Morre aos 78 anos CÉLIO RAMOS, um dos criadores do IG&T

Morreu aos 78 anos Célio Ramos, um dos nomes ligados à criação e ao desenvolvimento do IG&T – Instituto de Guitarra e Tecnologia, escola que se tornou referência no ensino do instrumento no Brasil. A notícia foi divulgada pelo próprio instituto na última quinta-feira, 10 de setembro. A causa da morte não foi informada.

A história de Célio Ramos no meio musical está diretamente relacionada à parceria com o guitarrista Wander Taffo. Foi a partir dessa união que surgiu, na década de 1990, a proposta de criar uma escola dedicada ao ensino de guitarra que combinasse formação musical, estrutura profissional e uma metodologia própria.

O IG&T nasceu desse projeto e rapidamente ultrapassou a ideia de uma escola convencional. A instituição passou a reunir professores de destaque e a promover atividades que aproximavam estudantes de músicos e profissionais atuantes no mercado. A iniciativa também ganhou força com a criação de outros núcleos voltados a instrumentos e áreas específicas.

Em 1999, a expansão do projeto levou à transformação do IG&T na EM&T – Escola de Música e Tecnologia, ampliando a proposta para além da guitarra. Baixo, violão, canto, teclado e bateria passaram a fazer parte da estrutura, que chegou a reunir cerca de 2 mil alunos e dezenas de professores. A escola também ganhou reconhecimento fora do país e acumulou premiações relacionadas à qualidade de sua estrutura e metodologia.

Embora Wander Taffo tenha sido o responsável pela concepção artística e educacional que deu origem ao projeto, Célio Ramos teve participação decisiva na parte administrativa e estratégica. Em entrevista concedida anos atrás, ele contou que sua preocupação com a organização empresarial esteve presente desde a fase anterior à abertura do IG&T.

A atuação de Ramos não se restringiu à administração da escola. Seu trabalho envolveu marketing, planejamento, relacionamento com empresas do setor e a construção de uma estrutura que aproximava educação musical e mercado de instrumentos. Em diferentes momentos, ele também participou de iniciativas destinadas a ampliar o alcance dos institutos criados a partir da experiência do IG&T.

Após a separação dos institutos da estrutura original da EM&T, Ramos continuou trabalhando para manter vivo o conceito que havia dado origem ao projeto. Entre as iniciativas posteriores esteve o Território da Música, que retomou a marca IG&T e outros institutos especializados.

A trajetória de Célio Ramos também esteve ligada à preservação da memória de Wander Taffo, inclusive em ações e homenagens relacionadas ao guitarrista, morto em 2008. Os dois haviam construído uma parceria que marcou uma importante fase do ensino de música no país.

Mais do que o administrador de uma escola, Ramos participou de uma transformação na maneira como a guitarra e outros instrumentos eram ensinados no Brasil. O modelo desenvolvido a partir do IG&T ajudou a aproximar o ambiente escolar da realidade profissional dos músicos e colocou em contato diferentes gerações de estudantes, professores, fabricantes e artistas.

A notícia de sua morte repercutiu entre músicos e profissionais que tiveram alguma relação com o IG&T e a EM&T. Para muitos deles, a lembrança de Célio Ramos estará inevitavelmente associada à construção de um espaço que, durante décadas, fez parte da formação de instrumentistas brasileiros.

 

 

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