Como já é sabido, o Sepultura, um dos maiores expoentes do metal brasileiro e mundial, está se aproximando do final de sua jornada após 40 anos de história. A decisão, segundo o guitarrista Andreas Kisser, vem sendo amadurecida há cerca de três anos e foi influenciada por uma série de fatores pessoais e profissionais. Em uma declaração recente ao G1, Kisser revelou a motivação por trás do fim do grupo e comparou a decisão com a forma como bandas lendárias como Cream e Led Zeppelin encerraram suas atividades.
“É uma decisão que eu trouxe para a mesa tem uns três anos mais ou menos, são vários motivos, mas acho que tem muito a ver com minha experiência pessoal de ter perdido a esposa para o câncer, todo o processo que foi de quimioterapia, a própria pandemia, que cortou ciclos sem a gente escolher – aquela ilusão de que a gente escolhe tudo, e dentro de um contexto a gente tem que se adaptar e readaptar -, e eu comecei a conversar com eles (os demais integrantes da banda), falei: ‘Olha, estamos chegando há 40 anos, acho que o momento é bom, a gente está em um momento sensacional (…), mas era um momento muito positivo, muito bom, e por que não encerrar em um momento excelente, com consciência?” disse o guitarrista.
Uma saída definitiva e planejada
A história da música está repleta de bandas que encerraram suas atividades de maneira conturbada, seja por desavenças internas, falecimentos ou quedas na relevância musical. Kisser destaca a influência de bandas clássicas como Cream e Led Zeppelin, que tomaram decisões definitivas sobre seus futuros, garantindo que sua história fosse preservada de forma digna.
“Eu sempre admirei muito a banda do Eric Clapton, o Cream, que no auge da carreira, em 1968, ‘anunciaram’ uma ‘farewell tour’, uma despedida, e eu achei aquilo muito digno, de você olhar na cara do fã e falar, ‘Isso aqui é o último show, não estou enganando ninguém, esse aqui… Acabou!’. E nunca mais voltaram, cada um seguiu sua carreira. O próprio Led Zeppelin teve o momento da morte do (baterista) John Bonham. Enfim, para não chegar num momento como esse de briga (…). Estar na estrada não é fácil, ficar longe da família, ficar longe amigos, etc… É uma pressão! Mas a gente se ama, se curte muito, se respeita, estamos num momento muito bom, muito aberto, curtindo demais, e a intenção foi essa, celebrar, é um grande “obrigado” aos nossos fãs que mantiveram essa banda 40 anos.”
Celebrar a Finitude
O tom da despedida do Sepultura não é de tristeza, mas sim de celebração. Kisser destaca como a aceitação da finitude pode tornar a vida e as experiências mais intensas, e esse pensamento também se reflete na decisão de encerrar a banda em um momento em que todos os integrantes ainda estão em boa forma.
“Quando você encara a finitude e aceita que a morte é uma coisa inevitável, você vive o presente muito mais intensamente, você vive a vida, não deixa as coisas para amanhã, para realizar sonhos, viagens, conversar com desafeto, tentar resolver coisas, ou falar um ‘eu te amo’ para o meu filho, não deixe as coisas para amanhã, fica muito mais intenso”.
Assista abaixo a entrevista completa de Andreas Kisser e Paulo Junior.
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