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IRON MAIDEN – 09 de outubro de 2019, Porto Alegre/RS

Pouco mais de uma semana após os shows bombásticos do trio Helloween/Whitesnake/Scorpions, era a vez de o Iron Maiden aportar em Porto Alegre para mais um show muito esperado. A terceira visita dos ingleses à capital coincidiu com o término da Legacy of the Beast Tour, turnê que teve início na Europa em 2018 com o intuito de promover o jogo de celular Legacy of the Beast. Composto de uma grande seleção de clássicos, a turnê serviu também para celebrar a cura de Bruce Dickinson sobre o câncer de língua que o acometeu em 2015, justamente na época em que The Book of Souls estava sendo lançado.

E falar de shows do Iron Maiden é uma tarefa complicada. Na turnê de Fear of The Dark, em 1992, a “donzela de ferro” estreou em Porto Alegre, fazendo um show arrebatador (segundo relatos) no Gigantinho. E 16 anos depois, em 2008, a banda estava de volta no mesmo local para outra grande apresentação, que na opinião deste redator, foi o melhor show de Heavy Metal já realizado em Porto Alegre. E é praticamente impossível separar o lado fã do redator num show do Iron Maiden. A partir do momento em que as introduções vão rolando no P.A., o sangue ferve e a empolgação vai crescendo a cada música tocada.

E para abrir esta data histórica em Porto Alegre, coube à prata da casa fazer as honras. O Rage In My Eyes, antiga Scelerata, possui um excelente histórico de shows e ótimos discos lançados. E foi divulgando o novo álbum, o primeiro com o nome de Rage In My Eyes, que Jonathas Pozo (vocal), Magnus Wichmann e Leo Nunes (guitarras), Pedro Fauth (baixo) e Francis Cassol (bateria) subiram ao enorme palco na Arena do Grêmio. Ice Cell, o novo álbum, tem chamado a atenção pelo uso de acordeons, portanto nada mais justo que levar o acordeonista Matheus Kleber para tocar um trecho de Forever and Ever (do CD Skeletons Domination, de 2008) emendada com Hole in the Shell e Death Sleepers, esta última anteriormente apresentada com um belíssimo video clipe.

O novo visual da banda, agora adaptado às características tradicionalistas gaúchas, fez jus ao excelente uso do acordeom, casando estes elementos de forma perfeita com seu Heavy Metal. Embora tenham sofrido com a acústica do local, foi uma apresentação vitoriosa e que com certeza agradou aos milhares de headbangers já presentes. Do novo álbum ainda foi apresentada a música Soul Gatherer e os tempos da Scelerata ainda foram relembradas In My Blood (do álbum The Sniper, lançado em 2012 e que contou com a participação do primeiro vocalista do Iron Maiden, Paul Di’Anno) e para finalizar, Enemy Within, faixa de abertura de Skeletons Domination. O Rage In My Eyes tem bagagem e experiência de sobra para conquistar lugares ainda mais altos no concorrido mercado mundial do Heavy Metal.

Na sequência veio o The Raven Age, mais conhecida por ser a “banda do filho do Steve Harris”. Se na turnê de 2008 foi a chance de sua filha Lauren Harris abrir os shows da banda do pai, desta vez foi a vez do guitarrista George Harris fazer as honras. Formado em 2009 e com dois discos a tiracolo, a banda pratica aquele Metalcore/Groove Metal manjado, apesar de os músicos serem excelentes. Sabe aquela receita já usada e abusada por centenas de bandas? Entretanto, é de se admirar a forte presença de palco dos músicos, bem como a qualidade técnica do show (vocês queriam o quê?). Das nove faixas tocadas, sete foram dedicadas ao mais recente lançamento, Conspiracy¸ destacando Fleur de Lis e Angel in Disgrace.

Com 40 mil fãs aguardando ansiosos pela apresentação, o Iron Maiden já entrou com o jogo ganho. Era meu quinto show da banda e o nervosismo estava à flor da pele. Nestes 44 anos ininterruptos de atividade, o chefão Steve Harris liderou a banda como poucos, fazendo da “donzela” muito mais do que uma simples banda. Para muitos, é um estilo de vida. E foi com essa premissa de longevidade e determinação com os fãs que o fanático torcedor do West Ham United se tornou um dos melhores baixistas do mundo e seu líder nato.Vinte anos após a volta definitiva de Bruce Dickinson e Adrian Smith, parece que a banda tem energia de sobra para pelo menos mais dez anos de atividades. Assunto de muitas entrevistas e declarações, está claro que o tempo é nosso inimigo e num futuro próximo já não teremos mais Bruce correndo pelo palco feito um louco ou Steve empunhando seu baixo como uma metralhadora. Até o momento, especula-se a gravação de um novo álbum e posteriormente uma turnê habitual.

