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PESO BRASIL 4

DESECRATED SPHERE – NERVOCHAOS – GENOCÍDIO Manifesto Bar - São Paulo (SP), 30 de junho de 2013

O Manifesto Bar, em parceria com o Projeto Peso Brasil – idealizado pelo redator chefe da revista Roadie Crew, Ricardo Batalha – proporcionou uma noite especial para quem compareceu nesta quarta edição do festival, promovendo uma trinca de ‘peso’ (literalmente) do Death Metal paulista: Desecrated Sphere, Nervochaos e o ícone Genocídio que, como divulgado, faria um show especial. Porém, o último domingo do mês de junho foi marcado pela final da Copa das Confederações – o Brasil sagrou-se tetracampeão da competição, batendo a então eminente seleção espanhola no histórico Maracanã. O jogo estava marcado para 19h e a capital paulista, conhecida como ‘terra da garoa’, fez jus mais uma vez a esse adjetivo o que, em meio a uma noite fria e festiva, afastou uma boa parcela de possíveis presentes.

Com um público ainda pequeno, os guaçuanos do Desecrated Sphere – recém chegados de uma turnê europeia – subiram ao palco pouco antes das 20h para finalizar a tour de promoção do debut, “The Unmasking Reality” (2011), masterizado e mixado pelo renomado Andy Classen. O show marcava o retorno do baterista original Rodolfo Bassani, e novamente a banda volta a ser um quarteto, já que não dispõem mais do segundo guitarrista, Rubens Fraleone. Iniciaram com a introdução “Unnatural Transformation”, seguida de “Ruin”, que serviu como cartão de visitas para mostrar que a qualidade principal da banda é o instrumental absurdamente acima da média. Basearam o set com faixas do ‘debut’, acompanhadas de algumas inéditas que farão parte do próximo álbum, “Emancipate”.

Sem muita delonga, despejaram sua sonoridade visceral, extremamente técnica e com referências claras do Death Metal da Flórida (EUA), praticado por bandas como Cannibal Corpse e Deicide. Devido ao instrumental bem trabalhado com passagens complexas, alternando momentos de velocidade e outros mais arrastados e pesados, percebe-se que o Disincarnate e o Death também são prováveis fontes de inspiração. É impossível não perceber no habilidoso baixista José “Motor” Mantovani influências do conceituado Steve Di Giorgio (Death / Control Denied / Sadus / Synesis Absortion / Testament / Autopsy, etc), inclusive pelo fato de usar um ‘Fretless Bass’ (baixo sem trastes e marcações) de seis cordas. Além de ter total domínio, usa e abusa de técnicas características do baixo.

O ponto alto da apresentação do Desecrated Sphere ficou por conta de “Gospel Is Dead”, que tem seu videoclipe bastante acessado no YouTube. Mas outras músicas também chamaram a atenção, como “Departure From Flesh”, “Transcending Materialism” e “Humanufactory”. A banda mostrava simpatia ao final de casa música tocada, e o vocalista Renato Sgarbi, exaltou o fato de estarem dividindo o palco com duas das principais representantes do Metal extremo no Brasil e finalizando com a intensa “Biological Butchery”.

Também retornando de turnê europeia, o Nervochaos, que no ano de 2013 está com sua agenda bem cheia e no dia anterior se apresentou em Volta Redonda/RJ, não demorou em subir ao palco e sem nenhuma introdução. Preferiu dar início a costumeira pancadaria com “Dark Chaotic Destruction”, de “Batalions Of Hate” (2010), que foi bem explorado durante a apresentação. Porém, a banda segue a turnê do álbum “To The Death”, lançado em 2012.

E não demorou muito para que a faixa título do recente ‘full lenght’ fosse apresentada. Rápida, martelada e direta, “To The Death” soa bem ao vivo, e provavelmente, fará parte do set list da banda por muito tempo. Da mesma forma, algumas músicas não podem ficar de fora de uma apresentação do Nervochaos, como são os casos de “Pazuzu Is Here”, forte candidata a hino da banda; “Total Satan” e “All-Out War” – coincidentemente, as três de “Battalions Of Hate”.

Edu Lane (bateria), Felipe Freitas (baixo), Quinho (guitarra) e Guiller Cruz (vocal e guitarra) estão bem estabilizados e coesos sendo, talvez, a melhor formação da banda até hoje. Guiller brincou algumas vezes com a plateia, que já marcava presença em um número melhor. Não esquecendo do debut “Pay Back Time”, lançado no longínquo ano de 1998, a banda executou “Mighty Justice”.

O Nervochaos segue a linha do Death Metal Tradicional, mas flerta com o Hardcore nas passagens mais ‘soco na cara’, na duração de algumas músicas e também pelo fato de Edu Lane possuir uma levada mais ‘relógio’, marcando com precisão o andamento das músicas, tornando-as funcionais ao vivo. O único pecado cometido pelo grupo é executar um set list bem curto, deixando os fãs com aquele ar de ‘quero mais’. E dessa forma, encerraram o show com o vocalista Guiller dedicando a última música para os amantes da fonte inspiradora da letra de “Pure Hemp”, única representante do álbum “Legion Of Spirits Infernal” (2002).

