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JUDAS PRIEST, ACCEPT & METAL MANIA

Um pedacinho do Monsters Of Rock, mesmo que realmente pequeno, deu o ar da graça no Rio de Janeiro dois dias antes de o festival tomar conta de São Paulo. Se o Judas Priest fazia a sua sexta incursão na cidade, o público carioca teve o privilégio de receber o Accept pela primeira vez e, de quebra, saudar a volta de Robertinho de Recife não apenas aos palcos, mas ao Heavy Metal. Um pouquinho de muita coisa, e o resultado da agradável noite de feriado numa quinta-feira acabou tendo resultados distintos. A começar pelo guitarrista pernambucano de 61 anos.

Antes de qualquer coisa, é bom ressaltar que, a despeito de um currículo de ocasião, Robertinho não apenas é um guitarrista espetacular. Ele também faz parte da história do Rock pesado nacional. E bem lá no seu começo. Qualquer um na faixa dos 40 anos – como este que vos escreve – gastou a agulha do toca-discos com “Metal Mania”, lançado em 1984. Por isso mesmo, a oportunidade de vê-lo em cima de um palco três décadas depois era aguardada com ansiedade. Lançado recentemente apenas em formato digital, o novo disco, “Back For More” (2014), não é exatamente o que se esperava, pois é um trabalho mais instrumental de guitarrista do que propriamente de Metal, mas ainda assim é muito palatável. No entanto, na hora do show…

Um dos grandes problemas de “Back For More” foi ampliado ao vivo: os vocais metalizados que aparecem modestamente em estúdio tornam-se completamente irritantes ao vivo. Dá até para aturar a faixa-título, que abre o álbum e a apresentação, afinal, ela nasceu assim, mas foi completamente broxante ouvir “Gata” e “Metal Mania” com o recurso. E o som oscilante, ruim no começo, nem serve de desculpa. Não deu para bater o pé, nem a mão, muito menos a cabeça e o coração – com o perdão do trocadilho tão infame como as versões destes hinos – sim, hinos! – do Heavy Metal brazuca. Obviamente, algo se salvou em 30 minutos de show, a começar pelo medley incluindo as partes instrumentais de “Crazy Train” (Ozzy Osbourne), “Iron Man” (Black Sabbath), “Highway Star” (Deep Purple) e “The Trooper” (Iron Maiden).

Consequentemente, salvou-se o talento de Robertinho nas seis cordas. Fato: ele debulhou, deixando muita gente com ar de incredulidade – tem a garotada que já ouviu falar, mas nunca escutou. E vale uma menção ao ótimo baterista Raphael Sampaio.Ele e o baixista de Junior Mauro são netos de Zé Carlos, que comandou as quatro cordas na versão original do Metal Mania. Completam a formação o tecladista Tibor Fittel e o DJ Fhorggio, filho de Robertinho que se veste como um integrante do Daft Punk e pilota sintetizadores –completamente desnecessário, sem dúvida. Fica o recado: por favor, Robertinho, arrume um vocalista. É o primeiro passo para você voltar a fazer bonito de verdade e encantar toda uma nova geração.

Como se fosse uma compensação, o que veio a seguir valeu cada centavo do ingresso pago pelas três mil pessoas que encheram o Vivo Rio. Ingresso de camarote, de pista comum, de pista VIP… Que fosse apenas para ficar ouvindo lá no banheiro. O que o Accept fez em 65 minutos foi algo indescritível, umas das maiores e melhores aulas de Heavy Metal em toda a história do Rio de Janeiro. O que Mark Tornillo (vocal), Wolf Hoffmann (guitarra), Peter Baltes (baixo) e os recém-chegados Uwe Lulis (guitarristas) e Christopher Williams (bateria) apresentaram foi ao mesmo tempo simples e grandioso assim.Não é qualquer banda que decide voltar sem um integrante icônico e lança três discaços num período de apenas cinco anos, por isso mesmo o início do show com duas recentes – a sensacional “Stampede” e “Stalingrad” – tenha sido avassalador. Negócio de tocar guitarra imaginária e machucar o pescoço, meus amigos.

“Restless And Wild” e “Losers And Winners” foram os primeiros clássicos da noite, acompanhados de “Princess Of The Dawn” (aqui a garganta já começava a ir para o saco) entre petardos da nova fase, como “Final Journey” e “Pandemic”. A felicidade já havia atingido grau máximo, então faltava ir ao céu e voltar. A introdução de “Fast As A Shark” foi acompanhada com vontade pelos fãs, que se esbaldaram em “Metal Heart”, colocando um baita sorriso no rosto de Hoffmann. Depois, agitaram sem parar em “Teutonic Terror”, um novo clássico. Aí se acabaram em êxtase com “Balls To The Wall”.

