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MATANZA RITUAL FEST – São Paulo (SP)

9 de dezembro de 2023 – Audio

Por Daniel Agapito

Fotos: Belmilson Santos

O dia 9 de dezembro (sábado) apresentou diversas opções de shows para o público escolher, como o segundo show de Paul McCartney no Allianz Park, o terceiro dia do Masters Of Noise em Diadema (SP) e o Matanza Ritual Fest, que contou com apresentações de quatro grandes nomes do metal e rock nacional. O cast do evento, produzido pela Top Link Music, incluiu o Matanza Ritual, Crypta, Black Pantera e Malvada. O local escolhido foi a Audio Club, situada no bairro da Barra Funda, e com suas portas abrindo por volta das 20h e o público gradualmente lotando a casa, as expectativas estavam elevadas. O Matanza Fest, e consequentemente o Matanza Ritual Fest, tem se estabelecido como um evento de grande importância para o cenário.

A primeira banda, Malvada, entrou pontualmente às 21h, conforme o horário previsto. O som na primeira música estava relativamente bom, sem problemas. No início, o público parecia um pouco morno e desanimado, mas à medida que a apresentação avançava, a resposta se tornava mais positiva. Essa performance na Audio marcou um dos primeiros shows da nova formação, com a vocalista Indira Castillo substituindo Angel Sberse e Rafaela Reoli (Black Velvet) entrando no posto da baixista Má Langer. Poucas músicas depois, a banda mencionou o novo álbum em produção, com lançamento mundial previsto pela Frontiers Music, e apresentaram a inédita “Veneno”.

Comparado ao show anterior (coincidentemente também abrindo para o Matanza Ritual) em março no Terra, a Malvada demonstrou uma maior química e um som mais polido, com uma identidade mais única. Tocaram também “Bulletproof” (outra faixa do próximo lançamento) em inglês, mostrando disposição para expandir seus horizontes.

Apesar de um set relativamente curto (apenas meia hora), a Malvada conseguiu mostrar seu propósito, oferecendo uma boa amostra de seu repertório, solidificando a nova formação e criando expectativas para o futuro. Mesmo com parte do público ainda chegando, foi possível perceber claramente a resposta gradualmente positiva do público em relação ao quarteto. A banda entregou um show objetivo e sem exageros, subindo ao palco, tocando suas músicas, interagindo um pouco com os fãs e saindo. Fizeram o que precisavam fazer.

O Black Pantera também entrou pontualmente, às 21h45 (a produção da Top Link continuava eficiente). O show começou com uma introdução nos alto-falantes, mas quando os três membros subiram ao palco, o público explodiu de entusiasmo, mostrando uma antecipação palpável. Desde a primeira música, “Padrão é o Caralho”, a animação geral era notável, com pessoas pulando, batendo cabeça e muitos celulares gravando.

Em “Dreadpool”, várias pequenas rodas punk começaram a se formar. Essa música pertence ao EP mais recente, intitulado “Griô”, bem recebido não apenas pelos fãs e críticos locais, mas também em diversos países. A energia da banda no palco era inegável e eles estavam entregando tudo. Rodrigo Pancho subia na bateria, o baixista Chaene da Gama pulava freneticamente e o guitarrista Charles Gama batia cabeça alucinadamente. “Mosha” elevou ainda mais o clima, com mais rodas punk se formando, o público ficando mais animado.

Antes da quarta música, “Legado”, a banda pediu para formar “uma roda punk gigante, um mosh insano”. O público respondeu calorosamente com gritos e um mosh de grande porte que já estava ativo antes mesmo da música começar. Uma segunda roda punk, de tamanho consideravelmente menor, também se formou na pista premium.

Bastaram duas notas do riff de baixo do hit “Fogo nos Racistas” para que a maioria da casa começasse a pular freneticamente. A roda punk ocupava gradualmente toda a pista. O controle que a banda exercia sobre o público era extraordinário. Dificilmente havia alguém na casa que não estivesse envolvido. Em determinado momento da música, a banda solicitou que as luzes fossem acesas (revelando que a grande maioria do público aplaudia) e pediram que todos dessem três passos à frente e se agachassem. Poucos instantes depois, a Audio explodiu. Em um momento marcante que confirmou a vitalidade do metal, toda a casa pulou.

“A Carne” manteve a intensidade, com todos pulando, participando da roda e batendo cabeça. Convidaram Felipe Flip para cantar a parte de rap da música, e o público novamente enlouqueceu. A audiência estava totalmente cativada. No início da próxima música, fizeram um pedido um tanto inesperado: formar uma roda punk exclusivamente com mulheres. Surpreendentemente, o pedido foi atendido rapidamente, e a roda persistiu durante toda a música.

