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LEATHER – SÃO PAULO (SP)

12 de abril de 2024 - Jai Club

Por Samuel Souza

Fotos: Eliane Randi

Sexta-feira (12) de clima agradável, retornamos à Jai Club uma semana após o show do Exciter para mais um grande espetáculo de heavy metal, desta vez com o “público adequado” à estrutura do local (lotação por lá, infelizmente, gera um certo desconforto, para público, bandas e equipe técnica), porém insuficiente para prestigiar a bela noite programada. Com tantos shows ocorrendo na capital paulista, a escolha não é fácil.

No local, os adeptos das camisas pretas ainda chegavam quando, pontualmente às 18h45, a primeira atração, Hell On Wheels, iniciava sua performance com America. O grupo presta um justo tributo ao Acid, banda cult de speed metal de Bruges, Bélgica, formada no início da década de 80 e lembrada pela vocalista Kate de Lombaert, que possui um timbre próprio e é pioneira no estilo, ainda mais considerando que estava fora do circuito da época, sendo uma referência de representatividade feminina há muitos anos. Aqui, Lombaert é “representada” pela carismática Andressa Castelhano, que, além da beleza, chama atenção pela interpretação afiada e precisa, com linhas vocais à altura da original. Curiosamente, até o sotaque paulistano combina bem!

O grupo estava desfalcado do baixista Amilcar Rizk (afetado pela dengue), o que fez falta, não apenas para encorpar o som, mas também como guia para seus companheiros, que enfrentavam dificuldades com o sistema de retorno. Isso atrapalhou algumas execuções, mas não diminuiu o brilho de uma apresentação certeira, ainda que tímida. Uma sequência de clássicos foi executada e correspondida à altura pela audiência, na qual boa parte sabia realmente do que se tratava, sendo muito verdadeiro, diga-se. Lucifera, Ghostriders e Max Overload foram os grandes destaques, motivando muita bateção de cabeça e a clássica coreografia ‘air guitar’. É um típico heavy metal com toque hard, que torna impossível ficar parado no “arrasta-pé”. Tem um clima festivo e animado.

Em certo momento, o guitarrista Reinaldo Padua desceu do palco para tocar próximo à galera. Foi um instante inusitado, porém divertido. Não sei ao certo se foi para se certificar de que o som chegava bem para o público, pois eles estavam com dificuldades com o retorno lá em cima. Comunicativa e simpática, Deca – como é conhecida a vocalista da banda -, agradeceu a presença daqueles que chegaram cedo e entraram na casa para vibrar junto sua banda. Encerraram com a intensa Black Car, uma canção claramente inspirada em “Christine, o Carro Assassino” de Stephen King (embora no livro e no filme a cor seja vermelha). Foi uma apresentação rápida, que deixou aquele gostinho de quero mais. Espero que o Hell On Wheels evolua para um trampo autoral com essa pegada à la Acid e Bitch. Seria muito foda, pois eles entendem do riscado e possuem potencial de sombra para isso!

Enquanto acontecia uma breve pausa para os ajustes no palco, aquele clima agradável de confraternização envolvia todo o ambiente, que já dispunha de um público considerável, praticamente o mesmo que permaneceu até o final. Às 19h40, o Selvageria, banda que é velha conhecida dos fãs de metal, inicia mais uma grande performance, revisitando seus próprios clássicos. É gratificante ver e ouvir uma banda underground que tem verdadeiros admiradores, que em uníssono entoam suas músicas. Provavelmente, essa é uma das melhores recompensas que um músico pode ter! Eles iniciaram com Metal Invasor, um autêntico hino ao metal em português. Impossível não quebrar os pescoços ao som deles!

Reduzida há algum tempo a um power-trio desde a saída do vocalista Gustavo Macedo (que formou o Trovão), a difícil tarefa dos vocais foi assumida pelo baterista Danilo Toloza, que, por sinal, se sai muito bem. Não há nada mais autêntico para uma banda de heavy metal dos anos 80 do que ter um baterista como vocalista. Isso é fantástico de várias maneiras, quebra algumas barreiras e emula aquela atitude de resolver problemas no line-up internamente e se virar como pode, no melhor sentido possível. Do segundo álbum, Ataque Selvagem, de 2017, eles tocaram apenas a empolgante faixa que leva o nome do grupo. E, é claro, a resposta do público foi facilmente perceptível, correspondendo a tudo que saía dos falantes. Foi assim com a vigorosa Cinzas da Inquisição e com a cativante e sensacional Trovão de Aço, que tem um refrão que fica na cabeça por dias.

