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GRETA VAN FLEET – ROCK’N’ROLL MONUMENTAL

Pré-pandemia e quando a pandemia felizmente parece estar se encaminhando para entrar nos livros de História. Estes são os dois momentos do Greta Van Fleet no Brasil, que volta a receber os irmãos Kiszka – Josh (vocal), Jake (guitarra) e Sam (baixo) – e Danny Wagner (bateria) para uma série de cinco shows no início de maio. Depois das apresentações em 2019 – Lollapalooza, Rio de Janeiro (clique aqui para ler a resenha) e São Paulo – que mostraram a então nova sensação do rock’n’roll, o quarteto faz seu único show solo no Rio, no dia 3 de maio, no Qualistage, antes de se juntar ao Metallica para mais quatro datas: Porto Alegre (5), Curitiba (7), São Paulo (10) e Belo Horizonte (12). E a RODIE CREW bateu um papo com o simpático Wagner para falar da turnê e mais um pouco: o último disco, “The Battle at Garden’s Gate” (2021); o saudoso Taylor Hawkins, batera do Foo Fighters que faleceu no último dia 25 de março; as comparações com Led Zeppelin… Confira!

As coisas estão melhorando aos poucos, mas como você tem passado nesta pandemia?
Danny Wagner: Pois é, cara… Essa pandemia é uma coisa estranha, né? Nós éramos como um grande trem viajando a 100 km/h, em turnê, e de repente paramos completamente! E foi muito estranho. Tivemos que nos adaptar a ficar em casa e aproveitar essa oportunidade para sermos criativos, compor e fazer arte de outras maneiras, então foi como uma faca de dois gumes. Nós tivemos bastante tempo para reavaliarmos nossa música e construir um novo catálogo, para quando voltássemos às turnês tivéssemos muito mais músicas, e isso foi bom. Porém, sentíamos muita falta de tocar ao vivo, e por isso estamos tão animados de voltar a tocar na América do Sul e reviver aquilo que deveria ter acontecido dois anos atrás. Estou animado com a possibilidade de voltar a interagir com as pessoas novamente.

E como está Jake agora? Espero que ele esteja 100% recuperado da pneumonia…
Danny: Jake está muito melhor. Nós nos falamos ontem (N.R.: a entrevista foi realizada no dia 4 de abril), e ele recuperou a energia. É um processo lento de recuperação. Pneumonia é algo assustador, por isso estamos felizes por ele estar melhorando e, na verdade, mais saudável do que antes. Isso é ótimo.

E vamos falar sobre a turnê no Brasil. A banda esteve aqui pela primeira vez em 2019, mas agora a banda faz parte de um pacote muito interessante: com o Metallica. Como está a expectativa?
Danny: Eles são os caras mais gentis! Quando nos convidaram para dividir o palco com eles há alguns anos, inicialmente quando deveríamos ter tocado aí, nós estávamos extasiados! Achamos que seria uma grande oportunidade tocar em lugares muito grandes, o que esperamos poder fazer isso sozinhos um dia, e isso é um momento muito importante para uma banda jovem: ter a experiência de tocar em shows assim. O Metallica também dá um grande exemplo, porque é tocar com uma grande banda que é tão querida e que te recebe tão bem, com tanto carinho, então esperamos ser como eles no futuro. Esses caras têm seus próprios fãs, nós temos os nossos, e é muito legal vê-los se misturando. Tocamos com eles em dois shows nos EUA e conhecemos pessoas maravilhosas. Então, estamos muito animados para ver o público brasileiro, o público sul-americano, porque vocês são os verdadeiros adoradores da música! Todo mundo ama música no Brasil, e isso me deixa muito empolgado!

Eu diria que esse combo pode ser peculiar no Brasil, porque nos EUA e na Europa é comum juntar duas bandas diferentes como Greta Van Fleet e Metallica. Mas vocês foram abraçados pelos fãs de heavy metal por aqui, o que é muito legal. Qual é o seu pensamento sobre isso?
Danny: Eu estou completamente maravilhado com isso por duas razões: a primeira é que mostra que a música, em geral, une as pessoas, e é a música que importa nos shows. Entendo o que você está falando porque vi muitas camisetas do Metallica na plateia, o que achei o máximo, porque eles tocam uma música diferente da nossa, mas somos similares de certa forma. São quatro caras que sobem no palco, ligam seus instrumentos e tocam sem truques ou dispositivos. Eles se conectam com o público de maneira totalmente humana, e nós tentamos fazer a mesma coisa com os nossos shows. Subimos ao palco, ligamos os instrumentos e tocamos e não fazemos questão de nenhuma firula ou truques, porque queremos ter a interação com o público sem perder nada! Esse é o segundo ponto pelo qual nossos públicos conseguem se conectar, e eu acho muito legal. É bem especial.

De volta à turnê, ela começa para o Greta Van Fleet com um show próprio no Rio de Janeiro. Quais são suas lembranças do show na cidade há três anos (N.R.: no dia 5 de abril 2019)?
Danny: Lembro-me que foi um dos nossos primeiros shows na América do Sul, era tudo novo para nós e foi muito especial. A única grande lembrança que eu tenho é que aquele foi o melhor público que já tivemos! Todas aquelas pessoas genuinamente mostraram gostar de música e de rock’n’roll, o que foi algo muito estimulante de ver.

