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“KOOL METAL FEST”: RATOS DE PORÃO, BELPHEGOR, KRISIUN, NERVOCHAOS, CRYPTA, VAZIO E CERBERUS ATTACK

Carioca Club - São Paulo/SP

 

Por Andrei Ramirez 
Fotos: Carlos Delagusta

Por ser um dos eventos mais aguardados, por volta das 13h30 do domingo (29), a região de Pinheiros, no entorno do Carioca Club (SP), já mostrava os primeiros traços do que seria um dia de celebração da música extrema em grande estilo. O público tomava as calçadas da Rua Cardeal Arcoverde, bem como os vendedores ambulantes, com uma vasta gama de camisetas, não só das bandas que compunham o cast do evento, bem como algumas raridades como Unleashed e Enslaved. De uma caixa de som, ecoava o álbum The Gathering, clássico do Testament, como trilha aos que aguardavam ansiosamente a abertura dos portões, que ocorreu pontualmente às 14h.

Os que adentraram nas dependências do Carioca Club casa se depararam, na área externa, com as barracas de merchandise a postos. Estas contavam com itens variados à disposição, como camisetas, CDs, vinis e patchs de Belphegor, Vazio, Ratos de Porão e Crypta, este sendo comercializado diretamente das mãos de Estevam Romera, guitarrista do Desalmado e um dos proprietários do Family Mob Studio; além de outra barraca com camisetas e acessórios em geral, e até mesmo uma voltada para culinária vegana. A organização também disponibilizou a camiseta do evento, que trouxe uma imagem inspirada no clássico Altars of Madness do Morbid Angel, além de pôsteres e copos.

Às 14h30, o Cerberus Attack iniciou os trabalhos trazendo um thrash metal visceral, com pegada oitentista e, em determinados momentos, calcado no crossover. A banda de 2009, formada no bairro de São Mateus em São Paulo, fez uma apresentação focada em seu mais recente lançamento, Abyss of Lost Souls (2021). Para receber Jhon França (vocal e guitarra, Eskrota e Blasthrash), Marcelo Araujo (guitarra), Marcelo Maskote (baixo) e Bruno Moraes (bateria), já havia cerca de 300 pessoas na pista, o que deixou a banda surpresa logo no começo do set, com Straight Outta East Side e Strategic Cut on Education. Destaques para a faixa-título do álbum, que contou a participação de Daniel Pacheco, vocalista e parceiro de Jhon França no Vomit Bad Squad, além de Mythify Yourself e Duck Parade.

Os músicos saíram de cena aplaudidos quando a casa já estava com cerca de 50% de sua lotação. “Esta edição do ‘Kool Metal Fest’ foi histórica para a Cerberus. Estamos participando do festival dos caras regularmente, porém essa edição foi uma das mais ambiciosas que o coletivo já fez! O fato de abrirmos o festival se tornou irrelevante depois que vimos o tanto de gente que entrou cedo para nos ver; foi de encher os olhos de alegria e vontade de fazer o melhor show que pudéssemos! Gostaria de dar os meus parabéns para a organização e a parceria do coletivo Kool Metal (Ailton, Tatá, Thiago e companhia), que tratam todas as bandas com igualdade e respeito e fizeram uma festa colossal com uma organização impecável”, declarou Jhon França.

Na sequência veio o Vazio, grupo paulistano de black metal criado em 2016 e que estreou no ano seguinte com o debut homônimo, mas que adquiriu seu ápice no aclamado Eterno Aeon Obscuro, de 2020. O quarteto, liderado pelo vocalista e guitarrista Renato Gimenez e completado por Eric Nefus Cavalcante (guitarra), Nilson Slaughter (baixo) e Daniel Vecchi (bateria), iniciou o show com Elementais da Matéria Escura e Sob a Noite Espectral. O repertório trouxe sons de diversos momentos da discografia, com destaque para Nascido do Fogo, Eterno Aeon Obscuro, O Chamado dos Mortos e Eterno Vazio, que fechou o set. Além destas, foram tocadas duas do recém-lançado Quo Mors (split com o Skid Raid, do México): Emanações Sinistras da Escuridão Primordial e Ancestral Rebelião.


O som do Vazio conta com guitarras dissonantes, e equalizações as quais trazem à tona toda a temática espiritual da banda, o que envolve os presentes no macabro clima dos temas tratados em suas letras. Vale destacar a qualidade de som do Carioca Club para eventos de música extrema, bem como o trabalho visual proporcionado pelo telão, que não contou apenas com o logotipo das bandas como backdrop, mas com diversas imagens, o que contribuiu para uma experiência ainda mais interativa com os presentes. No caso do Vazio, com o misticismo, magia negra e imagens infernais, dignas de Telema. “Uma grande honra participar deste evento sold out! Público e organização estão de parabéns, provaram que estamos preparados para voltar com tudo. Obrigado pelo apoio ao Vazio e esperamos rever a todos em breve”, comemorou o vocalista Renato Gimenez.

