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IRON MAIDEN – Curitiba (PR)

Pedreira Paulo Leminski - 27 de agosto de 2022

Texto: Jonathan Rodrigues Ev

Fotos: Makila Crowley

No sábado, 27 de agosto de 2022, o Iron Maiden retornou ao Brasil e voltou o se apresentar na capital paranaense. Com disco novo na bagagem, Senjutsu, de 2021, o grupo trouxe a “Legacy of the Beast Tour”. A última vez que o Maiden passou por Curitiba foi em 2013. Dessa vez, a apresentação ocorreu em uma lotadíssima Pedreira Paulo Leminski, o que acabou sendo um diferencial. A abertura ficou por conta dos suecos do Avatar, que são um tanto quanto desconhecidos por aqui..

Os ingressos para essa data esgotaram rapidamente, e quem compareceu presenciou tudo que um bom show do Iron Maiden, e de heavy metal, deve ter. Inclusive, o evento contou apenas com vendas de cervejas artesanais dentro do local, e com uma exclusiva para o show, o que é algo bem atípico para eventos desse porte.

A abertura dos portões estava marcada para as 17h, e, antes disso, longas filas se formaram nos arredores da Pedreira – o que normalmente não é de costume acontecer por lá. Segundo divulgado pela organização, cerca de 25 mil pessoas estiveram presentes. Certamente não ficou um centímetro da Pedreira desocupado, foi realmente impressionante.

Adentrando a Pedreira, era possível ver que o palco estava quase todo coberto por uma enorme cortina, ficando visível apenas um pedaço na frente com o equipamento que seria usado pelo Avatar. Exatamente às 19h30 as luzes sob o público foram apagadas, até que às 19h45 (conforme previsto) o Avatar subiu ao palco, debutando em solo brasileiro.

Quem não pesquisou nada sobre a banda possivelmente percebeu logo de cara que estava vendo algo um tanto diferenciado, pois o grupo utilizou um figurino bem característico. O vocalista Johannes Eckerström, por exemplo, se apresentou maquiado e não poupou caretas, botou a língua para fora diversas vezes, e estava cheio de trejeitos bem teatrais, ampliados pelo chapéu e pela bengala que estava utilizando e que ficou largando e pegando durante a apresentação. Além disso, ele possuía um divertido cantil em formato de galão de gasolina que ele ficou bebendo ao longo da performance.

A entrada foi bem peculiar, com o baterista John Alfredsson surgindo no palco e se movimentando como se fosse um robô (ou seria um avatar?), até chegar à bateria e tocar a intro de Hail the Apocalypse, que foi um alívio, pois é um som bem legal e a banda mostrou uma excelente energia ao vivo, principalmente Johannes.

Felizmente, o som do grupo estava bem audível, todos os instrumentos bem regulados. Claro, não estava com a potência da atração principal, mas estava numa boa qualidade. A iluminação acabou sendo bem básica, e como os telões laterais estavam desligados, provavelmente quem estava mais para trás teve dificuldade para vê-los.

O som do grupo tem certo peso, mas com refrões bem melódicos e grudentos, como foi visto nas músicas Colossus e Paint Me Red, e nesse ponto o destaque vai para o Johannes, que alternou muito bem um vocal mais rasgado para algo mais limpo. Ele até que acabou se comunicando bastante com a plateia, considerando o pouco tempo de palco que tiveram, e não deixou de, em algumas vezes, ressaltar que essa era a primeira vez do Avatar no Brasil. Ele agradeceu e brincou com o público, que respondeu muito bem, aplaudindo os suecos e até gritando o nome do grupo. Curiosamente, Johannes não apresentou os integrantes da banda.

