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Nesta mesma data, há 10 anos, falecia PETER STEELE, vocalista e baixista do TYPE O NEGATIVE

Sexta-feira, 13 de maio de 2005. “Peter Steele / Finalmente livre / 1965-2005”, diz o epitáfio na lápide que, de repente, do nada, passou a ilustrar o site oficial do Type O Negative. Fãs e mídia, comoção geral: “Peter Steele está morto!”. Morto? Não. Tudo não passou de uma ‘trolagem’ do próprio Steele, que só foi descoberta dias depois. Era desse nível o humor sarcástico do vocalista e baixista do Type O Negative, uma das principais bandas de gothic/doom que já existiram.

Nova Iorque, quinta-feira, 15 de abril de 2010. No site oficial do Type O Negative, nova mensagem: “Por favor, sejam pacientes e esperem por declarações da banda e da família mais tarde. Obrigado pela compreensão e apoio”. Outra trolagem do previsível Peter Steele? Infelizmente não. Não teria como. Na data anterior à misteriosa mensagem, Peter, que lutava contra o vício de álcool e cocaína, havia morrido. Tinha ele apenas 48 anos de idade e não resistiu à um, segundo resultado da autópsia, aneurisma da aorta.

O que você vai ler a seguir em curtas linhas não enaltece as conquistas, a obra, e nem põe na mesa os erros e acertos de Peter Steele enquanto músico; nem mesmo reconta o legado deixado por seu Type O Negative, ou por sua outra mais antiga banda, o Carnivore. A ótica é sobre o lado mundano do artista em questão, com as fraquezas de um mero mortal.

Peter atravessava um período de sobriedade e boa saúde, inclusive vinha compondo para um próximo álbum, que começaria a ser gravado no final de 2010. Antes disso, no entanto, o grandalhão de pouco mais de 2 metros de altura encontrava-se no fundo do poço, vinha sofrendo há alguns anos pela morte de sua mãe. Como se não bastasse, passou 30 dias na prisão por agredir um homem, e foi para a reabilitação em uma instituição mental como parte de uma intervenção de sua família para afastá-lo do vício e cuidar da resultante paranoia.

Apesar do semblante intimidador e enigmático, Peter Steele era uma pessoa extremamente sensível. Perguntado pela ROADIE CREW (ed. #105) se temia a morte, Steele afirmou: “Não. Eu temo a maneira como morremos. Há formas terríveis de isso acontecer e já as vi bem de perto. Perdi meus pais, amigos que eu amava, e a única coisa que me sobra é a fé de que um dia ainda os verei novamente”.

Outro exemplo da sensibilidade de Peter é a homenagem deixada por ele na letra da música Halloween in Heaven (ouça abaixo), presente no último álbum do Type O Negative, curiosamente intitulado Dead Again (2007). Aliás, esse é um álbum que sugere uma reflexão sobre a morte. “Quando escrevi essa música, pensei em amigos que perdi recentemente. Entre eles, obviamente estava Dimebag (Pantera, Damage Plan, Rebel Meets Rebel). Decidi, então, dedicá-la à todas essas pessoas que foram realmente importantes para mim”.

Quanto ao seu lado religioso, Steele também esclareceu que ele não havia se “convertido” ao catolicismo. Óbvio, ele sempre foi católico: “A diferença agora é que, nos últimos tempos, recuperei a minha fé e busquei mais a religião. Estou próximo de coisas das quais eu havia me afastado desde bem jovem”.

Type O Negative: Josh Silver, Kenny Hickey, Johnny Kelly e Peter Steele

No ano em que completou dois anos da morte de Peter Steele, sua família deixou a seguinte mensagem no blog que criou em sua homenagem chamado “For the Love of Peter Steele”:

“O que quer que você esteja fazendo hoje para lembrar Peter Steele Ratajczyc, quer se trate de uma reunião no Prospect Park na frente de uma árvore plantada em sua honra ou celebrando uma missa na Visitation Church em Red Hook, tocando alto uma música em seu carro na Alemanha ou enviando bons pensamentos para o universo na Califórnia, nossa família lhe dá Graças por amar Peter Steele por quem ele era: Gênio, amigo, irmão, filho, amante, camarada, protetor, piadista, monstro no porão, alma gêmea, parceiro no crime, colega de banda… nosso.”

Por fim, a reprodução do poema de Mary Frye, postado pela família de Peter Steele no mencionado blog em 2012, ilustra o que o saudoso músico estaria dizendo à sua família e fãs em luto, caso fosse possível, mediante ao seu modo de enxergar a morte:

Não esteja chorando na minha cova

Eu não estou aí; Eu não durmo.

Eu sou mil ventos que sopram,

Eu sou o brilho de diamante na neve,

Eu sou o sol em grãos amadurecidos,

Eu sou a gentil chuva de outono.

Quando você acorda no silêncio da manhã

Eu sou a rápida e edificante corrida,

De pássaros quietos em voo em círculos.

Eu sou as estrelas suaves que brilham à noite.

Não fique na minha sepultura chorando,

Eu não estou aí; Eu não morri.

 

Peter Thomas Ratajczyk (04 de janeiro de 1962 – 14 de abril de 2010).

 

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