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JONATHAN WILSON: Jogo de contrastes

O produtor e músico norte-americano Jonathan Wilson (solo, Roger Waters) faz parte de um seleto grupo de profissionais que têm a oportunidade de trabalhar com grandes nomes em estúdio e em turnê, além de produzir e lançar os seus próprios discos. Musicalmente, Wilson traz em seu terceiro lançamento oficial – Rare Birds (2018) uma jornada emocional recheada de detalhes e efeitos que se beneficiam da experiência e controle artístico do músico. Conversamos com Wilson sobre as suas influências, os detalhes do seu álbum e a experiência de gravar com uma grande estrela da música e acompanhá-la pelo mundo.

Como foi o seu início na música?

Jonathan Wilson: Comecei muito jovem e o meu pai foi parcialmente responsável por isso porque ele tem uma banda na minha cidade natal. Eu fui exposto a isso desde que nasci praticamente, já que eles estavam sempre ensaiando juntos na garagem e coisas assim. Sempre fui fascinado por aquilo. Venho de uma cidade pequena e chata, então era uma boa forma de escapar daquilo, de experimentar uma espécie de mágica e coisas assim. Num determinado ponto isso evoluiu para as bandas que tive quando adolescente, na sequência eu me mudei para a Califórnia pela primeira vez e foi lá onde basicamente comecei a minha primeira banda (N.R.: Muscadine), com tinha 19 anos. Esta foi a primeira vez que fechei um acordo, assinei um contrato etc. Foi a primeira experiência dentro dos negócios.

Considerando a sua jornada enquanto músico de estúdio e ao vivo – além da carreira solo – o seu disco mais recente, Rare Birds representa a sua evolução enquanto músico?

Jonathan: Pois é, este é o terceiro álbum a ser lançado, porém eu tenho um álbum secreto que não foi lançado lá atrás (N.R.: Frankie Ray, 2007), mas logo ele sairá em vinil. Enfim, Rare Birds definitivamente mostra essa evolução. Esse álbum é realmente especial para mim porque é a primeira vez que eu realmente senti que a coisa é completamente do jeito pretendi fazer. Não há nada dele que eu queira mudar e isso não é muito comum para mim, pois não é sempre que eu fico completamente satisfeito. Esta é a primeira vez que senti que o objetivo foi conquistado.

A sonoridade do álbum traz bastante do rock inglês da década de 1980. Este direcionamento foi proposital?

Jonathan: Sim, de certa forma foi. Muitas vezes as pessoas me associam à sonoridade das décadas de 1960 e 1970, quando na verdade, durante a minha adolescência as bandas populares eram Duran Duran, Talk Talk, Peter Gabriel e coisas assim. Aquela foi uma época onde se era extremamente influenciado por música e sons assim. Eu venho experimento com sintetizadores e baterias eletrônicas desde adolescente. Eu não sou esse cara folk de 1973 ou coisa assim (risos).

Isso é interessante mesmo porque além do gosto pessoal, a sua música traz uma variedade de influências do bluegrass, que está relacionada à sua infância, além do jazz. Quando o jazz entra na sua vida?

Jonathan: Exato, eu tenho muito experiência com jazz. Eu fui à escola estudar bateria no jazz, então passei muito tempo envolvido com o estilo. Por isso ele compõe grande parte do meu som.

É interessante você mencionar isso porque várias bandas de rock psicodélico das décadas de 1960 e 1970 contavam com músicos que tinham experiência com o jazz…

Jonathan: Isso é verdade. Escute Ginger Baker (baterista, Cream) e Mitch Mitchell (baterista, The Jimi Hendrix Experience) e coisas assim. Até Paul McCartney tinha uma coisa meio jazz, ele tinha um conhecimento de estrutura musical meio da época da Tin Pan Alley (N.R.: gênero musical popular norte-americano que emergiu no final do século XIX a partir da editoração americana de música baseada em Nova Iorque).

Ainda sobre a década de 1980, enquanto produtor musical, como você percebe as produções musicais daquela época?

Jonathan: Algumas são muito boas mesmo. Aquela foi uma época em que a experimentação era algo genuinamente novo. As pessoas estavam experimentando novos sons com baterias eletrônicas, sintetizadores, sequenciadores e coisas assim. Havia esse sentimento de sons artificiais pela primeira vez. Eu acho que era bastante empolgante, mas também acho que de forma geral isso ficou mal visto. Você fala com pessoas que odeiam a década de 1980. Claro que algumas coisas muito chatas foram feitas, mas muitas coisas geniais também foram. Eu escolheria esta década ou os anos de 1960 como os meus favoritos.

Se cada uma das 13 faixas do álbum conta uma história diferente, que mensagem você busca passar com Rare Birds?