Pessoalmente, Bloody Angel foi o ponto mais interessante da performance do grupo. Uma quase balada em alguns instantes, com boas mudanças de ritmo, e guitarras bem colocadas por Jonas Jarlsby e Tim Öhrström. Já no final, tocaram a “Smells Like a Freakshow”, na qual Johannes pediu para a galera o acompanhar levantando os punhos, sendo bem atendido, e cantando parte da música sentado na beirada do palco. No final dela, todos os integrantes ficaram parados em “poses robóticas” por alguns segundos, enquanto eram aplaudidos.

Em exatos quarenta minutos, os cara conseguiram fazer uma apresentação bem empolgante. Acabou sendo um ótimo acerto a vinda deles como banda convidada do Iron Maiden. Restava então aguardar um pouco pela chegada dos ingleses.

Eis que pontualmente às 21h, Doctor Doctor do UFO ecoou pela multidão, elevando os ânimos, afinal, era hora da ação começar. Os músicos adentraram o palco com a nova Senjutsu, que, com um clima épico, até se mostrou uma boa canção para início de espetáculo. No meio de todo aquele palco produzido, remetendo a construções orientais, havia um Eddie gigante, versão “samurai Senjutsu” andando pelo palco e fazendo coreografias com sua katana. E agora sim, com os telões nas laterais do palco ligados, mostrando a banda tocando.

Sem pausa, emendaram Stratego, onde não teve jeito, a voz ainda poderosa de Bruce Dickinson e sua performance contagiante se sobressaem no meio do todo, ainda que esporadicamente tenha sido usado um ou outro efeito vocal, para criar uma maior potência sonora. Porém, a maior parte do tempo ao longo da noite pareceu não haver esse tipo de recurso.

Fechando a estrutura pouco ortodoxa de repertório, em que o grupo adotou iniciar a apresentação com três músicas do álbum mais recente, The Writing on the Wall  apesar de que a banda já fez algo semelhante em outras turnês, como na de “The Book of Souls”, em que abriam com duas músicas daquele trabalho.

Pessoalmente, The Writing on the Wall acabou sendo a mais interessante desse começo, com uma boa intro ao violão, feita por Adrian Smith, e excelentes riffs de guitarra, além de um refrão bem “cantável”, que parte da multidão aproveitou, quase como se essa já fosse um velho clássico. A música contou ainda com os telões mostrando parte do videoclipe, todo feito em animação.

Após isso, a banda se retirou brevemente do palco, para rapidamente a equipe técnica remover todos os artefatos orientais que remetiam ao trabalho mais recente do grupo, deixando ao fundo um backdrop que simulava vitrais de igreja, com desenhos remetendo a outros períodos do Iron, como o Eddie versão “Egito antigo”, que casou muito bem com Revelations, que como não poderia deixar de ser, causou grande comoção no público, com o baixo galopante de Steve Harris pulsante e bem audível, assim com a monstruosa bateria de Nicko McBrain, que estava escondido em meio a toda a parafernália de pratos e afins – se olhasse com atenção, dava para, eventualmente, ver mãos e parte de sua cabeça.

A propósito, o som estava perfeito, cada detalhe bem audível. Esmero seria uma palavra que define muito bem o que foi trazido pela banda, tanto em termos de performance quanto na parte mais técnica da produção, como pôde ser lindamente percebido na emocionante Blood Brothers, que até teve uns sons de teclados pré-gravados que se encaixaram perfeitamente com o restante do instrumental apresentado pela banda. Essa contou também com o marcante refrão berrado tanto por Bruce, quanto por Steve e Adrian, e claro, pela galera que estava na Pedreira. Já falei que foi emocionante?

O tom messiânico tomou conta do local com um canto gregoriano ressoando pela Pedreira, servindo de intro para a intensa Sign of the Cross. Bruce retornou ao palco vestindo um manto no melhor estilo “monge católico”, encapuzado, e segurando um grande crucifixo, incorporando o denso clima da letra, que faz referência ao livro “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco.

