MILLE PETROZZA (KREATOR) explica por que fãs de metal vivem presos ao passado e elogia fase recente do JUDAS PRIEST

Foto: Fernando Pires (Roadie Crew)

Para Mille Petrozza, conviver com a comparação constante entre os lançamentos atuais e os clássicos do passado faz parte da realidade de qualquer banda longeva. Em entrevista ao jornalista Valtemir Amler, publicada na edição #292 da ROADIE CREW, o vocalista e guitarrista do Kreator, não apenas falou do novo álbum do grupo, Krushers of the World, e de outros lançamentos recentes, como refletiu sobre a nostalgia que domina boa parte do público do heavy metal e explicou por que considera esse comportamento compreensível, embora nem sempre justo.

Segundo o músico, muitos fãs acabam criando uma ligação emocional muito forte com o primeiro álbum que ouviram de uma banda. No caso do Kreator, isso faz com que discos históricos como Pleasure to Kill e Extreme Aggression sejam constantemente usados como referência, enquanto os trabalhos mais recentes enfrentam inevitáveis comparações.

“Eu sei de onde vem isso. As pessoas, especialmente as do metal, são muito nostálgicas. Quando o primeiro encontro delas com a banda foi Pleasure to Kill, elas sempre amarão esse álbum e sempre desejarão uma ‘parte dois’, que nunca virá, porque seria muito falso tentar fazer uma sequência dele ou de Extreme Aggression.”

Apesar da observação, Mille afirma entender perfeitamente essa reação, já que ele próprio age de maneira semelhante com alguns de seus artistas favoritos. Para ele, no entanto, a qualidade das obras mais recentes também precisa ser reconhecida quando ela existe.

Foi justamente nesse contexto que o líder do Kreator citou o Judas Priest como exemplo de uma banda que continua produzindo material de alto nível décadas após o início da carreira.

“Sou um grande fã de Judas Priest. Acho que o último álbum deles foi um dos melhores da carreira, embora eu ame as coisas dos anos 70 e 80. Eles tiveram alguns álbuns não tão bons, mas toda banda tem isso.”

Na sequência, Mille também comentou sua visão sobre a fase contemporânea do Iron Maiden. Embora admita que o álbum mais recente do grupo, Senjutsu, não esteja entre seus favoritos, ele fez questão de destacar sua admiração pela trajetória da banda desde o retorno de Bruce Dickinson.

“O mesmo com o Iron Maiden; embora eu não tenha sido o maior fã do último disco, aprecio tudo o que fizeram desde que Bruce voltou.”

Encerrando a reflexão, o músico afirmou que evita tratar artistas veteranos apenas pelo prisma da nostalgia. Para ele, reduzir uma carreira aos discos antigos é uma postura desrespeitosa com quem continua criando música.

“A diferença entre mim e alguns jornalistas ou fãs dedicados é que eles amam tanto a banda que só falam do passado. Se eu encontrasse os caras do Iron Maiden, nunca diria: ‘Ah, mas seus álbuns antigos…’. Acho que seria rude.”

 

KREATOR NA ROADIE CREW 292

A entrevista completa com o Kreator você confere na nova edição da revista ROADIE CREW, #292.

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