Eis que chega o grande momento da noite: A celebração aos vinte anos de lançamento do álbum “Hoctaedrom” que, inclusive, foi relançado recentemente em formato digipack. Então, o Genocídio sobe ao palco para executá-lo na íntegra, conforme divulgado. Da formação que gravou esse clássico, apenas Wanderley Perna e Murillo Leite permanecem e agora são acompanhados por João Gobo (bateria) e Rafael Orsi (guitarra). Perna atualmente toca baixo e na época era guitarrista e Murillo, além de guitarrista, assumiu tempos depois do lançamento do disco o lugar do ex-integrante Marcão nos vocais.

Após a introdução que leva o título do álbum, a banda começou a apresentação com a veloz “Here Are The Masques”, prejudicada pelo som irregular das guitarras que saia dos PA’s, mas que começou a se acertar a partir da próxima, “Up Roar”, que na época de seu lançamento, tinha seu videoclipe bastante veiculado no extinto programa ‘Fúria Metal’, da MTV.

Dali para frente, o grupo foi seguindo a sequência do ‘tracklist’ do álbum, descarregando peso na platéia com faixas como “Rule Over The Message”, “Heredity” e “The Unknown Swindle”. Murillo Leite, bastante comunicativo, falou sobre a importância desses vinte anos de lançamento de “Hoctaedrom” e também dos vinte e cinco anos de serviços prestados ao Metal nacional e alertou a platéia sobre algumas participações que iriam acontecer na segunda parte do set.

Dando continuidade ao show, anunciaram “Lamurya” que, conforme a confirmação de Perna, nunca haviam tocado ao vivo. Finalizando a primeira parte, Perna e João Gobo iniciam a conhecida levada de baixo e bateria, respectivamente, da extensa faixa título “Hoctaedrom”, cheia de climas e que segue uma linha bem Gothic / Doom. Aliás, o Gothic é um estilo que sempre andou lado a lado com o Genocídio e foi explorado ainda mais no álbum “Posthumous” (1996).

Após celebrarem o histórico “Hoctaedrom”, Murillo Leite anunciou “Passion And Pride”, que estará presente no novo álbum “In Love With Hatred”, e explicou que sua letra conta a respeito da carreira do grupo. Na sequência, foi convocado a se dirigir ao palco o vocalista da banda paulista Goatlove – que executa algo como um ‘Goth ‘N’ Roll’ – para relembrar “Settimia”, que o próprio Roger participou quando da sua gravação em estúdio para o álbum “The Clan” (2010) e também para o videoclipe promocional.

Lombardi dividiu seus vocais graves, com outros mais sussurrados de Murillo, promovendo um momento único no show. Roger Lombardi agradeceu a participação e sorteou alguns CDs de sua banda. Dedicada ao realizador do evento, Ricardo Batalha, “Sphere Of Nahemah” chegou para representar o citado álbum, “Posthumous”.

Já que o show era para relembrar o passado, a banda não esqueceu o primeiro EP, simplesmente chamado “Genocídio”, lançado no distante ano de 1988, e executaram “The Grave”. Finalizando a quarta edição do ‘Peso Brasil’, O Genocídio convida os vocalistas Guiller Cruz (Nervochaos) e Renato Sgarbi (Desecrated Sphere) para se confraternizarem no palco e finalizar o evento com o cover do Venom para “Countess Bathory”.

Quem não foi perdeu mais um momento ímpar do Metal nacional. Três gerações do Death Metal brasileiro, juntos no mesmo palco: os veteranos do Genocídio, executando um repertório totalmente especial; o Nervochaos, já há quase duas décadas divulgando a bandeira do Brasil mundialmente; e a nova geração, muito bem representada pelo Desecrated Sphere. Essa tríplice mostrou que o Death Metal nacional continua muito bem e todos estavam gratos por terem esse espaço cedido pelo Manifesto Bar e o Peso Brasil, que juntos têm realizado excelentes eventos com bandas autorais. Agora, basta o público se atentar a esses grandes shows e apoiar, para que não percamos mais um projeto apoiador. “O intuito do Peso Brasil é promover o trabalho de bandas autorais do Brasil. Desta vez, confesso que tive um sentimento diferente, de dever cumprido, pois colocamos três representantes do Metal extremo que nunca tinham se apresentado no Manifesto Bar”, declarou Ricardo Batalha. “Vendo os shows, me senti como naquele vídeo ‘Ultimate Revenge for Disco’, em que Slayer, Venom e Exodus tocaram no Studio 54, aquela antiga discoteca de Nova York. Enfim, o Death Metal tomou conta do Manifesto!”, acrescentou Batalha que, no intervalo entre os shows do Nervochaos e Genocídio, foi ao microfone para agradecer a presença do público e anunciar a realização do ‘Super Peso Brasil’ para 9 de novembro no Carioca Club, contando com Stress, Metalmorphose, Centúrias, Taurus, Salário Mínimo e convidados.

Desecrated Sphere – Set List:
Unnatural Transformation (Intro)
Ruin
Century Of Tyranny
Departure From Flesh
Gospel Is Dead
Defraudation
Transcending Materialism
Humanufactory
Biological ButcheryNervochaos – Set List:
Dark Chaotic Destruction
Infernal Words
To The Death
Total Satan
Mighty Justice
All-Out War
Pazuzu Is Here
Perish Slowly
Pure HempGenocídio – Set List:
Intro (Hoctaedrom)
Here Are The Masques
Uproar
Rule Over The Message
Heredity
Numbness Sunshine
Lamurya
The Unknown Swindle
Hoctaedrom
Passion And Pride
Settimia (c/ Roger Lombardi)
Sphere Of Nahemah
The Grave
Countess Bathory (Venom Cover)

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