Greta Van Fleet
Jake Kiszka, Josh Kiszka, Sam Kiszka e Danny Wagner: rock’n’roll de gente grande


Perguntei isso porque tem algo interessante aqui: em 2019, o Greta Van Fleet fez um show esgotado para cinco mil fãs no Rio, e agora a apresentação será num local maior, para oito mil fãs. Portanto, há uma demanda crescente pela banda. Você esperava isso no Brasil?
Danny: Eu nunca esperei por isso, mas nós sempre tivemos esperança de que um dia acontecesse. Não se deve mesmo esperar por nada, mas devemos apenas trabalhar para fazer com que aconteça, então ficamos muito honrados com essa oportunidade. É bastante especial poder não somente viajar o mundo todo, mas também alcançar mais pessoas em todos os lugares por onde passamos. Acho que essa é a característica mais importante de tudo isso. Não é somente pelo tamanho do lugar, mas também a quantidade de pessoas que você poderá alcançar naquele momento. É muito legal!

Vamos falar um pouco sobre o último álbum, “The Battle at Garden’s Gate”. Ele foi lançado em plena pandemia (N.R.: no dia 16 de abril de 2021), mas a banda conseguiu sair e tocar algumas datas nos EUA. Como foi a sensação?
Danny: Foi muito estranho! Estávamos acostumados a ter turnês de meses, a seguir fazendo shows, mas, enquanto a turnê continuava, íamos vendo como as coisas aconteciam e desenvolvíamos conexões com o público, então foi meio curioso começar e parar. Honestamente, naquele ponto, estávamos tão agradecidos por poder estar num palco, na frente das pessoas novamente, que não teve importância. A primeira apresentação depois da pandemia teve uma sensação especial, porque nós sentíamos saudade das turnês, mas não sabíamos o quanto sentíamos até pisarmos no palco. Isso nos tornou completos novamente! Estamos agradecidos por voltar a tocar ao vivo!

Aqui vai uma curiosidade minha: “The Battle at Garden’s Gate” foi produzido por Greg Kurstin, que trabalhou recentemente com o Foo Fighters (N.R.: nos álbuns “Concrete and Gold”, de 2017, e “Medicine at Midnight”, de 2021). Então, como baterista e talvez num nível pessoal, como a trágica morte do saudoso Taylor Hawkins afetou você?
Danny: Afetou bastante. Eu o considerava um amigo. Nós nos falávamos por telefone de vez em quando, e Taylor viu algo em mim que outros bateristas não viram na época. O fato de ele expressar seu cuidado e carinho mostrava como era uma pessoa genuína. Eu ainda não consegui processar o que aconteceu. Foi muito triste, e nós quatro sentimos isso, porque o Foo Fighters foi uma das primeiras bandas a nos colocar debaixo de suas asas. Nós abrimos seus shows algumas vezes, e eles são os caras mais legais que você pode conhecer. Entenderam que o rock’n’roll era a nossa commodity, e ter bandas como a nossa e o Foo Fighters juntas era muito poderoso. Eles sempre terão um lugar em nossos corações. A partida do Taylor foi uma das piores notícias que recebi até hoje.

Falando de coisa boa, ficou muito claro que trabalhar com Greg fez o Greta Van Fleet dar muitos passos à frente…
Danny: Greg é um produtor maravilhoso, e é muito legal que o Foo Fighters tenha sido uma das primeiras bandas de hard rock que ele produziu. Para nós, isso significou que ele tinha um grande espectro de conhecimento sobre gravar e produzir, e Grege sempre quer tirar o melhor da banda. Quando o conhecemos, ficou claro que ele é um verdadeiro amante da música. Ele ouve de tudo, assim como nós, e, por ter essa experiência com o Foo Fighters, sabia como fazer um álbum soar grande e bem. Sabíamos que era o cara certo porque queríamos criar um disco cinematográfico, e Greg fez isso acontecer.

Ainda sobre o último álbum, a banda teve convidados em cinco músicas. “Broken Bells”, por exemplo, é brilhante, mas o resultado da combinação poderia ser descrito na épica obra-prima “The Weight of Dreams”. Como foi trabalhar com um quarteto de cordas?
Danny: Foi marcante! Nós somos muito jovens e ainda estamos meio crus na dinâmica de estúdio. Quando entramos para gravar, tínhamos a ideia de um disco cinematográfico, com uma enorme parede de som, e foi o Greg quem disse: ‘Eu já toquei cordas antes, então posso fazer isso’. Nós nos entreolhamos, fomos para casa e voltamos no dia seguinte ainda sem sabermos como processar. Nunca havíamos feito isso, e ele nos guiou no processo de compor arranjos para as cordas. Creio que “The Weight of Dreams” foi a primeira música que o quarteto tocou, e eu estava muito nervoso, porque somos uma banda de rock’n’roll. Nós não escrevemos nossas músicas em folhas de papel, então levou um pouco de tempo para fazer isso. Além disso, a gravação que usamos como guia somos nós tocando de bobeira. Não usamos metrônomo, então fiquei um pouco nervoso com a possibilidade de termos dificuldades. Mas assim que os caras do quarteto começaram a tocar, todos nós ficamos arrepiados até os cabelos! Foi a coisa mais legal do mundo! Foi realmente muito especial.