“Revolução é o Caos” foi outra experiência incrível. Além do som impecável ao longo do show, o público estava engajado. Em um dos refrãos, o guitarrista separou o público presente de maneira magistral, criando um wall of death que certamente entrará para a história da Audio. A última música apenas reforçou o que já foi dito: som incrível, público focado no show, rodas punk vertiginosas e mais energia do que a sede da Enel.

O envolvimento do público era tamanho que, ao final da suposta última música, toda a equipe da banda (inclusive Paulo Baron, dono da Top Link, que estava apresentando o show) subiu ao palco para aplaudir a banda, e o público quase começou uma manifestação. Diante da reação do público e a pedido de Baron, tocaram mais duas músicas (“Corre” e “Ratatata”).

Adotando as palavras do guitarrista, a performance do trio mineiro exibiu “diversidade, representatividade e o caralho”. Conseguiram transmitir sua mensagem, destacando a diversidade e o antirracismo de maneira não excessiva. Seu show reforçou o consenso de que o metal é um espaço plural para todos, independentemente de qualquer fator. Além disso, elevaram o clima e as expectativas para as próximas duas bandas.

O trio mineiro foi sucedido pela Crypta, quarteto feminino de death metal que tem se destacado como um dos maiores expoentes do gênero no Brasil. A banda subiu ao palco para promover seu mais recente álbum, “Shades of Sorrow”, que recentemente ganhou sua versão em vinil pela Fuzz On Discos. Surpreendendo poucos, começaram pontualmente às 23h00, mais uma vez no horário previsto. Mesmo com pequenas inconsistências no som dos microfones e guitarras, começaram com “The Other Side of Anger”, mantendo o público envolvido, embora em uma intensidade menor se comparado ao Black Pantera.

É inegável que a sonoridade death metal da Crypta pode soar menos acessível do que a apresentada pelo Black Pantera e pela Malvada. No entanto, conseguiram manter o público animado, oferecendo um metal extremo de qualidade. A qualidade do repertório focado no mencionado “Shades of Sorrow” foi evidente. “Trial of Traitors”, que se destacou como um dos pontos altos do novo trabalho, não apenas provou ser excelente em estúdio, mas também foi calorosamente recebida pelo público ao vivo. Uma grande roda punk se formou no centro da pista, com muitos fãs envolvidos.

Para evitar repetições frequentes, é digno de nota o mérito do público, que se mostrou entusiasmado tanto no início quanto no final, participando ativamente com headbangings e mantendo várias rodas punk em movimento. A dinâmica da banda no palco também era impressionante. Nada parecia fora do lugar, mesmo com alguns problemas sonoros durante a música “The Outsider”, que levou a guitarrista Tainá Bergamaschi a se retirar temporariamente do palco. No entanto, o restante da banda continuou a tocar como se nada tivesse acontecido. “Lord of Ruins”, primeiro single do novo álbum, também gerou uma recepção calorosa, criando mais uma vez uma roda punk que tomou conta da pista.

A última música da noite, “From the Ashes”, foi dedicada ao Sepultura, descrito pela vocalista e baixista Fernanda Lira como a “maior banda brasileira de metal de todos os tempos”, abordando temas de morte e encerramento de ciclos. Após uma hora de show, ficou evidente que os fãs queriam mais, e o público gritava o nome da banda.

Às 00h35 do dia 10 de dezembro, após o público mandar respeitosamente Jimmy London “tomar no cu”, subiram ao palco ao som de “Also sprach Zarathustra” Amilcar Christófaro (bateria, Torture Squad), Antonio Araujo (guitarra, Korzus) e Renan Ribeiro, guitarrista da banda carioca de metalcore Hatefulmurderl, que assumiu o baixo no lugar Felipe Andreoli, que estava em turnê com o Angra no Nordeste. A noite começou com o pé na porta, figurativamente, e um soco na cara, não literalmente, ao tocarem pela primeira vez ao vivo “Morre Súbita”, lançada na última sexta-feira (8/12). O novo single do Matanza Ritual foi seguido pelo hit “Remédios Demais”, que imediatamente incitou um mosh fervoroso.

Comparado aos últimos shows da Rei MorTour, o vocalista Jimmy London estava muito mais animado em São Paulo, correndo pelo palco, batendo cabeça alucinadamente e até sorrindo (acredite ou não). A sequência de “Arte do Insulto” e “Bom é Quando Faz Mal” evidenciou a força real do público, ainda muito longe de estar cansado. Houve momentos em que era difícil diferenciar a cantoria dos fãs da de Jimmy. As rodas punk estavam mais ativas do que nunca, os fãs pulavam tanto que o chão tremia.

Como é de praxe nos shows do Matanza Ritual, Jimmy foi novamente mandado tomar no cu após “Bem é Quando Faz Mal” e declarou que “se curva à vontade do povo”, emendando “Eu Não Gosto de Ninguém” ao seu discurso. O repertório não se limitou apenas aos hits, incluindo também “Tudo Errado”, lançada originalmente em 2011 no álbum “Odiosa Natureza Humana”.

