Texto: Fernando Queiroz
Fotos: André Tedim (Confere Rock)
De algum tempo para cá, fomos acostumados com a presença de bandas “cover de luxo”. Artistas internacionais que fazem tributos a grandes bandas do passado, e impressionam pela semelhança com os originais, em muitos casos mais visualmente que sonoramente. Esse definitivamente não é o caso de Marc Martel, cantor canadense conhecido por seu timbre de voz extremamente parecido com o de Freddie Mercury, por gravar partes vocais para o filme biográfico de Freddie, “Bohemian Rhapsody”, e por integrar, até 2017, o tributo oficial à banda, Queen Extravaganza, que se apresentava com seu “novo” tributo à banda britânica, o One Vision Of Queen. Como ele mesmo falou durante a apresentação em São Paulo, não esperem a jaqueta de couro amarela e o “shortinho”, aquele show que apresentam é simplesmente sobre MÚSICA. E como diz um colega de redação, tudo do Queen é no mínimo nota 9,5 para cima, então você já pode imaginar a responsabilidade que é interpretar essas músicas. Acredite, ele tirou de letra!
O primeiro momento de interesse ficou por conta da rua em frente ao Terra SP, onde as pessoas iam tranquilamente entrando na casa: mães, pais, avôs, filhos, netos. De crianças pequenas a idosos; de pessoas com camisetas do Pantera às do Pink Floyd: o Queen une gerações e tribos. Apesar de movimentada, a rua estava tranquila e sem uma fila realmente grande – as pessoas se espalhavam pelas barraquinhas de fast-food do entorno. Pontualmente, às 18h as portas abriram e as pessoas tranquilamente entraram no local.
Já dentro da casa, o local mais cheio era a parte dos camarotes – o setor estava esgotado. Na pista, pequenos acúmulos de pessoas, mas em geral o público estava bem espalhado, tomando drinques e cervejas. Tranquilidade. No palco podíamos já ter uma noção do que viria, com um piano de tamanho médio exatamente no centro do palco. O ponto de algum “incômodo” era o volume da música ambiente, um tanto alto para simplesmente dar o som do local. Não que as músicas tocando fossem ruins, pelo contrário, ia de Sex Pistols a Van Halen e outros clássicos do rock.
Pontual também foi o início do show de Marc Martel, que entrou no palco exatamente às 20h. Luzes se apagaram, e as primeiras notas foram ouvidas no palco. Logo, a banda estava em cena, com um medley impressionante de One Vision, Keep Yourself Alive e Bicycle Race. Era nítido, desde o começo, que a experiência que teríamos era um show do Queen! Se você fechasse os olhos, era Freddie Mercury no palco! Porém, visualmente a identidade de Marc Martel é própria. Camiseta, calça e jaqueta pretos, sem a alegoria visual. Era música! Uma experiência sonora de Queen. A segunda foi Hammer to Fall, uma das não tão conhecidas, mas excelentes músicas do álbum The Works. O clássico You’re My Best Friend seguiu. Marc agradeceu ao público e prometeu um show em homenagem à música do Queen, como já mencionamos. Seguimos com outro clássico – aliás, difícil falar de “clássico” quando se trata de Queen, pois cada música é um clássico, e Marc escolheu um setlist recheado de sucessos –, Killer Queen, que levantou a plateia. A seguir, o guitarrista Tristan Avakian assumiu os vocais em dueto com Marc para Under Pressure, gravada originalmente em dueto de Freddie com o igualmente lendário David Bowie. O riff de contrabaixo levou abaixo o público que enchia – mas não lotava – a casa.
Um momento de pessoalidade aqui, pois a seguinte foi a preferida deste que vos fala: A Kind of Magic, música que conheci por conta do segundo (e péssimo, diga-se de passagem) filme da franquia “Highlander”, com Christopher Lambert. A performance e os trejeitos vocais de Marc são exatamente o que os fãs do Queen queriam naquela música. Impossível, também, ficar parado na seguinte, I Want to Break Free, a famosa – e excelente – música “pra soltar a franga”. Marc novamente se dirige ao público, desta vez para exaltar o guitarrista do Queen, Brian May, e é tocada Fat Bottomed Girl. Talvez o único “lado B” da noite, Marc fez questão de tocar uma que, segundo ele, era uma das preferidas de Freddie, You Take My Breath Away, interpretada na íntegra no piano ao centro do palco. Ainda ao piano, veio o momento que todos esperavam: Bohemian Rhapsody. Como não se emocionar com o público cantando em coro “mama uuuh…”?
Um breve medley com Flash e Death on Two Legs foi seguido por outro clássico, I Want it All. Tinha para todos os gostos! Agora com o violão elétrico em mãos, o sucesso country do Queen, Crazy Little Thing Called Love novamente tirou suspiros dos presentes, assim como quando o mais famoso riff de contrabaixo da história começou, com Another One Bites the Dust. Uma pausa no show para um solo de guitarra de Tristan Avakian, no qual ele tocou trechos de Who Wants to Live Forever, Brighton Rock e God Save the Queen.
De volta ao palco, agora de camiseta branca, outro lado B é tocado, Seaside Rendezvous. Mas voltemos aos sucessos, não? A música de festa, alegria e felicidade que todos amam, Don’t Stop Me Now, sempre agita todos em qualquer ocasião!
Qualquer um que conheça a história do Queen sabe do impacto que foi a próxima música, Love of My Life para o público brasileiro no Rock In Rio de 1985. Em menor escala, tivemos a mesma emoção ali. Se Marc quisesse, poderia ter deixado a plateia cantar, que teria sido igualmente perfeita. Radio Gaga seguiu emocionante e então foi hora de um pequeno discurso de Martel. Ele falou sobre seu início na música gospel, que não conheceu o Queen até tarde, mas que aquela próxima música foi a primeira que ele gravou e lhe deu, e chamou de “a música mais gospel que Freddie jamais fez”. Claro, estava falando de Somebody to Love, a música para “terminar o show”.
Claro que não iria terminar ali. O bis veio com uma das batidas mais conhecidas do mundo, em We Will Rock You. Para fechar a noite, como era de se esperar, We Are the Champions causou arrepios em todos!
No fim das contas, um “cover de luxo”, como alguns chamam, nos deu uma das experiências mais icônicas possíveis. Não apenas musicalmente, com uma banda afiada formada por grandes músicos, além dos vocais absurdamente parecidos com Freddie de Marc Martel, mas algo para se viver em família. Como dissemos, crianças, adultos, idosos, mulheres e crianças; metaleiros, rockeiros, pessoas que mal ouvem rock, todos ali reunidos para celebrar a carreira e a música do Queen em um setlist recheado de sucessos, alguns “lado b”, e uma experiência musical feita de fãs do Queen para fãs do Queen, com mais de vinte músicas da lendária banda britânica para alegria do público de todas as idades, gêneros e estilos.
Setlist
One Vision / Keep Yourself Alive / Bicycle Race (medley)
Hammer to Fall
You’re My Best Friend
Killer Queen
Under Pressure
A Kind of Magic
I Want to Break Free
Fat Bottomed Girl
You Take My Breath Away
Bohemian Rhapsody
Flash / Death on Two Legs (medley)
I Want it All
Crazy Little Thing Called Love
Another One Bites the Dust
Solo de guitarra (medley de Who Wants to Live Forever/Brighton Rock/God Save the Queen)
Seaside Rendezvous
Don’t Stop Me Now
Love of My Life
Radio Gaga
Somebody to Love
We Will Rock You
We Are the Champions
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