do estádio se apagaram, e o público acendeu as lanternas de seus celulares, criando uma cena memorável.

Há exatos 10 anos, A Day To Remember se apresentava para 1.500 pessoas no Carioca Club. Uma década depois, encerraram um dos palcos principais em um festival, tocando para mais de 50 mil pessoas. Certamente, o progresso notável dos rapazes apenas demonstra a qualidade e profissionalismo de seu trabalho, consolidando-os como um dos maiores nomes da última geração na música.

Ao reunir 50 mil pessoas para celebrar 11 bandas durante mais de 12 horas sob um calor intenso, o festival “I Wanna Be” demonstrou que o emo permanece vibrante no Brasil, desmentindo a ideia de que tenha sido apenas um fenômeno adolescente passageiro.

Nota: A cobertura não abrange todos os shows, uma vez que algumas atrações não se encaixam no perfil editorial.

 

Setlist – Fresno:

Quebre as Correntes

Redenção

Porto Alegre

Diga, Parte 2

Cada Acidente

Infinito

Deixa o Tempo

Eu Sei

Evaporar (Snippet)

Eu Nunca Fui Embora

Já Faz Tanto Tempo Desde Quando Você Se Foi

Casa Assombrada

Setlist – Pitty:

Teto de Vidro

Admirável Chip Novo

Máscara

Equalize

I Wanna Be

Semana que Vem

Memórias

Pulsos

Na Sua Estante

Me Adora

Setlist – Asking Alexandria:

Closure

Alone Again

Down to Hell

Into the Fire

Where Did It Go?

Dark Void

The Violence

Someone, Somewhere (Acoustic)

To the Stage

A Prophecy

The Final Episode (Let’s Change the Channel)

Alone in a Room

Setlist – The Used:

Pretty Handsome Awkward

Take It Away

The Bird and the Worm

Blood on My Hands

Fuck You Listening

Giving Up

I Caught Fire

All That I’ve Got

Buried Myself Alive

The Taste of Ink

A Box Full of Sharp Objects

Setlist – A Day to Remember:

The Downfall of Us All

All I Want

Paranoia

Degenerates

2nd Sucks

Right Back at It Again

Mr. Highway’s Thinking About the End

Rescue Me (Marshmello cover)

Have Faith in Me

Mindreader

I’m Made of Wax, Larry, What Are You Made Of?

Miracle

Resentment

If It Means a Lot to You

All Signs Point to Lauderdale

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