E o que se seguiu foi um desempenho vigoroso desse épico, com uma produção caprichosa, iluminação muito bem trabalhada, fumaças e até chamas e fogos pelo palco, ótimos solos de Dave Murray e Janick Gers, e em dado momento, Bruce retirou o capuz e posteriormente se locomoveu pelo palco com o crucifixo, que brilhava quando ele o levantava. Aliás, algum desavisado vendo Bruce dominar totalmente o palco durante toda a canção talvez nem imagine que essa música foi lançada na fase do Iron com Blaze Bayley, que Sign of the Cross não havia sido pensada para Bruce como vocalista.

Praticamente sem pausa, o palco passou a exibir colunas gregas ao fundo, e um boneco gigante do Ícaro apareceu no alto ao centro, acima da bateria do Nicko, o que, claro, significou que Flight of Icarus seria o próximo número da noite. Bruce cantou segurando um lança-chamas, e disparando labaredas para o alto, até que no final da performance o boneco de Ícaro foi fechando suas asas, até de fato cair, tal qual a letra narra.

Na sequência, um dos grandes momentos do espetáculo, Fear of the Dark, que por mais que para algumas pessoas poderia soar demasiadamente repetitiva, ao vivo virou algo sensacional, pois para todo o lado que se olhasse, a multidão estava cantarolando os “ooh ooh ooh” em uníssono, muitos com os celulares filmando ou com a lanterna ligada, tantos outros apenas com as mãos para cima ou pulando, o que faz valer a experiência de ser ir à um show.

Além disso tudo, havia uma iluminação caprichada focada em cores frias, um backdrop ao fundo do palco simulando uma grande neblina, e Bruce interpretando a canção com um figurino peculiar, que parecia remeter a roupas da era vitoriana, ou algo do tipo, com cartola e uma máscara, e também segurando um lampião com uma luz verde – tudo a ver com o “medo do escuro”. Ao final dela, com Bruce já sem a máscara enquanto cantarolava os versos finais, ele pegaria aquele crucifixo de Sign of the Cross, que ainda estava no palco, e o atiraria para fora dele.

Se já estávamos bem servidos de músicas intensas cheias de interpretação, ainda teve espaço para muito mais disso em Hallowed Be Thy Name. Bruce iniciou cantando dentro de uma “gaiola”, e posteriormente ficou quase que literalmente “com a corda no pescoço”, pois uma corda de forca surgiu no palco e ele ficou cantando ao lado dela, merecendo menção os altos tons que sua voz atingiu nesse som. E a parte instrumental também, excelente, o baixo bem presente de Harris, além das harmonias que as guitarras criaram. Inclusive, teve um momento muito bacana onde Harris ficou ao lado dos três guitarristas, e os quatro ficaram tocando por um instante fazendo movimentos de forma sincronizada, algo que renderia belas fotos.

Bem, o show não seria tão legal se não tivesse um pouco de “capirotagem”, que ficou reservada para The Number of the Beast, iniciando com a narração da Bíblia, tal qual a versão do disco. Duas gárgulas ao fundo do palco, iluminação toda vermelha, desenho do backdrop “na pegada”, muito efeito de fumaça, e muitas labaredas deram o tom da vigorosa execução que a banda realizou.

Chegando ao final da primeira parte da apresentação, a icônica Iron Maiden, deixando tudo com um clima ainda maior de celebração, pois essa é uma composição que funciona muito bem ao vivo, e para incrementar, ainda contou com uma cabeça gigante de Eddie em versão demoníaca sendo levantada ao fundo do palco, além de muitos malabarismos de Janick Gers com a sua guitarra.

