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OZ STORM FEST

Krisiun, Ratos de Porão, Korzus, Nervosa, Haavok e No Way Centro de Eventos Pedro Bortolosso - Osasco/SP, 28 de junho de 2014

Devagar, a cena underground vai mostrando que é possível fazer bons festivais com cast digno e preço justo, como o “Oz Storm Fest”, realizado na cidade de Osasco e que apresentou no último sábado do mês de junho um cast poderoso. Quatro grandes nomes do Metal nacional – Krisiun, Ratos de Porão, Korzus e Nervosa – se uniram aos grupos locais Haavok e No Way, para se apresentar em um local grande e com boa estrutura, o Centro de Eventos Pedro Bortolosso.

Programado para iniciar às 14h, devido ao jogo do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo, teve início uma hora depois com a banda No Way. Sem se importar que o público ainda chegava ao local, o quarteto formado por Diana Arnos (voz), Rodrigo Alves (guitarra), Cabeça (baixo) e Daniel Bianchi (bateria) recepcionou os presentes com um metal tradicional energético, cujo vocal lembra a deusa loira Kate French (ex-Chastain). No curto set, as canções de destaque foram às cadenciadas “Leading Way to Suicide” e “Praying With Bullets” e uma correta versão para “Walk” (Pantera).

Após rápidos ajustes, às 16h20 o trio Haavok originou o seu set. Donos de um Thrash que transita por diversas épocas do estilo, André Miranda (voz e guitarra), Lau Andrade (baixo) e Robert Lunardi (bateria) foram responsáveis pela primeira roda do evento e músicas como “Stranger in my Mind” e “Scream to the World “merecem um lugar nos ouvidos e prateleiras dos fãs do estilo. Além do material autoral, os caras mandaram “Roots Bloody Roots” do Sepultura, que fechou o set.

A primeira atração principal que adentrou ao palco foram as thrashers da Nervosa. Respaldadas por apresentações memoráveis pelo país e América do Sul, Fernanda Lira (baixo e voz), Prika Amaral (guitarra e backing vocals) e Pitchú Ferraz (bateria) mostraram seu Thrash cheio de energia e espírito oitentista, que era retribuído com muitas rodas.

Promovendo seu recém-lançado álbum “Victim of Yourself”, o trio mostrou o porquê de ser um dos melhores nomes do estilo, graças às canções pogantes como “Justice Be Done”, “Into Mosh Pit”, além de “Wake Up and Fight”, com seus vocais ásperos e que lembram a saudosa Wendy O. Williams. A apresentação, com cerca de uma hora, passou voando e o set chegou ao fim com a conhecida “Masked Betrayer” e “Death”. Nem os problemas com o som foram capazes de ofuscar o brilho. Uma bela apresentação.

Com mais de trinta anos de estrada, o Korzus tem a receita de como fazer um belo show de Thrash. Num set que abrangeu toda a sua carreira, Marcello Pompeu (vocal), Heros Trench e Antonio Araújo (guitarras), Dick Siebert (baixo) e Rodrigo Oliveira (bateria) detonaram clássico atrás de clássico, dentre eles “Agony”, “Internally”, “Catimba”, “Guilty Silence”, além das mais recentes “Discipline of Hate”, “Truth” e a levemente Hard “Raise Your Soul”, que já merecem figurar entre as melhores músicas da banda.

Nem é preciso dizer cada canção era respondida com muitas rodas e berros, mas em “Who Want To Be The Next” algo especial ocorreu quando Pompeu pediu para que fosse formado um enorme ‘wall of death’. A agitação mostrou que é possível ter um grande público vibrando com as bandas do nosso país. Assim, “Guerreiros do Metal” colocou fim à apresentação do Korzus, que continua impecável no palco! Isto é algo que muitos grupos emergentes deveriam aprender, principalmente nos quesitos postura e carisma.

Com uma trajetória marcada por polêmicas, irreverência e discos memoráveis, o Ratos de Porão mostra que está num excelente momento. Divulgando o seu novo lançamento, “Século Sinistro”, João Gordo (vocal), Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) iniciaram o show com duas das novas – “Conflito Violento” e “Viciado Digital” –, que impressionam pela agressividade e principalmente pela musicalidade adquirida nessas mais de três décadas de estrada. O guitarrista Jão, assim como o saudoso Hélcio Aguirra (Golpe de Estado), possui um timbre particular e inimitável.

Mas o set dos caras apresentou muitos clássicos, dentre eles “Crucificados pelo Sistema”, “Morrer”, “Anarkhophobia” e as engraçadas “Difícil de Entender” e “Diet Paranoia”, essa do polêmico “Just Another Crime…In Massacreland”, lançado em 1993. Vale citar que neste show teve a única pisada do público, que ficou gritando o nome do Krisiun (que fecharia a noite). De forma firme e educada, Gordo disse que os gaúchos tocariam, mas que aquela era a vez do Ratos. Músicas novas como “Grande Bosta” intercalava aos hits do passado, como “Beber Até Morrer” e “Terra do Carnaval”, cuja mensagem continua mais atual do que nunca.

Já eram 21h40 quando os gaúchos do Krisiun entraram no palco. Para quem acompanha o trio formado por Alex Camargo (baixo e voz), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) desde os anos 90, percebe-se a evolução do Death Metal dos caras. Mesmo adicionando peso e cadência, em nenhum momento perdeu a sua essência, fato percebido logo em “Ominous” e “Combustion Inferno”. “Raveger”, de “Conquerors of Armaggedon”, e “Vicious Wrath” foram outros momentos dignos de nota, assim como “The Will to Potency” e “Descending Abomination”, que fazem parte de seu mais recente registro, “The Great Execution”, lançado em 2011.

Outro ponto que merece menção é o trabalho da guitarra e bateria, que inserem novos elementos como o Thrash, a música regional gaúcha e o Fusion que, adaptados ao estilo da banda, agregam mais personalidade ao som dos gaúchos. “Black Force Domain” deu números finais ao show. Apesar de ótimo, o set deixou um gosto de quero mais aos que imaginaram rolar uma participação de João Gordo na música “Extinção em Massa”. Não há mais palavras, além de agradecer por estar presente num ótimo evento e torcer para que o “Oz Storm Fest” continue brindando os fãs com música pesada de qualidade.

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