Tem algo que eu sempre quis perguntar a um de vocês, e me permita contextualizar, por favor. Quando as pessoas comparam o Greta Van Fleet ao Led Zeppelin, eu tenho uma perspectiva diferente em vez de reclamar como algumas delas. E vou usar o show no Rio de Janeiro, em 2019, como exemplo do meu ponto de vista: se pelo menos metade da metade das pessoas que estavam lá voltaram para casa para descobrir o que é o Led Zeppelin, então o Greta Van Fleet fez um grande favor ao mundo… Mas qual é a sua opinião sobre tudo isso?
Danny: Cara, isso é uma coisa maravilhosa de ouvir! Porque existe realmente uma geração que não faz ideia de que o Led Zeppelin existiu, de onde tudo veio, de onde tudo nasceu! Nós não zombamos das pessoas que nos comparam a eles porque é algo para ser comparado, mesmo! E estamos falando de um dos maiores período da música e do rock’n’roll: o fim dos anos 1960 e o início da década de 1970! Foi uma época monumental! Portanto, ter essa reação das pessoas, só de ter as pessoas falando sobre aquela época é maravilhoso! Nós sempre levamos isso na boa, e agradeço suas palavras e sua perspectiva. Foi muito legal de ouvir!

E de um baterista para outro, com um EP e dois discos já no currículo, você ainda sente calafrios? Ainda fica nervoso quando vai gravar um novo álbum?
Danny: Sim, fico! E acredito que muitos músicos também ficam! Sempre achei que isso acabaria, mas hoje já me dei conta de que eu não quero que isso acabe, não quero deixar de sentir isso, porque é o que me torna humano, e é daí que vêm a adrenalina e a energia. Posso redirecionar isso e aprender a usar a meu favor. Quando entrei num estúdio pela primeira vez, eu era tão novo que obviamente fiquei muito nervoso, nem sabia o que estava fazendo! Na verdade, eu sabia que tinha muito que aprender. Ainda tenho, por isso quero sempre ser assim. E uma das coisas que tive de aprender dentro do estúdio foi que, especificamente, você precisa puxar o som para fora da bateria, e não se trata apenas de ter os melhores microfones ou o melhor cara apertando o botão de ‘gravar’. É claro que tudo isso faz alguma diferença, mas é tudo sobre você. E aprendi, no estúdio, as coisas que gosto: uso baquetas diferentes para fazer sons diferentes, uso a mão direita mais forte ou a esquerda mais forte para ter certeza de que os pratos não fiquem no caminho, e tudo isso fez de mim um baterista muito melhor. E, claro, uma vez que você fique mais à vontade com essas coisas, também fica menos nervoso com toda a situação.

Última pergunta, Danny: quais são os seus cinco discos favoritos de todos os tempos?
Danny: Nossa! Bem, vou começar com alguns dos discos que eu ouvia quando criança, e como eu escutava muito Cream, o “Disraeli Gears” foi um dos primeiros… Aliás, eu comecei a tocar guitarra com 5 anos de idade e só fui para a bateria aos 11 anos, logo antes de entrar para a banda (risos). Ouço um pouco de tudo, então comecei a ouvir Neil Young, e “Harvest” é um dos meus favoritos por ser meio folk e simples. Eu gosto de ter o espectro completo, então segui para os álbuns de Crosby, Stills, Nash and Young, e o “Déjà Vu” se tornou um dos meus discos favoritos de todos os tempos. Eu sempre amei The Doors, e “Waiting for the Sun” foi bem importante para mim. Depois, quando passei para música mais atual, me dei conta de que muitas das coisas que eu amo nos álbuns antigos ainda existem nos trabalhos modernos, assim comecei a ouvir Fleet Foxes, e o “Helplessness Blues” está no meu Top 3 de todos os tempos! Ele tem composições maravilhosas é muito fácil de ouvir. Tem o Arctic Monkeys com “AM”, que é muito bom, e a primeira vez que os vi ao vivo foi naquele Lollapalooza na América do Sul, que foi incrível. Eles são uma ótima banda ao vivo! Esses são apenas alguns discos, mas nós quatro ouvimos trabalhos novos, também, porque gostamos de ouvir tudo, seja novo ou velho, para manter a variedade bem ampla.

Muito obrigado pela entrevista, e o espaço é todo seu caso queira acrescentar mais alguma coisa.
Danny: Eu estou muito empolgado! Espero que todos estejam tão empolgados quanto nós pelo nosso retorno ao seu país! (risos) Mal posso esperar para interagir com vocês de novo, fazer shows maravilhosos com o Metallica, mas também um só nosso no Brasil. Mal podemos esperar para vê-los!

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