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OBSCURO FEST: Witching Altar, Espectro, Doomslang, Pale Reflection, Spiral Guru, Leticia Soma, Bears Witness, Umbilichaos São Paulo, 11 e 12 de Outubro de 2019

Full House – São Paulo/SP

Por: Heverton Souza

Chegando em sua sexta edição, o Obscuro Fest é um dos eventos mais ousados do nosso cenário Rock/Metal, por trabalhar estilos que muitos tratam como “marginalizados” ou “alternativos” dentro de nossa cena.

Mas o que não faltam são bandas desse underground para preencher um festival focado em vertentes como Doom, Stoner e Occult Rock e assim, arriscadamente, o evento dessa vez teve duas datas com 4 bandas em cada dia, numa casa bem no centro da Capital Paulista.

Começando numa quente noite de sexta, por volta das 19h20 tivemos a Umbilichaos abrindo o festival. Com uma década de atividade, a one man band é formada por uma mulher, trans, lésbica e feminista, como ela mesma se definiu à Roadie Crew, que leva nas costas o nome da banda e teve seu show solitário, apenas tocando guitarra e cantando, enquanto todo o instrumental restante com baixo, bateria e segunda guitarra, partiu de um notebook com tudo pré-gravado. A apresentação começou com o som estourando em um dos PAs, mas o problema foi logo corrigido e presenciamos um show diferenciado, no qual toda atenção ia a uma única presença executando uma combinação de Sludge, Doom e Industrial, destilando influências que pareciam vir de uma combinação de nomes como Neurosis, Entombed, Anathema (antigo), Godflesh e Fields of the Nephilim (já de sua última fase). Mesmo com um tempo curto de show e apenas três longas músicas, o recado foi dado e com certeza é uma atração que merece voltar ao evento com um tempo maior de palco.

Em poucos minutos começa a paulista Bears Witness, trazendo o estilo que representou o foco dessa edição do fest: Stoner Rock. Passando a entrada com The Sentry, Lucas Guanaes (baixista e vocalista) anuncia que é hora de começar o álbum que conta a história do anticristo que nasceu em São Paulo, dando início a uma sequência do disco de estreia da banda, Book of Bob. Harbringer e Omen fazem as vezes, com destaque para a bela linha de baixo da última. Mephistopolis começa mais acelerada e ganha ótimas mudanças de andamento, incluindo uma viagem noise em seu meio, e destaca a performance de pegada forte do baterista Rodrigo Rousseaux. Quase que um completo instrumental, Fear Me apresenta apenas uma breve narrativa em meio a mais uma interessante e melancólica viagem. Vale também citar o ótimo trabalho da dupla de guitarristas Paulo Silveira e Fernando Giunti, bons não apenas em suas seis cordas, mas na forma como aplicam efeitos em seus pedais, brincando com isso com destreza. Uma das melhores bandas de todo o evento.

Em seguida tivemos a apresentação que dividiu opiniões na noite, a argentina Leticia Soma. Com algo de Metalcore combinando elementos de Pantera, Gojira e até Crowbar, o estilo dos caras destoava de todo o evento e de seu formato, e seu som exigia uma equalização diferenciada, pois soava um pouco embolado e confuso. Ainda assim, fizeram sua parte em seus mais de 40 minutos de apresentação para alguns curiosos e para os menos radicais que prestigiaram a banda.

Nem tão pesado, mas bastante psicodélico e setentista, a Spiral Guru trouxe de volta o clima do festival e foi responsável por fechar a primeira noite. O quarteto de Piracicaba, cidade de interior paulista, formado por Andrea Ruocco (vocal), Samuel Pedrosa (guitarra), José Ribeiro Jr. (baixo), Alexandre Garcia (bateria), deu início ao seu show as 22h35. O álbum Void tomou o setlist da banda e mostrou como os músicos estão afiados com suas canções, mesmo sendo esse um disco recente. Em palco, além da voz de angelical de Andrea, destaca-se as linhas de José, que segura o som da banda em seu baixo. Dentre as músicas, The Curfew at Dusk toma atenção com seu som arrastado e denso. Em alguns momento, a banda chegou a ter problemas com seus efeitos sonoros, mas passaram por cima sem que isso os prejudicasse mediante ao público. Uma atenção maior para um lado mais visual e uma performance mais solta da vocalista, com certeza fariam desse um show impecável. Aliás, Andrea chegou a se soltar mais, porém já próximo ao fim da apresentação, já na música Signs. Holy Mountain e seu final bate-cabeça, encerraram a primeira noite de Obscuro Fest.


