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MOSH METAL FEST – São Paulo (SP)

Por Andrei Lopes

Fotos: Belmilson dos Santos e Antônio Pock Marques 

São Paulo foi palco do último show da tour do Incantantion pelo Brasil, que contou com datas no Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Fortaleza (CE) e segue pela América do Sul, passando pela Colômbia, até o seu encerramento no México. Com 34 anos de estrada, o quarteto de death metal vem promovendo o álbum “Tricennial of Blasphemy”, lançado em 2022. O único membro de sua formação original é o vocalista e guitarrista John McEntee, que se mostrou um tanto acessível nesta passagem pela banda no país – vide uma série de fotos com fãs, bem como fazendo lives em suas redes sociais, acompanhando os shows das demais bandas companheiras na tour, muitas vezes junto ao público da pista.

O local escolhido para o Mosh Metal Fest, realizado pela Mosh Productions, foi o Teatro Mars, localizado na Bela Vista, região central de São Paulo, que mostrou organização e boa estrutura. Em conversa com um colega, técnico de aúdio/luz, funcionário residente, ele comentou que é de costume a locação para eventos corporativos. O hall de acesso possui um bom espaço para recepcionar público em geral, e palco/bar ficam localizados no primeiro andar, e chapelaria ao lado da porta de acesso ao centro de eventos. Além de disponibilizar camarote, frente ao palco. Algo que não notei é se há elevadores para facilitar o acesso a pessoas com dificuldades de locomoção. Por não ser talvez um local de costume para eventos de rock/metal (até onde tenho conhecimento, através de colegas, foram shows pontuais e o evento “Bloco Emo”) havia poucos dos clássicos ambulantes, sejam para venda de bebidas, ou os varais de camisetas a venda na porta.

Com abertura dos portões às 15, e início por volta das 17h30 apenas, a abertura ficou por conta do O Cara do Metal. De nome verdadeiro Ian Garbinato, viralizou através de conteúdo através das redes sociais, onde se intitula “SOMOS A NOVA GERAÇÃO DO METAL BRASILEIRO”. Em seus vídeos há vocais covers, entrevistas com grandes nomes do metal nacional, e opiniões sobre diversos temas, bem como suas músicas próprias, onde procura fazer críticas a temas contemporâneos, porém com tom de humor (o que não tem sido nada engraçado para alguns muitos). Em um setlist curto, para poucos presentes, a apresentação contou com a banda de apoio, que conta com os vocais de Luana Cruz, onde uma das principais críticas dos presentes, foi a de que a mesma foi “atravessada” em diversos momentos da apresentação, tendo seus vocais “cobertos” pelos de Ian.

Com rápido intervalo para preparo de palco, e um público já considerável (cerca de 70% da lotação da casa), pontualmente às 18h40 a banda de black metal Vazio, subia ao palco. A banda está firmada como um dos maiores nomes da música extrema nacional após o sucesso do aclamado álbum “Eterno Aeon Obscuro” (2020), e seguido pelo também bem recepcionado “Quo Mors”. O quarteto liderado pelo vocalista Renato Gimenez, que figura na seção Blind Ear da ed. 273 da ROADIE CREW, executou músicas que fazem parte não só dos acima citados, mas de todo material lançado até então, como “Eterno Vazio”, além das já conceituadas “Nascido no Fogo” e “Ancestral Rebelião”. Nesta apresentação, o som da casa colaborou para que a banda trouxesse, além do peso, a atmosfera característica de sua temática ocultista e de celebração ao lado negro da ancestralidade.

Mantendo a pontualidade entre as saídas das bandas, e preparo de palco, o The Troops of Doom, vindo de grandes shows no Abril Pro Rock em Recife/PE em 13 de maio e no Mosh Metal Meeting, em  Pomerode/SC, no dia anterior, adentrou ao palco por volta das 19h40. No intervalo, verifiquei a disponibilidade de alguns itens no evento. Havia merchs de diferentes naturezas de todas as bandas, como discos e patchs, além das camisetas, mas notei que não havia mais camisetas do Incantantion à venda – creio terem acabado os estoques nos shows anteriores da tour.

O quarteto de thrash/death metal, que conta com Jairo “Tormentor” Guedz, membro da formação original do Sepultura, já encontrou a casa com o que seria a lotação máxima do público para o evento. Em um show enérgico, o set trouxe músicas dos sólidos “The Rise of Heresy” (EP, 2020), “The Absence of Light” (EP, 2021) e “Antichrist Reborn” (2022), começando com “The Devil’s Tale”, “Between The Devil and The Deep Blue Sea”, “Altar of Delusion” e  “Far From Your God”.

O entusiasmado vocalista e baixista Alex Kafer, em constante interação com os presentes, pedia a abertura das rodas de mosh, e era prontamente atendido. A banda executa uma sonoridade calcada no que foi a velha escola do final dos anos 80 e começo de 90, mas como uma roupagem atual (me refiro às possibilidades musicalmente tecnológicas), agradando um público de gerações diferentes. Trazendo, além de “The Monarch” e “The Rise of Heresy”, as músicas da fase de Jairo Guedz no Sepultura, como “Bestial Devastation” e “Morbid Visions” (recém-relançada pelos irmãos Cavalera na mesma data e horário que o The Troops of Doom lançou o single “Prelude to Blasphemy”), o quarteto fechou com o clássico que dá nome à banda.

