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Live Evil

NIGHTWISH

Tom Brasil - São Paulo/SP, 26 de setembro de 2015

Há praticamente três anos, uma inesperada troca de vocalistas durante a “Imaginaerum World Tour” marcava mais um capítulo da conhecida novela do Nightwish, que desta vez viu como protagonista Floor Jansen chamada para apoiar a banda pelo resto da tour. Discussões e polêmicas a parte, fato é que muitas expectativas se criaram após a citada turnê, que passou pelo Brasil, em torno da efetivação da cantora holandesa e do próximo trabalho dos finlandeses, ambos confirmados não muito tempo depois. “Endless Forms Most Beautiful”, lançado em março deste ano, assinala nova fase da banda, com um trabalho conceitual sobre origem e evolução da vida. Um dia após sua estreia no renomado festival “Rock In Rio”, os finlandeses desembarcam mais uma vez em São Paulo com a (literalmente) grande vocalista, acompanhados pelos novos membros, o inglês Troy Donockley (vocais, gaita irlandesa, flauta) e o baterista Kai Hahto, substituto de Jukka Nevalainen.

Agora sob o nome de Tom Brasil, a casa que anteriormente era chamada de HSBC Brasil já é conhecida dos fãs, que compareceram em peso, mesmo frente às dificuldades de acesso e horários. Para a alegria destes, pontualmente às 22h a intro “Roll Tide” foi solta sob gritos do público enquanto Troy e Kai, seguidos por Marco Hietala (baixo e vocais), Emppu Vuorinen (guitarras), Tuomas Holopainen (teclado) e finalmente Floor Jansen subiam ao palco.Com uma citação de Richard Dawkins, a faixa “Shudder Before The Beautiful” abriu o set, seguida da ótima “Yours Is An Empty Hope”, ambas de “Endless Forms Most Beautiful”. Duas faixas bastaram para marcar maior intensidade e entrosamento na performance do grupo. Em resposta, uma recepção calorosa dos fãs, que só fez aumentar a confiança do grupo.

Ainda que o recente trabalho tenha dividido opiniões, sua virtuose lírica e conceitual é inegável. As músicas do novo álbum ganharam mais força ao vivo, muito graças ao excelente baterista Kai Hahto, que não deixou nada a desejar, e ao potencial já conhecido de Floor, entregue ao que cantava e especialmente simpática, ao menos no palco. O sempre bem humorado Marco interagia com os fãs oportunamente e o pequeno notável e excelente guitarrista Emppu não parava um minuto sequer. A presença de Troy se justificou facilmente com a bela execução de seu vocal e flauta de “My Walden”, em especial. Uma pena que seu microfone estivesse tão baixo, assim como os de ambos vocalistas, que “brigavam” por destaque sobre o volume dos instrumentos, altos demais, durante todo o show.

Talvez a dobradinha mais esperada pelos fãs antigos, “Ever Dream” de “Century Child” (2002), com o primeiro verso cantado em coro pela plateia, e “She Is My Sin” de “Wishmaster” (2000), já vistas na turnê anterior, agradaram ainda que em roupagem bem diferente das originais. Marco deu um show à parte em “The Islander” de “Dark Passion Play” (2007), tocou e cantou quase metade da canção, numa versão ‘meio acústica’, sozinho, acompanhado pelo público num dos momentos mais emocionados da noite.

“Élan” e “Week Fantasy” antecederam um pequeno discurso de Floor, a certa altura interrompido por um sampler acidental, contornado pela cantora de forma autoritária, mas bem humorada. Fala concluída, é vez dos temas “7 Days To The Wolves”, saudoso dos sets anteriores, “Story Time” e “I Want My Tears Back”, ambos de “Imaginaerum” (2011), que assinalaram os minutos mais pesados do show. A volta no tempo ficou a cargo das clássicas “Wishmaster”, do álbum homônimo, “Stargazers” e “Sleeping Sun”, ambas de “Oceanborn” (1998), foram grandes novidades e caíram bem no ótimo vocal de lírico Floor.

A primeira saída do palco foi à deixa para a épica “The Greatest Show On Earth”, faixa de 23 minutos, dividida em cinco capítulos. Novamente com a fala de Richard Dawkins (biólogo britânico) na introdução, foram executados “Chapter II: Life” e“Chapter III: The Toolmaker”, este com direito a “macacos” pulando no palco, representando a evolução do homem. Apesar da clara intenção, o ato não deixou de ter um toque bizarro e não acrescentou muito ao momento. Desde a turnê anterior, a belíssima “Ghost Love Score”, de “Once” (2004), se tornou uma das mais esperadas, pois foi totalmente renovada e moldada à voz de Jansen, em vocais muito intensos e poderosos. O ápice da apresentação se finalizou com inúmeros elogios de Marco para o público paulista, tão acostumado a ouvi-los, e a derradeira “Last Ride Of The Day” despediu no melhor clima possível a apresentação dos finlandeses em terras paulistanas.

A noite de casa quase cheia, foi marcada positivamente pela boa organização da Dynamo e horários cumpridos a risca. Com energia e criatividade renovadas, o Nightwish deixou claro que ainda tem muito a oferecer e explorar nessa nova fase. Para os fãs, antigos ou novos, ficam as expectativas sobre trabalhos futuros e novos encontros.

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