A roda punk permaneceu vertiginosa, o público continuou cantando, e a banda se animava mais à medida que o tempo passava. Após a emenda de “Maldito Hippie Sujo” e “O Último Bar”, foi dito o que todos estavam esperando: a icônica frase “puta que pariu São Paulo”, antes da igualmente icônica “Clube Dos Canalhas”. A lealdade é algo que não falta na base de fãs do Matanza Ritual. Mesmo tocando músicas menos comuns, como “Quem Perde Sai” e “Eu Não Bebo Mais”, o público continuava festejando na mesma intensidade das clássicas. Naquela noite, destacaram-se não apenas Jimmy e o público, mas o resto da banda também estava visivelmente se divertindo. Amilcar Christófaro e Antônio Araújo tomaram a liberdade de enfeitar algumas músicas com uma abordagem mais voltada ao thrash e death – chugs com palm mute, bumbo duplo. A produção audiovisual estava excelente desde o primeiro segundo do primeiro show. Como já foi mencionado, houve pouquíssimos soluços em relação ao som, e os gráficos no telão atrás da banda eram dinâmicos, trocando praticamente de música em música.

Com o término de “Mulher Diabo”, Jimmy declarou que estava tão divertido que merecia uma música do Johnny Cash. Fez um cover de “Leave that Junk Alone”, metalizado, e emendou a divertida “Countrycore Funeral”. Tocaram também a recentemente lançada “Rei Morto”, fazendo jus ao nome da turnê, a Rei MorTour. Antes de começarem “Todo o Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head”, Jimmy pediu que fosse aberta mais uma wall of death, pedido que foi atendido com sucesso.

A banda nem precisou começar a tocar “Ela Roubou Meu Caminhão” para um caos generalizado se instaurar. Bastou o discurso do “gigante irlandês” sobre o amor para que o público vibrasse e a roda recomeçasse. Entre “Ela Roubou Meu Caminhão” e a próxima faixa, foi confirmada uma próxima edição do festival para 2024. Foi com “Estamos Todos Bêbados” e “Ressaca Sem Fim” (encerrando com o riff do breakdown de “Dead Embryonic Cells”, do Sepultura) que a noite foi encerrada.

No geral, considerando todos os acontecimentos, o Matanza Ritual Fest 2023 na Audio Club foi uma noite de muita diversão e diversos shows de alta qualidade. Não só isso, mas também foi uma noite que realmente prezou pela diversidade e representatividade dentro do rock e do metal, dando espaço para bandas que consistiam exclusivamente de mulheres ou afrodescendentes, algo que ainda não é comum. O Matanza Ritual Fest não só mostrou novamente que o rock e o metal estão longe de estar mortos, como também deixou mais explícita a pluralidade desses gêneros e como conseguem ser um espaço acolhedor para todos.

Setlist Malvada:

  1. Prioridades
  2. Pecado Capital
  3. Mais Um Gole
  4. A Noite Vai Ferver
  5. Perfeito Imperfeito
  6. Veneno
  7. Bullet Proof

Setlist Black Pantera:

  1. Padrão é o Caralho
  2. Dreadpool
  3. Mosha
  4. Legado
  5. Ukumkani
  6. Fogo nos Racistas
  7. A Carne
  8. Abre a Roda
  9. Revolução é o Caos
  10. Boto Pra Fuder
  11. Shut Up Fuck Off
  12. Corre
  13. Ratatata

Setlist Crypta:

  1. The Aftermath* (rolando nos PAs)
  2. The Other Side of Anger
  3. Kali
  4. Poisonous Apathy
  5. Lift the Blindfold
  6. Stronghold
  7. Limbo
  8. Trial of Traitors
  9. Under the Black Wings
  10. Lullaby for the Forsaken
  11. The Outsider
  12. Lord of Ruins
  13. From the Ashes
  14. The Closure

Setlist Matanza Ritual:

  1. Morte Súbita
  2. Remédios Demais
  3. Arte do Insulto
  4. Bom é Quando Faz Mal
  5. Eu Não Gosto de Ninguém
  6. Tudo Errado
  7. Carvão, Enxofre e Salitre
  8. Maldito Hippie Sujo
  9. O Último Bar
  10. Clube dos Canalhas
  11. Quem Perde Sai
  12. Eu Não Bebo Mais
  13. Pé Na Porta, Soco Na Cara
  14. Taberneira, Traga o Gin
  15. Solo de Bateria
  16. Tempo Ruim
  17. Mulher Diabo
  18. Leave That Junk Alone (cover Johnny Cash)
  19. Countrycore Funeral
  20. Rei Morto
  21. Mesa de Saloon
  22. O Caminho da Escada e da Corda
  23. Todo o Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head
  24. Ela Roubou Meu Caminhão
  25. Estamos Todos Bêbados
  26. Ressaca Sem Fim (com breakdown de “Dead Embryonic Cells” do Sepultura no final)

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