Levaram o público ao êxtase e usando um bom estoque da energia dos presentes, que ainda teriam três shows pela frente. Nesta apresentação em específico, notei o que seriam os primeiros aparentemente problemas técnicos, pois inicialmente as guitarras pareciam “estouradas”, o que cobria a voz de Alex. Creio que uma má distribuição talvez, pois a melhor qualidade do áudio se ouvia do lado esquerdo da plateia, do meio para a direita, chegou a distorcer ao ponto da bateria ficar inaudível. Apesar dos percalços, apresentação honesta e enérgica do The Troops of Doom.

Seguimos, para o show que á princípio, não ocorreria em São Paulo. A Crypta estava escalada, e esteve presente nos demais shows da tour, mas poucos dias antes do evento foi confirmada para o festival na capital paulistana. O aclamado álbum “Echos of the Soul” solidificou a Crypta como uma das maiores do metal nacional e, inclusive, tem rendido um grande reconhecimento internacional após apresentações como no Wacken Open Air de 2022 e tours ao lado de nomes como Morbid Angel. Abrindo “Death Arcana” a apresentação se inicia, mostrando sempre como a banda está em seu melhor formato e já mostrando de uma experiência que por vezes algumas bandas de longa data não apresentam.

Jéssica Falchi e Tainá Bergamaschi possuem sinergia impecável na guitarra, e Fernanda Lira com um vocal potente e extremo carisma sabe como guiar o público e envolvê-los em sua apresentação, enquanto Luana Dametto dita o ritmo em composições complexas e de extrema técnica e precisão na bateria. Porém, algo que foi pressentido acabou por acontecer… Não tenho conhecimento técnico para dizer se tratou de configuração dos responsáveis pelo áudio, ou o suporte dos equipamentos residentes, mas em determinado momento um dos PAs queimou e a apresentação teve que ficar paralisada por cerca de 20/25 minutos. Obviamente, isso acaba sendo um balde de água frio, tanto para público quanto para músicos. Porém, não deixando a peteca cair, elas retornaram ao palco para exímia execução das já clássicas “Kali” e “Starvation”.

Após o encerramento da Crypta havia a apreensão dentre alguns sobre como seria o desenrolar das apresentações de Incantation e Dorsal Atlântica, tanto na parte de som quanto ao atraso ocasionado – algumas pessoas contam com o horário de funcionamento de transporte público no retorno para casa. Após o atendimento a alguns fãs na região próxima ao bar, John McEntee se prepara para subir ao palco com os companheiros de Incantation.

Nos primeiros riffs, mostram-se que foram feitos os ajustes necessários para que a banda desferisse o seu death metal visceral e cavernoso, em um set que contou com sons de grandes clássicos, como “Onward to Golgotha” e “Diabolical Conquest” até a promoção do seu trabalho mais atual e que nomeia a tour “Tricennial of Blasphemy”.

A última passagem da banda pela terra da garoa havia sido ao lado do Suffocation em 2022, dentre outras que ocorreram por aqui ao longo dos 34 anos de carreira, como no Setembro Negro de 2019. No entanto, com o público já fiel e alguns que estavam a presenciar o show pela primeira vez, a recepção foi positivamente brutal e todos pareceram estar ansiosos para aula de metal extremo apresentada pelo quarteto. Embora a figura de McEntee seja algo de algo mais receptivo com o público, seja fora do palco ou nele, em nada isto tira a densidade da atmosfera do som que a banda se propõe a fazer desde o seu primórdio, com uma discografia que se mostra não influenciada por características sazonais que aconteceram na indústria ao longo dos últimos anos. Sem interferências técnicas desta vez, entregaram o que se costuma esperar, da passagem de bandas gringas e clássicas por aqui.

Conforme comentado anteriormente, dado ao horário (por volta de 23h30), cerca de 60% do público inicial ainda se manteve para receber o grande Dorsal Atlântica, que iniciou o set com “Imperium”, faixa-título do álbum de 2014. O grupo carioca passou por alguns hiatos em sua carreira, deixando muitos headbangers com falta de ver o seu metal característico entre o começo do século até 2012, e de 2017 até o lançamento de “Pandemia”, em 2021.

Foto: Antônio Pock Marques

Vindos de shows no Hell’o’rizonte Mosh Fest e no Abril Pro Rock, Carlos Lopes (vocal e guitarra), Alexandre Castellan (baixo) e Léo Pagani (bateria) fizeram um set que se priorizou, na primeira parte, os sons mais atuais, como “Stalingrado” e “Meu Filho me Vingará”, ambas de “2012”; “Belo Monte”, de “Canudos” (2017); e “Burro”, de “Pandemia” (2021). Embora tenha havido a redução de público, isso nada influenciou na apresentação da clássica banda brasileira, que vem tendo a sua história completa relatada nas páginas da ROADIE CREW, na seção Background.

Foto: Antônio Pock Marques

Em recente entrevista, Carlos Lopes citou as mudanças da indústria musical e na maneira de consumo atual e, embora possa parecer um discurso saudosista – porém, em nada errado –, criticou a ausência de algo mais orgânico na cena. Isto se reflete nas apresentações da Dorsal ao vivo, trazendo a essência dos anos 80 aos dias atuais, e mantendo o discurso sobre o que acreditam. E falando em anos 80, os clássicos eternos tiveram espaço no show com a execução de “Tortura”, “Vitória” e “Metal Desunido”, de “Dividir & Conquistar” (1988); “Caçador da Noite” e “Guerrilha”, de “Antes do Fim” (1986). Assim se encerrou uma noite para apreciadores de diversas vertentes do metal que, apesar dos percalços no decorrer do evento, tiveram uma boa experiência através de grandes apresentações.

Foto: Antônio Pock Marques

 

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