MAESTRICK – SÃO PAULO (SP)

12 de julho de 2025 – La Iglesia

Por Fernando Queiroz

Fotos: Belmilson Santos

Shows de lançamento de álbum, a primeira vez fazendo aquele setlist completo e com toda a responsabilidade de apresentar suas novas músicas são sempre um desafio. Não é fácil! O Maestrick, na estreia do álbum Espresso Della Vita: Lunare, tinha essa responsabilidade maximizada – por conta de sua recente notoriedade no cenário do heavy metal nacional, e até mundial, além de ter ali na plateia nomes conhecidos desse nosso mundo musical pesado. Como eles agiriam, como se sairiam? Spoiler: fizeram bonito! Com casa cheia, público que não se vê com frequência no La Iglesia, um ótimo horário num sábado agradável e uma excelente banda de abertura, os paulistas de São José do Rio Preto saíram com missão cumprida.

Pontualmente, como é de costume em produções da Overload, a apresentação de abertura contou com a banda vencedora do concurso New Blood, do Summer Breeze Brasil (atual Bangers Open Air) de 2024, a Santo Graal, que começou seu show com um público já bom na casa. Originalmente de Belém/PA, mas radicada em São Paulo, eles têm sido presença constante no circuito de shows underground na cidade e arredores, mostrando seu metal sinfônico clássico, na linha dos anos 2000 – chegaram, inclusive, a abrir shows da cantora Tarja Turunen há alguns anos. Uma particularidade interessante é a presença de um violoncelista, Wagner de Lavos, como integrante fixo, que combina muito bem com as guitarras de Paulo Francioli, o que tornou o palco do La Iglesia um pouco pequeno. Aparentemente, a banda está habituada a essa situação e definitivamente isso não prejudicou em nada a performance.

Entrosados e com formação sólida, começaram muito bem a noite com Whisper of Souls, e logo de cara, o público que talvez pouco os conhecesse já sentiu que tinham sido a escolha certa para o momento. Após se apresentarem, continuaram com Lesser Evil e Open Your Heart. A cozinha funcionava bem, e tanto a bateria de André Pedroso quanto o baixo de Adriano Santos eram audíveis na medida certa. Os destaques, porém, eram as garotas da banda! A tecladista Caroline Claro, muitas vezes se juntava aos colegas das cordas e com seu ‘keyatar’ ia para frente, bangueava e solava, numa presença de palco que quase não se vê entre tecladistas. Já Natália Fay, além de excelente cantora lírica, é mais que isso, é uma performer. Interpreta, interage e aposta no visual. Na faixa Angel of Lust abriu asas que eram parte de sua roupa, num ótimo momento condizente com a proposta da canção e do estilo da banda.

Terminaram os 40 minutos de show que tiveram com Black Swan, uma ótima releitura da obra clássica de Tchaikovsky, e a saideira Sunshine II. Apesar do estilo diferente da banda principal da noite, os gêneros casaram bem e nitidamente o público presente ficou bem satisfeito com o show de uma das mais promissoras bandas sinfônicas nacionais.

Possivelmente o maior nome em ascensão do metal brasileiro fora do meio mais extremo, o Maestrick chegou ao seu terceiro disco indo de vento em popa: aclamado por público e crítica, Espresso Della Vita: Lunare conta com participações de peso, como Roy Khan e Tom Englund. Assim, o show de lançamento não poderia ser de baixo nível, certo? Bem, tivemos também participações de nomes proeminentes da cena nacional na apresentação.

Começaram pontualmente, algo que, novamente, merece elogios, às 21h15, com casa cheia e muita expectativa. Abriram com Upside Down, faixa inicial do novo disco, e já emendaram Boo!, música que, em estúdio, foi gravada com os vocais de Tom Englund, vocalista do Evergrey, e ao vivo Fabio Caldeira fez perfeitamente as partes do sueco. Como no álbum, seguiram com Ghost Casino, tocada pela primeira vez em um show. Voltando ao começo de sua carreira, após os tradicionais agradecimentos, Disturbia, do álbum Unpuzzle!, foi apresentada, e então foram um pouco para frente de sua jornada, com The Seed, do álbum Espresso Della Vita: Solare, primeiro da saga que terminou com o atual disco.

Em determinado momento, tiveram que dar uma parada por conta de algum contratempo no equipamento do baterista Heitor Matos, e Fabio aproveitou muito bem para falar com o público, que gritava o nome da banda em coro. Fora isso, sem maiores problemas, e o show seguiu com ótimo repertório, contemplando seus três álbuns, focando, claro, no último e mais aclamado lançamento. A banda está afiada, em seu auge, e o sorriso, o show todo, do baixista Renato Montanha, era nítido. Destaque para o tecladista convidado Charles Soulz, que mesmo tendo que ficar em um canto do pequeno palco, marcava sua presença com um ótimo som de orquestrações e samplers. Os solos de Guilherme Henrique também eram bem notórios durante o show e, diferente de outros shows que vemos, as bases não ficaram encobertas por outros instrumentos. Fabio Caldeira novamente mostrou porque é um dos melhores vocalistas do Brasil na atualidade em Agbara, gravada com os vocais de Jim Grey, do Caligula’s Horse, na qual ele mesmo fez os fantásticos guturais ao vivo, ao lado do baixista Montanha.

As participações de ótimos convidados vieram mais ao final, nas últimas músicas antes do bis: Victor Emeka, ex-vocalista do Hibria, cantou em Pescador, do álbum de estreia da banda – vale dizer, Victor nos disse que estava sem cantar ao vivo desde que saiu do Hibria, no ano passado, e isso o deixou nervoso, mas sem motivos, pois fez bonito! Juliana Rossi, que já havia participado do show de Roy Khan na semana anterior, subiu ao palco para a excelente Mad Witches, interpretando a personagem Condessa do álbum novo, e sem dúvidas foi uma performance arrasadora.

No bis vieram H.U.C., do primeiro álbum, e Lunar Vortex, gravada por Roy Khan e na qual mais uma vez Fabio cobriu perfeitamente as partes do norueguês. Terminaram o show com Ethereal, faixa escolhida como destaque – com razão – do novo disco. Saíram do palco ovacionados após quatorze músicas, todas muito técnicas, e algumas bem longas, reproduzidas impecavelmente em mais de duas horas e meia de show.

O saldo não poderia ter sido melhor. Ótimo som, um horário muito bom, uma combinação de duas bandas que, embora estilos diferentes, casaram muito bem – o sinfônico e o progressivo parecem combinar muito bem ao vivo – e performances de gala deram à noite um status de show grande, mesmo em uma casa pequena. Das bandas emergentes no cenário nacional, o Maestrick é sem dúvida a de maior destaque e o Santo Graal mostra que o sinfônico está vivo. No lançamento de seu novo disco em São Paulo, e com toda a responsabilidade de apresentá-lo ao vivo para uma casa cheia e com notórios nomes da cena presentes, O Maestrick cumpriu seu papel com maestria e entregou um show que alguns artistas de maior nome deveriam seguir: tocaram bem e entregaram uma boa produção, o que num evento que todos os presentes aproveitaram da melhor forma possível.

 

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