LOLLAPALOOZA (TOOL E SEPULTURA) – SÃO PAULO (SP)

30 de março de 2025 – Autódromo de Interlagos

Foto: Ariel Martini e Leo Chines

Por Marcelo Gomes

Fotos: Diego Padilha (Tool) e Vans Bumbeers (Sepultura) – exceto onde indicado

O festival Lollapalooza, ao longo de suas edições, consolidou-se como um evento eclético, abrangendo diversos gêneros musicais e atraindo um público variado. No entanto, a presença de bandas de metal no line-up sempre foi um tema de debate entre os fãs do gênero e os frequentadores do evento. A edição de 2025 surpreendeu ao incluir, no último dia do festival, realizado em 30 de março, dois grandes nomes do metal: Tool, que se apresentou pela primeira vez na América Latina, e Sepultura, em sua turnê de despedida. A inclusão dessas bandas reforçou a diversidade do festival e proporcionou momentos inesquecíveis para os fãs de música pesada.

A estreia do Tool no Brasil durante o festival foi um marco histórico. A banda, formada por Maynard James Keenan (vocais), Adam Jones (guitarra), Justin Chancellor (baixo) e Danny Carey (bateria), destoou das demais atrações do festival ao apresentar uma performance que combinou complexidade musical e uma atmosfera visual hipnotizante. Após anos de espera, os fãs brasileiros finalmente puderam testemunhar o espetáculo audiovisual que faz do Tool uma das bandas mais cultuadas do metal progressivo.

O show começou com Fear Inoculum, faixa-título do álbum mais recente, estabelecendo um clima introspectivo e denso. A escolha dessa música como abertura demonstrou a intenção da banda de envolver o público em uma experiência sensorial única desde os primeiros acordes. Maynard manteve sua postura enigmática ao fundo do palco, enquanto Adam Jones e Justin Chancellor conduziam a progressão sonora com precisão.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi a execução de Jambi, que contou com a participação especial de Jéssica di Falchi, ex-integrante da banda brasileira Crypta. A presença da guitarrista trouxe uma energia extra à performance, especialmente nos duetos, que levaram os fãs ao delírio. O solo de Adam Jones destacou a maestria do guitarrista na criação de texturas sonoras únicas.

A sequência com Stinkfist e Rosetta Stoned manteve a intensidade do show, deixando o público hipnotizado pela excelência da banda. Stinkfist, um dos maiores clássicos do Tool, fez com que a plateia cantasse cada verso com fervor, enquanto Rosetta Stoned impressionou pela complexidade rítmica e pela entrega visceral de Maynard nos vocais. O baterista Danny Carey brilhou nesse momento, demonstrando técnica impecável.

Na segunda metade do show, músicas como Pneuma e The Grudge proporcionaram uma viagem introspectiva, com letras profundas e instrumental dinâmico. A performance de Parabol e Parabola em sequência elevou o clima do festival, criando um momento de emoção entre os fãs. O encerramento veio com Schism e Ænema, culminando na poderosa Flood, que reforçou a grandiosidade do espetáculo.

A estreia do Tool no Brasil superou todas as expectativas, proporcionando uma experiência transcendental para os fãs. Apesar da pouca interação com o público, a combinação de músicas complexas, imagens introspectivas e uma performance impecável consolidou essa apresentação como um dos momentos mais memoráveis da história do Lollapalooza no país. Sem dúvida, foi uma apresentação que ficará marcada na memória de todos que estiveram presentes.

O intervalo entre o show do Tool e o do Sepultura foi de apenas cinco minutos. Os fãs correram para o palco onde o Sepultura se apresentaria, ansiosos para presenciar um dos últimos shows da banda. A verificação dos últimos ajustes pelos roadies já indicava que o som seria ensurdecedor, possivelmente o mais alto do dia.

Como parte de sua turnê de despedida, “Celebrating Life Through Death”, o Sepultura, formado por Derrick Green (vocal), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Xisto (baixo) e o recém-integrado Greyson Nekrutman (bateria), subiu ao palco do Lollapalooza para cravar seu nome na história do festival. O setlist foi uma verdadeira celebração da carreira da banda, iniciando com uma sequência avassaladora de Refuse/Resist, Territory e Desperate Cry, esta última uma grata surpresa para os fãs, pois não era tocada desde 2019. Desde os primeiros acordes, o público foi à loucura, formando rodas intensas e dando o tom da despedida.

A difícil missão de substituir os ex-bateristas Iggor Cavalera e Eloy Casagrande foi encarada com naturalidade por Greyson Nekrutman, que brilhou na complexa Means to an End. Um dos pontos altos da noite foi a performance de Kaiowas, que contou com a participação de Perry Farrell, vocalista do Jane’s Addiction e criador do Lollapalooza, e Junior Lima, além de empresários e equipe da banda. Essa fusão de estilos e a energia contagiante dos convidados elevaram o show, criando um momento de celebração e união, resgatando a icônica jam  que faziam durante a turnê do Chaos A.D. em 1994.

Após essa viagem pelos ritmos brasileiros, a banda retornou ao thrash metal com Escape to the Void, levando os fãs a formarem uma roda gigante em frente ao palco. Para acalmar um pouco os ânimos, tocaram Agony of Defeat, uma faixa mais lenta e rebuscada do álbum Quadra, que poderia facilmente integrar a trilha sonora de um filme dramático. Entretanto, a calmaria durou pouco, e a reta final do show trouxe a clássica Arise.

O público, ainda insaciável, clamou por mais, e o Sepultura retornou para o bis com Ratamahatta e encerrou a noite com Roots Bloody Roots. Esse foi o ápice do show, com todos pulando e cantando o hino de uma geração que simboliza a história da banda e seu impacto no cenário mundial. O Sepultura despediu-se do Lollapalooza de forma grandiosa, reafirmando seu legado como um dos maiores expoentes do metal brasileiro e mundial. Agora, resta-nos aguardar os próximos capítulos dessa história, que está quase no fim, mas ainda promete mais quatro músicas inéditas e muitas emoções para o tão aguardado show final. Max e Iggor Cavalera participarão? Ainda há esperança. Segundo entrevistas recentes, o guitarrista Andreas Kisser revelou que gostaria que os irmãos participassem do show. Vamos aguardar e, por enquanto, agradecer ao Sepultura por representar tão bem o Brasil e ser motivo de orgulho para tantas pessoas.

Setlist Tool
Fear Inoculum
Jambi
Stinkfist
Rosetta Stoned
Pneuma
The Grudge
Parabol
Parabola
Schism
Ænema
Flood

Setlist Sepultura
Refuse/Resist
Territory
Desperate Cry
Kairos
Attitude
Means to an End
Kaiowas
Escape to the Void
Agony of Defeat
Arise
Ratamahatta
Roots Bloody Roots

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