Quando a clássica introdução com Doctor, Doctor, do UFO, irrompeu na Arena do Grêmio, a euforia tomou conta de cada individuo ali presente. Bruce Dickinson (vocal), Steve Harris (baixo), Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers (guitarras) e Nicko McBrain (bateria) entregam ao público uma experiência única, que vai além das músicas tocadas. É uma experiência que envolve nostalgia e ao mesmo tempo renova nossas energias. E como um avião Spitfire, da Segunda Guerra Mundial, pairando sobre o palco, Aces High abre o espetáculo, mostrando Bruce em plena forma, correndo de um lado para o outro, ficando impossível de acreditar que aquele senhor de 61 anos de idade acabou de se curar de um câncer! Sem tempo para descanso e ainda com a sonoplastia de metralhadoras ecoando nos altos falantes, Where Eagles Dare faz o marmanjo mais brutal chorar de emoção, isso quando não resistem e tocam bateria imaginária com aquelas linhas incríveis criadas pelo sempre divertido Nicko McBrain ou com os solos lindos do trio Murray/Smith/Gers. Os riffs de 2 Minutes to Midnight continuam afiados depois de 35 anos, assim como a língua (sem piadinhas…) de Bruce, que conversou com o público pela primeira vez, dizendo que este era o maior show da banda em Porto Alegre e fazendo as tradicionais brincadeiras, dizendo que antes haviam tocado no Rock in Rio e em São Paulo e que os shows tinha sido OK, arrancando as primeiras interações com o público. É importante citar que no momento em que Bruce fala sobre São Paulo o público vaia, deixando até o vocalista meio desconcertado… Atitude desnecessária dos presentes, no mínimo.

Da fase Blaze Bayley tivemos duas músicas, a primeira delas The Clansman, do injustiçado Virtual XI (1998). De teor épico, a música fala sobre William Wallace, o famoso nobre escocês que batalhava pela liberdade da Escócia perante a Inglaterra entre 1297 e 1305, ano de sua morte. Com seus nove intensos minutos, a história do guerreiro é celebrada com solos extraordinários, além é claro, de um refrão pra lá de grudento. Foi bonito ver 40 mil pessoas entoando “Freeeeeeedom” enquanto Bruce empunhava uma espada pelo palco. As indefectíveis The Trooper e Revelations vieram em seguida, não deixando a energia cair em nenhum momento.

A única faixa mais “recente” incluída no set list foi For the Greater Good of God, presente em A Matter of Life and Death, de 2006. Seu início muito bonito mostrou Bruce cantando de forma emotiva, abrindo caminho para a quebradeira característica da música. A veia progressiva do Maiden parece ter se intensificado a partir deste álbum, que de início havia dividido opiniões sobre sua qualidade, agora atestada pelo teste do tempo. The Wicker Man, faixa de abertura do disco de retorno de Bruce/Adrian foi celebrada com grande retorno do público. Para muitos, Brave New World (2000) foi a portada de entrada de muitos para o mundo do Maiden. A fase Blaze foi novamente representada com um clássico, e que nesta turnê recebeu um tratamento de palco adequado. Sign of the Cross por si só já é uma obra de arte, mas ao vivo fica ainda melhor. Minha vontade como fã era de poder entrar na música e ficar lá para sempre. A temática desenvolvida em cima do livro e filme “O Nome da Rosa” foi fielmente retratada não apenas na letra, mas em toda a aura da música, e no show, Bruce encarnou um monge de trajes negros e a cantou usando uma cruz como suporte, enquanto o cenário macabro deixava tudo ainda mais fascinante.

O grande presente veio com a galopante Flight of Icarus, não tocada ao vivo desde 1986. Com Bruce carregando um lança-chamas das costas e soltando fogo pelos braços e o pano de fundo mostrando o personagem da mitologia grega, tornou-se um dos momentos mais festejados da noite. E a cada música, um cenário diferente e uma troca de figurino de Bruce Dickinson. Em Fear of the Dark o vocalista surgiu encarnado no fantasma da ópera e portando uma lanterna fez todos cantarem cada verso deste clássico de 1992. Há quem não aguente mais ouvi-la, mas é inegável o poder que ela exerce sobre o público.  Daí pra frente foi clássico atrás de clássico, com The Number of the Beast, Iron Maiden e a fantástica The Evil That Men Do, esta última já fazendo parte do bis.

Hallowed Be Thy Name tratou de acabar com a voz de quem ainda a tinha, e não raro marejando os olhos dos fãs mais exaltados (este que voz escreve, por exemplo!). É incrível o poder que uma música pode exercer na vida de uma pessoa, e nesse momento foi nítida a sensação de “revigoramento” a cada riff, solo e verso cantado. E é incrível saber que meia dúzia de sessentões ainda possuem tanta energia para encarar uma hora e meia de show com tanto pique. Eu não aguentaria meia hora tocando igual o Steve Harris ou o sempre performático Janick Gers.

O Iron Maiden entregou um show além das expectativas, e o encerrou com Run to the Hills, deixando aquele ar de profunda satisfação em cada um ali presente e ao mesmo tempo deixando uma dúvida no ar: será mesmo que Bruce vai prometer o que prometeu, dizendo que os veremos aqui outra vez? Só o destino dirá, então por enquanto o jeito é ir curtindo a infinidade de clássicos que eles forjaram nestes mais de 40 anos e torcer que ainda tenham saúde para continuar nesta jornada por mais algum tempo.

 

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