Às 16h, tanto a pista quanto o mezanino dos camarotes e as demais dependências do Carioca estavam lotadas para o início do show da Crypta. A pista já cantava o nome da banda em coro, nesta que seria a sua primeira apresentação em São Paulo desde a sua formação e lançamento do álbum Echoes of the Soul, que aconteceram durante o período pandêmico. A carismática vocalista e baixista Fernanda Lira demonstrou emoção no olhar ao ver tamanho carinho do público. Ela, inclusive declarou isto em suas redes sociais no dia seguinte ao evento: “Me emocionei muito nos últimos dias, tive momentos até de quase chorar no palco, e chorar nos cantinhos no camarim após os shows. Hoje eu choro de alegria, algo que nem lembrava mais que era possível – e por causa de vocês, amigos, fãs, equipe, parceiros e apoiadores maravilhosos. A noite de ontem tocando em casa foi incrível”.

Lira, Tainá Bergamaschi (guitarra) e Luana Dametto (bateria) se mostraram extremamente entrosadas com a nova guitarrista, Jéssica di Falchi, que as tem acompanhado nesta tour após a saída de Sónia Anubis, que deixou a banda e segue como guitarrista do Cobra Spell. E o entrosamento se mostrou não apenas no musical, mas também em performance de palco, com momentos de Jéssica e Tainá à la Paul Stanley e Ace Frehley no Kiss.

O death metal brutal das meninas, com peso de Morbid Angel, e influências técnicas do Death, instaurou o mosh na pista. Mais que isso, pois o público entoava os refrãos, com destaque para Starvation e Kali, com direito a citação da Deusa da Destruição pela Fernanda que, dentre sua habitual desenvoltura, agradeceu aos fãs que mantiveram a cena ativa em meio à pandemia.

Como vem ocorrendo em eventos onde as bandas, juntamente ao seu público, se mostram posicionadas e revoltadas com os escândalos e consequências drásticas do Governo, sempre há as manifestações de indignação e os engajados “cânticos” de ‘Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*’, o que mostra uma máxima no underground nacional. E isto se viu tanto entre quem optou por ficar nas grades ou entrou nas rodas de mosh, até os que apreciam os shows no fundo da pista e nos camarotes.

Por volta das 17h, o renomado Nervochaos, do baterista Edu Lane (Tumba Productions, Setembro Negro), apresentou o seu metal extremo que vai do thrash ao death e que, em alguns momentos, beira o black metal. Com mais de 25 anos de carreira, e embora tenha passado por diversas formações, o grupo mostra solidez e cada vez mais maturidade em seus materiais, bem como nas apresentações ao vivo. Atualmente como quinteto, Brian Stone (vocal), Luiz “Quinho” Parisi e Woesley Johann (guitarras), Pedro Lemes (baixo) e Edu Lane, fizeram um show visceral, começando com Whisperer in Darkness e Dark Chaotic Destruction. Destaques para as clássicas I Hate Your God, For Passion, Not Fashion e Pazuzu is Here, além do encerramento com Pure Hemp, de Legion of Spirits Infernal, lançado há 20 anos.

O set foi intenso e até ajudou a acalmar os ânimos de quem aguardava o bar se reestabilizar, pois o fim da cerveja gelada gerou minutos de tensão aos que estavam precisando dar uma refrescada. E mesmo com esse fator, que merece crítica (construtiva), um detalhe a ser ressaltado durante intervalos entre as bandas é que a organização e o trabalho dos roadies e técnicos foi pontual e a preparação do palco para as próximas apresentações foi impecável e sem atrasos. “A gente participou do evento ao lado de grandes bandas e foi uma grande honra poder retornar para São Paulo em um festival bem organizado, com casa cheia (sold out), para apresentar não só o material novo da banda como a nova formação… Salve ‘Kool Metal Fest!'”, celebrou Edu Lane.

Após o Nervochaos, os que aproveitaram o intervalo para a (agora gelada) cerveja, o cigarro, ou a ida rápida ao banheiro (nem tão rápida, devido as filas de casa cheia) e compra de merch, tiveram a oportunidade de interação com a Fernanda Lira do Crypta, que foi responsável por gerar uma nova fila. Porém, ela fez questão de atender a todos e tirar fotos até que a apresentação do Krisiun estivesse prestes a começar. Por sinal, havia muitos músicos de outras bandas em meio ao público, como Bruno Teixeira (Desalmado, membro do coletivo Hedflow e Agência 1ª1), Xandão Brito (Andralls), Yasmin Amaral (Eskröta), Fernandão Schaefer (Worst), Vini Castellari (Project46 e InDharma), Jean Patton (Project46), Diego Nogueira (Anthares e Blasthrash), Daniel Lugondi (Hammurabi), Zozi Fernando (Blackning), Rogério (Paura), Raphael Omlos (Kamala), Isabela Moraes (Kamala) e Ivi Kardec (Podridão), entre outros.

