O Deep Purple adiou os shows restantes da etapa europeia de sua turnê mundial Splat! após uma emergência médica envolvendo o vocalista Ian Gillan. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (2), dois dias depois de o cantor ser hospitalizado em Leipzig, na Alemanha.
No sábado (31), a banda já havia comunicado o cancelamento das apresentações previstas para aquela noite, na QI Arena, em Leipzig, e para domingo (1º), na Sporthalle, em Hamburgo.
Em comunicado publicado nas redes sociais, Gillan explicou que precisou de atendimento hospitalar urgente e que, apesar da expectativa de conseguir concluir a turnê, os riscos envolvidos eram muito elevados.
“Obrigado por todos os votos de melhoras e pelo apoio nos últimos dias. Isso significa muito para mim. Tive um problema médico em Leipzig que exigiu atendimento urgente no hospital. Eu esperava receber autorização médica para seguir até o fim da turnê, mas existem riscos muito sérios envolvidos. Por isso, seguindo a orientação da minha equipe médica e da administração, decidimos adiar o restante da turnê europeia e britânica até novo aviso. Lamento qualquer inconveniente, mas essa é a melhor decisão para todos. Obrigado pela compreensão.”
Aos 81 anos, o cantor já havia comentado publicamente sobre os desafios de continuar na estrada. Em entrevista à revista Uncut, ele revelou que conserva apenas 30% da visão e que a condição dificulta tarefas cotidianas, como trabalhar diante de um computador.
“Só tenho 30% da visão. Isso não vai melhorar. Torna a vida misteriosa. O mais difícil é trabalhar no laptop. Não consigo enxergar nada na tela a menos que use minha visão periférica. Mas você encontra um jeito. Você se adapta. É dolorosamente cansativo e leva muito tempo para fazer as coisas”, afirmou.
Gillan também falou sobre a possibilidade de deixar os palcos caso não consiga mais manter o desempenho esperado. “Acho que, se perder minha energia, vou parar. Não quero ser motivo de constrangimento para ninguém. Não estamos muito longe disso. Acontece aos poucos, e você nem percebe”, declarou.
Em outra entrevista, concedida no ano passado ao programa The Big Breakfast, da rádio Dubai 92, o vocalista afirmou que a banda não tem planos imediatos de encerrar as atividades. Segundo ele, a chegada do guitarrista Simon McBride, que substituiu Steve Morse em 2022, revitalizou o grupo.
“A banda está revigorada desde que Simon entrou. Estamos olhando para um futuro distante. Você não faz planos de longo prazo se está pensando em parar. Vamos ver o que o futuro reserva. Acho que a dignidade humana será o fator decisivo. Quando você começa a subir ao palco e constranger as pessoas por não conseguir fazer aquilo que fez durante toda a vida, então é hora de parar. Mas, até esse momento chegar, estamos bem. A banda está afiada, determinada e faminta. Nunca a senti tão entrosada”, comentou.
Em julho deste ano, o baixista Roger Glover também descartou a ideia de uma despedida planejada. Em conversa com Paul Cashmere, do site australiano Noise11.com, ele relembrou que a turnê The Long Goodbye, anunciada há cerca de uma década, acabou se prolongando até ser abandonada como conceito.
“Não vamos parar. Não faremos uma turnê final, um último show e todo aquele alarde. Não consigo imaginar fazer um show de despedida, com toda a emoção envolvida. Seria difícil demais. Vamos continuar até não conseguirmos mais. É isso”, afirmou Glover.

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