Até então, tivemos cerca de uma hora e vinte e cinco minutos de show, que passou voando. Os músicos mal se despediram, e em cerca de dois minutos já voltariam para o bis com a indispensável The Trooper, com o backdrop com Eddie em versão soldado britânico entregaria. Pareceu que o tempo de saída foi mesmo só para Bruce trocar de figurino. Acabou sendo outra que contou com tudo que se tem direito. Vestindo uma farda militar britânica, agitando uma bandeira do Reino Unido e ainda duelando contra um Eddie gigante, também caracterizado de militar britânico, com espadas, bem divertido de se acompanhar. Lá pelo trecho final dessa, Bruce pegou uma bandeira do Brasil e começou a agitá-la, até que, de repente, saiu uma fumaça do mastro dela, simulando que foi dado um tiro em direção a Eddie. Também não faltou o clássico “screaming for me Curitiba!”, que, aliás, já havia sido dito antes algumas vezes, assim como uns poucos e curtos diálogos com o público.

Ainda houve espaço para mais um épico lindamente executado: The Clansman. Essa, outra originária do período de Blaze na banda, e que não teve como não se empolgar berrando “freedom” junto com Bruce, no melhor estilo “Coração Valente”. Como um bom épico, contou com um solo grandiosíssimo de Murray, e Bruce segurando uma espada, que em alguns momentos usou para “reger a plateia”, quase como se fosse um maestro. O que pode parecer inusitado para muitos, foi ver o Steve Harris se alternando entre baixo e violão, tocando o violão nas partes mais atmosféricas da faixa.

Sentindo aquela sensação de que a coisa estava para se encerrar, veio Run to the Hills, onde Bruce se locomoveu bastante pelo palco. Nessa, ficou perceptível que a voz de Bruce deu umas “cansadas” em alguns trechos, mas nada tão comprometedor. E para deixar tudo mais apoteótico, no final Bruce foi em direção a um “detonador de TNT”, e ao apertar gerou uma “explosão” de pirotecnia no palco.

A banda se retirou novamente do palco, mas não sem antes jogarem umas palhetas e baquetas, para rapidamente começar a ecoar pelo recinto uma gravação do discurso de Winston Churchill, e os telões mostrarem imagens da Segunda Guerra, que serviu de intro para o encerramento da noite, Aces High.

Quando as luzes do palco são novamente acesas, foi possível ver uma réplica gigante de um avião da Força Aérea Real, que inclusive se mexia um pouco para cima e para baixo. Tinha até uma hélice que girava! Nesse clima, Bruce retornou trajado de aviador, e a banda interpretou Aces High com umas linhas de baixo e virada bem interessantes de Nicko McBrain.

Era isso. Novamente mais palhetas, baquetas e até peles de bateria são jogadas para a galera, e o Iron se despediu em definitivo. O repertório atual dos ingleses tem sido exatamente o mesmo desde o começo do ano, e mesmo assim muita gente ficou parada por um tempo no lugar olhando para o palco, até que passou alguns minutos, e todas as luzes são acesas sob o público, e tocou nos PAs a música Always Look on the Bright Side of Life, que sempre é usada pelo grupo como encerramento. Assim que ela se iniciou, começou de fato uma movimentação maior do público para sair, isso já próximo das 23h.

O tempo permaneceu firme o dia inteiro, com uma temperatura bem agradável, e, principalmente, com apresentações de altíssimo nível, fazendo dessa uma daquelas noites memoráveis. E apesar da Pedreira ser um lugar único para se ver shows, fica o questionamento se numa próxima vinda da Donzela não se pode fazer o show em um local maior, pois certamente a experiência de quem chegou mais tarde e ficou lá no fundão não deve ter sido tão grandiosa como poderia ter sido.

Setlists

Avatar

Hail the Apocalypse

Colossus

Paint Me Red

Bloody Angel

The Eagle Has Landed

Let It Burn

Smells Like a Freakshow

Iron Maiden

Senjutsu

Stratego

The Writing on the Wall

Revelations

Blood Brothers

Sign of the Cross

Flight of Icarus

Fear of the Dark

Hallowed Be Thy Name

The Number of the Beast

Iron Maiden

The Trooper

The Clansman

Run to the Hills

Aces High

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