Abrindo a noite de sábado, a novata Pale Reflection trouxe aquele Doom mais noventista, enraizado em formatos como os primeiros álbuns do Paradise Lost, com som mais arrastado, frases de guitarra e vocais guturais. Era possível sentir certo nervosismo, pois aquele era o show de estreia da banda, mas os rapazes se saíram muito bem e as músicas ao vivo soam até melhores que de estúdio, com destaque para Doomed By the Sun e 12 Killers, anunciada como próximo single da banda. E para alegria dos doomers, a apresentação foi fechada com Eternal, clássico do Paradise Lost, do álbum Gothic. Uma bela estreia!

O quarteto Doomslang já havia se apresentado na quarta edição do Obscuro Fest com um show mais completo, o que não ocorrera dessa vez. A banda do interior paulista teve problemas para conseguir cumprir o horário reservado ao seu show e acabou precisando reduzir seu set para não prejudicar demais atrações. Também por conta do atraso, alguns presentes acabaram se dispersando e perdendo sua apresentação, porém, com show curto mesmo, a missão foi cumprida e a banda deu uma breve amostra de seu Stoner aos que ainda não lhes conheciam.

Em seguida, era chegado o momento daquele que seria o melhor show do festival, constatação inevitável ao fim da apresentação de Reinaldo Zonta (vocal), Luan Bremer e Jean Augusto (guitarras), João Wegher (baixo) e Pedro Tomaz (bateria), formação que compõe a Espectro. Criada em 2017, tudo que esses curitibanos tem até o momento é o material Demo intitulado The Gypsy. E divulgando esse trabalho, a banda deu mesmo um belo gás na noite de sábado. A abertura com Freeway Ride é exemplo disso, seguida por Burning Stakes. Toda a performance do quinteto é destacável, mas momentos como The Ritual nos chama atenção aos trabalhos de backings de João e Pedro. Já Gypsy se destaca pelas ótimas mudanças de andamento, enquanto Mindlord nos coloca em um momento mais viajante, com belíssimo solo de guitarra e toda a banda mostrando muito feeling. O reverb nos vocais de Reinaldo nos ambienta ainda mais aos anos 1970, e a banda passeia facilmente por nomes da época como Black Sabbath, óbvio, mas também Witchfinder General e até algo de Thin Lizzy, como podemos ouvir nas dobras melódicas das guitas em Wolf. Que a banda venha logo com um álbum completo e retorne à São Paulo para divulgar seu excelente trabalho.

A noite de sábado se aproximava do fim, com a pista cheia, tendo mais que o dobro de público da noite anterior. Mas ainda teríamos a atração mais esperada dessa sexta edição do evento. Diretamente de Recife, o duo Witching Altar invadiu a terra da Garoa. Formado por Thiago Witchlover (vocal) e Peter Vitus (guitarra), a banda também relativamente nova, com oito anos em atividade, já se fazia presente desde a noite anterior, com a venda de seu merchandising no local. Apesar do foco ser do full length Ride With the Devil (2015), o doom metal influenciado por nomes como Saint Vitus, Pentagram e Reverend Bizarre, também abordou o EP The Monolith, com músicas como Die Alone (que maravilhoso riff!) e She Rides the Seventh Beast. Mesmo subindo em palco apenas pela quarta vez, a apresentação da banda consegue transparecer o intuito de suas composições, com clima denso, som carregado e músicas longas. The Price We Pay é bom exemplo ao vivo do peso da dupla pernambucana, que, aliás, tinha como banda de apoio os músicos da Espectro. E mesmo com apenas um ensaio para essa noite, a formação mostrou coesão nas execuções dos sons. Com quase uma hora de palco, a apresentação ainda teve o cover de Cromwell (Reverend Bizarre), presente como bônus no full length da banda.

O Obscuro Fest se consolida como um evento que faz as bandas do meio Doom/Stoner/Occult, desejarem os palcos mesmo sem músicos para tanto, diga-se a Umbilical, que se apresenta sozinha ou a Witching Altar que conta com músicos de apoio. Ou seja, o festival vira um incentivo para tantos irem além dos trabalhos de estúdio e faz com que ao fim de cada edição, deixe uma pergunta a todos: quando será o próximo?

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