Uma descrição rápida para fazer jus ao rolo compressor que passou no Vivo Rio. Mais do que um repertório de marejar os olhos, uma execução perfeita. Lulis e Williams – o primeiro mais tímido, contrastando com a energia a mil do batera – cumpriram muito bem o papel até pouco tempo desempenhado por Hermann Frank e Stefan Schwarzmann, respectivamente.Mas os donos da bola são mesmo Tornillo e, principalmente, Hoffmann e Baltes. Muito bom de palco, o vocalista mostrou um gogó afiadíssimo (muitas vezes parecia que saía das alto-falantes o som do CD), e a dupla comanda o show com entrosamento único. Faltam pouco mais de sete meses para o fim de 2015, mas será difícil tirar do Accept o título de melhor show de Heavy Metal do ano. Se você não foi, ajoelhe-se no milho e termine o autoflagelo com chibatadas de cipó de goiaba. Merece.

Depois do furacão Accept, sorte do Judas Priest que a camisa joga sozinha, porque na frieza do resultado o time inglês saiu da casa de shows com o placar adverso. A torcida, no entanto, aplaudiu de pé. Pela grandeza do adversário, merecido, mesmo que a primeira metade do show tenha mesmo deixado a dever.Um bom exemplo foram as músicas de “Redeemer Of Soul” (2014), disco que não tem o mesmo peso de um “Blood Of Nations” (2010) ou de um “Blind Rage” (2014). Com o perdão da sinceridade. Por isso mesmo “Dragonaut”, “Halls Of Valhalla”, “March Of The Damned” e “Redeemer Of Souls” empolgaram mesmo apenas aquele que é fiel em qualquer situação. Normal, aliás. Para os que não se ajoelham e pedem a bênção, serviram de trilha sonora para as imagens no gigantesco telão no fundo do palco (no geral, algumas muito toscas) e para grudar os olhos em Scott Travis, porque ver esse cara tocar bateria é sempre um prazer.

É também um prazer ver como o ótimo Richie Faulkner continua mostrando uma alegria contagiante em cima do palco. O cara que deu um sopro de vitalidade ao Judas Priest é o que mais interage com os fãs, o que não deixa de ser irônico se levarmos em consideração que ao seu lado existe uma lenda como Rob Halford, apenas e tão somente um dos grandes vocalistas do Heavy Metal em todos os tempos.Com a classe habitual, Glenn Tipton esboça um sorriso aqui e outro ali, enquanto Ian Hill continua desempenhando sem dificuldades o papel de pêndulo no fundo do palco à esquerda. Mas é a soma do conjunto que faz os fãs soltarem a voz em “Metal Gods” e “Turbo Lover”; que apresenta agradáveis surpresas como “Devil’s Child” e “Jawbreaker”;e que brilha em “Beyond The Realms Of Death”. Mais do que isso, o Judas pode sacar da cartola um “greatest hits” de cair o queixo, e foi o que aconteceu no último terço do show.

“Breaking The Law” e “Hell Bent For Leather”, com direito à tradicional entrada de Halford pilotando uma moto, são sempre empolgantes. São atemporais como aquilo que os fãs sabem que viria a seguir. “Electric Eye” e sua introdução “The Hellion” abriram o primeiro bis, que fechou com “You’ve Got Another Thing Comin’”. Se acabasse aí já seria a melhor apresentação de muita banda ao redor do mundo, mas Travis voltou e perguntou o que o público queria ouvir. Sério mesmo? Não houve uma só voz que não tenha pedido “Painkiller”, que causou um pandemônio no local. Os cinco se despediram na frente do palco, com o tradicional agradecimento ao público, mas ainda não era o fim. Desta vez foi Tipton quem disse ter tempo para mais uma. E tome “Living After Midnight”. Amigo leitor, isso não é mesmo para qualquer um. Foram seis sem sair de cima, compensando a falta de dinâmica de tudo o que veio antes. A camisa pesa. E o Judas enverga um manto.

Setlist Judas Priest
1. Dragonaut
2. Metal Gods
3. Devil’s Child
4. Victim Of Changes
5. Halls Of Valhalla
6. Love Bites
7. March Of The Damned
8. Turbo Lover
9. Redeemer Of Souls
10. Beyond The Realms Of Death
11. Jawbreaker
12. Breaking The Law
13. Hell Bent For Leather
Bis #1
14. The Hellion/Electric Eye
15. You’ve Got Another Thing Comin’
Bis #2
16. Painkiller
Bis #3
17., Living After Midnight

Setlist Accept
1. Stampede
2. Stalingrad
3. Restless And Wild
4. Losers And Winners
5. Final Journey
6. Princess Of The Dawn
7. Pandemic
8. Fast As A Shark
9. Metal Heart
10.Teutonic Terror
11. Balls To The Wall

Setlist Metal Mania
1. Back For More
2. The Third Angel
3.The End Of Mountain’s War
4. Fantasia Preto E Prata
5. Medley: Crazy Train/Iron Man/Highway Star/The Trooper
6. Como Um Animal
7. Gata
8. Metal Mania

 

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