Jonathan: Bom, de certa forma ele é como uma viagem pelos altos e baixos de tudo. É uma coisa profundamente pessoal, mas algo que eu também queria ver e ouvir. Eu acredito no poder do fluxo da consciência sem sentido no que diz respeito à criatividade. Gosto daquele som viajante britânico que você ouve de bandas como The Bonzo Dog Doo-Dah Band ou do som de Captain Beefheart, além do som psicodélico de São Francisco também. Eu queria ter pedacinhos dessas coisas, além do lado triste e sujo para os temas de coração partido.

 Considerando a variedade de sons e histórias do disco, houve aquela música que começou tudo e definiu o direcionamento do trabalho?

Jonathan: Sim, foi a faixa Loving You. Eu a fiz para o meu amigo, o grande Laraaji, que é meio que o pioneiro do som ambiente. Ele é uma cara que eu acho fantástico. Laraaji veio para a minha cidade, nós fizemos umas jams e eu disse que tinha uma música, mas eu não tinha certeza de como começaria o disco. O início é muito importante, é ele que direciona como a coisa será. Eu não sabia se seria uma banda, um projeto acústico… Enfim, eu registrei o piano, a bateria e uma guia de voz e Laraaji fez todo o resto. Tudo foi feito basicamente no mesmo dia e quando terminamos, o som era essa mistura de coisas malucas. Ali eu vi que aquele era o início.

O disco conta com uma série de músicos convidados. A participação deles se resume as respectivas performances ou houve um compartilhamento de ideias na parte de composição?

Jonathan: Muito foi feito por mim e o meu engenheiro de som (N.R.: Dave Cerminara), que é extremamente talentoso. Nós fizemos a maior parte do trabalho. Já um amigo, Jeff Tweedy (solo, Wilco) ajudou sendo uma espécie de coprodutor. Eu escolhi os camaradas meus preferidos para gravarem comigo. Muitas das músicas foram gravadas por um trio composto por mim, Jake Blanton (baixo) e Joey Waronker (bateria), que tocou comigo no Brasil e toca com Roger Waters. Ele gravou seis ou sete faixas, eu fiz as demais. Ele é um dos meus bateristas preferidos de todos os tempos. Quando isso estava completo eu voltava e basicamente começava a adicionar milhares de coisas. Já algumas músicas contam apenas comigo.

Há situações em que você é o músico convidado ou contratado por outro artista, como foi no caso de Is This The Life We Really Want?(Roger Waters, 2017). Como foi a experiência ao lado do ex-Pink Floyd em estúdio? 

Jonathan: Foi realmente muito legal. O meu amigo e produtor, Nigel Godrich me ligou convidando para ir ao estúdio e lá eu fiz alguns solos e gravei algumas linhas de guitarra que continuam no disco. Tudo correu muito bem naquele dia. Depois eu retornei mais algumas vezes e eventualmente levamos o projeto para o meu estúdio (N.R.: Fivestar Studio) onde ficamos por cerca de seis meses. Isso resultou em várias músicas que culminaram num álbum e numa amizade.

Foi este contato que o levou a integrar a banda que acompanha Roger Waters  ao vivo?

Jonathan: Sim, tudo isso levou a convite para fazer parte da banda e sair em turnê. Eu não esperava pelo convite e no fim fizemos muito shows.

Você chegou a mostrar algo para Roger Waters durante o processo de Rare Birds?

Jonathan: Sim, tanto é que ele esteve presente em parte do processo e ouviu algumas músicas. Eu trabalhava no material dele durante o dia e pela noite, quando todos iam embora, eu usava os mesmo sons. Muitas vezes a mesma bateria ou pedais de guitarra… Eu propositalmente colocava alguns detalhes sonoros que remetem ao Pink Floyd, afinal, o cara estava ali e aquela era a hora de fazer isso.

Como foi a sua passagem pelo Brasil ao lado dele em 2018?

Jonathan: Sabe que esta foi a primeira vez que toquei no Brasil. Os últimos shows que fizemos antes do Brasil foram na Rússia e o público lá é bastante empolgado, mas quando chegamos no Brasil, encontramos fãs extremante animados.

Além das apresentações com Waters você também faz os seus shows acústicos. O quão complicado é transitar entre esses dois mundos?

Jonathan: É divertido porque mantém os meus pés no chão. A conexão é muito maior quando você está num lugar pequeno. Tenho feito shows assim e às vezes a banda vem me ajudar – tem sido uma boa situação de apoio.

O fato de Rare Birds ser um álbum carregado de detalhes torna-o difícil traduzido para o ambiente ao vivo?

Jonathan: Sim, isso é verdade. A turnê feita pelo mundo foi realizada com seis pessoas, mas para fazer todos os detalhes seria preciso uma banda com treze músicos. Esse é o objetivo!

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