Na linha de frente, o guitarrista César Capi é uma espécie de baluarte da cena. Ele desfruta de um grande respeito de todos, que sabem que ali tem, além de um verdadeiro headbanger, um cara com um carisma inegável. Um show do Selvageria é sempre uma excelente farra, não há dúvidas quanto a isso! Como o próprio nome sugere, Hino do Mal veio para encerrar a participação deles nesta noite. A canção é uma ode ao metal em sua melhor forma, convidando todos a celebrar o estilo, assim como o Taurus fazia escola com Signo de Taurus, uma inesgotável fonte de inspiração para o estilo nacional.

Se a noite já estava vibrante e com o clima perfeito para celebrar o heavy metal, o que presenciamos a partir desse ponto foi, sem dúvida, uma das mais memoráveis performances do gênero que vi nos últimos meses. É incrível ser surpreendido por algo que supera todas as expectativas, e Leather Leone, com sua energia invejável e uma voz que beira a perfeição, esse verdadeiro furacão metálico, aos seus bem vividos 65 anos de idade, simplesmente arrasou tudo e a todos. Sem palavras! Faltam adjetivos para descrever adequadamente o que essa dama de aço entregou no palco: simplicidade, carisma, alegria, leveza e uma potência vocal como um tornado devastador! Com uma banda altamente competente, composta exclusivamente por brasileiros, os músicos fizeram um trabalho excepcional, com destaque para o guitarrista Vinnie Tex, que captou perfeitamente o espírito das músicas originais. Afinal, estamos falando de algo muito particular; embora muitas vezes direto, há detalhes sutis que fazem toda a diferença.

Os iniciados de plantão sabem que Leone foi parte da primeira geração do então chamado heavy power metal nos anos 80, ao lado do virtuoso guitarrista David Taylor, exímio compositor que deu seu nome à banda, Chastain, que tem uma inexplicável aura cult. Ruler of the Wasteland, faixa-título do segundo álbum, de 1986, abriu o espetáculo. Enquanto Leone irradiava entusiasmo, o público correspondia cerrando os punhos e batendo cabeça sem parar. The Black Knight veio em seguida para conquistar de vez os fãs, mas foi com a cadenciada Mystery Of Illusion, título do álbum de estreia do Chastain, que a emoção atingiu seu ápice. Que música incrível! Da carreira solo de Leather, tivemos momentos mais serenos com Shockwaves, com Leone demonstrando maestria com sua voz vibrante e poderosa, assim como em We Take Back Control, do seu trabalho mais recente de 2022, uma canção que personifica como o true metal deve soar. Believing… Metal is my name, verso da música, foi cantado por todos. É perceptível que Leone encontrou uma zona de conforto para sua voz, especialmente em suas próprias músicas. Sua habilidade em mudar de tom e explorar diferentes nuances é surpreendente!

É lamentável que do álbum The 7th of Never, amplamente divulgado no Brasil pela Rock Brigade Records, tenham tocado apenas a faixa-título. E, poxa, esse disco tem vários sons viciantes! Ainda de sua carreira solo, apresentaram Who Rules the World, que possui uma abordagem mais moderna e contemporânea. Para encerrar essa apresentação magnífica, fomos brindados com mais duas jóias diretas dos anos 80, as sensacionais The Voice of the Cult e The Battle of Nevermore, ambas repletas de melodias destinadas a arrancar lágrimas dos mais fervorosos headbangers.

A matriarca do metal, Catherine “Leather” Leone, mostrou que vitalidade e autenticidade não podem ser adquiridas em qualquer lugar, e que há uma grandeza e genialidade em manter-se ativa no circuito underground, mesmo com toda a qualidade para ocupar o mais alto escalão do heavy metal no mercado. Leone está à altura dos grandes nomes do estilo, como a própria Doro Pesch, e poderia facilmente encher grandes arenas. Mas, como nada nesse caminho da música faz muito sentido, resta a nós, simples mortais, testemunhar e reverberar como a passagem de Leather por São Paulo é um exemplo de resistência e uma das experiências mais incríveis ao vivo que um fã de metal pesado pode ter! Parabéns à Caveira Velha Produções por proporcionar essa mistura de nostalgia com uma das melhores temporadas de shows que a capital paulista vem recebendo.

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