“São Paulo, o Krisiun está aqui”… Assim, às 17h45, o tanque de guerra, o maior nome do metal extremo nacional chegou e abriu seu set com Kings of Killing, levando ao êxtase o público, que ainda se mostrava energético após os destruidores quatro shows anteriores. Os irmãos Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) são exímios no que sempre se propuseram a fazer. Ou seja, o death metal mais rápido e brutal possível, mas com técnica extremamente perceptível e a cadência sem perder o peso habitual. Dentre os ataques do repertório, destaques para Ravenous e Descending Abomination. Alex ainda mandou o recado: “Aqui é metal nacional, a gente não se vende por merd*, independente de viver em um país de governo fascista e racista”. Para encerrar o set, o trio brindou os fãs com um cover que costumam tocar há tempos, a clássica Ace of Spades, do Motörhead, e Hatred Inherit. “O ‘Kool Metal Fest’ foi ‘sold out’ e esta será uma noite que ficará na nossa memória por muito tempo”, postou o grupo em suas mídias sociais.

Alguns ficaram surpresos com o anúncio da ordem das bandas, na qual o Belphegor ficou como coheadliner, e o lugar no fechamento do evento ficou por conta do Ratos de Porão, que lançaria o álbum Necropolítica. Porém, nada mudou quanto a recepção dos austríacos. Liderados por Helmuth e Serpent, a última apresentação da banda em solo brasileiro havia sido em 2017 no “ExtremeHate Fest”. Com o recém-lançado single/vídeo Virtus Asinaria – Prayer, o grupo planeja soltar o novo álbum, The Devils, ainda no primeiro semestre.

Formado em 1991, no início eles ainda apresentavam um black metal raiz, com os traços do gênero que ficou mais conhecido por bandas norueguesas, mas com o tempo foram moldando o seu som voltado para o peso e a brutalidade do death metal. Assim, se estabeleceram com um ‘blackened death metal’, mas com personalidade em climas soturnos como trilha de sua temática satânica e blasfema. Isto pode ser conferido nos clipes e em performances ao vivo, desde a corpse-paint em sangue de Helmut até a estrutura de palco com as imagens demoníacas, que também estavam presentes em shows no Brasil. Baphomet, Stigma Diabolicum e Conjuring the Dead foram os ápices de uma apresentação relativamente curta, mas histórica, e que deixou a todos com um desejo de vê-los novamente – até mesmo em show solo, como relataram alguns presentes.

Íamos chegando ao fim do que, até então, foi realmente um espetáculo proporcionado por todas as bandas. Embora extenso, ainda havia energia e ansiedade para o Ratos de Porão que, de forma mútua, veio com todo o gás para o show de lançamento de seu novo álbum, Necropolítica. Com seus álbuns de conceito atemporal ao longo dos anos, o R.D.P. sempre trazem uma denúncia à realidade sócio-política do país, e dessa vez não foi diferente. A situação atual serve como um prato cheio para letras das executadas Alerta Antifascista e Aglomeração.

É incrível como, após 40 anos de estrada, os tiozinhos tocam cada vez mais rápido! João Gordo com o vocal cada vez mais rasgado e caótico e a sincronia de Jão (guitarra) e Juninho (baixo), com seus tradicionais pulos no palco. E Boka além de ditar a batida rápida, toca extremamente forte. Gordo até se mostrou surpreso, citando: “Achei que os ‘metaleiro’ ia tudo embora depois dos Belphegor. Obrigado pra todo mundo que ficou aí”, disse. No decorrer do show, ele acrescentou: “A gente gosta dos metal, mas somos meio enrustido; nosso negócio é hardcore”.

Além das novas, o repertório iniciado com Amazônia Nunca Mais e Morte ao Rei, veio forrado de clássicos que levaram o Carioca Club abaixo. Entre eles, Beber Até Morrer, Crucificados Pelo Sistema, V.C.D.M.S.A (Vivendo Cada Dia Mais Sujo e Agressivo), Anarkophobia, Caos, Paranoia Nuclear, AIDS Pop Repressão, Suposicollor, Igreja Universal e Crise Geral. O último fôlego dos presentes valeu o esforço. “São Paulo é sempre especial para a gente, a casa da banda. Além de ter os fãs de décadas que seguem a gente, os novos e os antigos, acabamos sempre encontrando um monte de amigo. E o ‘Kool Metal Fest’ é demais, um festival que está sendo feito há tempos por amigos nossos, que fazem parte da história da banda. Acho que é a terceira vez que a gente toca e o show foi demais!”, declarou o baterista Boka. “Foi a maior vibe, a casa estava lotada e as bandas que tocaram são todas amigas do Ratos. Foi uma noite muito especial, a gente ficou bem feliz, inclusive com a parte técnica do show – o som, a gente tocando e o público interagindo. Enfim, foi demais!”, concluiu.

Encerrando a noite, após um longo dia, o público mostrou a carência que estava de tais eventos. Após cerca de dois anos, todos agitaram e interagiram do começo ao fim.

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